terça-feira, 1 de maio de 2018

O Jogo- CONTO

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O Jogo

A tempestade era vista pelo vidro da janela. Ela estava assustada.
Isso sempre acontecia, porque desenvolvera uma fobia aos temporais.
Ouviu passos no velho assoalho de madeira. Era ele.

O idoso caminhava pelo corredor, vindo da rua. Trazia sacolas de compras para seus pupilos.
Não era um orfanato ou abrigo público. Ali até aquele momento, só moravam adolescentes.
E a maioria eram desajustados da sociedade, mas, ela não.
Estava ali nem sabia o porquê...
Era tudo nublado em sua mente.
O que a levaria a estar entre eles? E por onde andava sua família?
Por que não se lembrava de quando chegou ali?

Tinha muitos questionamentos na cabeça.
O quarto em que estava, era dividido com mais 3 pessoas. Era um casarão antigo de paredes mal conservadas.
A jovem tremia. Sabia que atrás daquela aparência altruísta daquele senhor, existia algo de muito errado.
Ele passou pelo quarto e não olhou. Seguia para a cozinha, para guardar as compras.
Os rapazes começaram a abrir uma caixa esquecida entre as prateleiras do quarto.
Interessante que nunca a tinham visto ali.
Ela observava sem mostrar curiosidade.
Os jovens perceberam um papel de instruções para o jogo e abriram para olhar.
Dizia umas palavras esquisitas, quase sem nexo.
E no rodapé uma observação: Teriam que ler aquelas palavras em voz alta, ao mesmo tempo, todos aqueles que quisessem jogar.

Ela sentiu um arrepio, talvez tivesse medo, existiam tantos filmes por aí, sobre jogos sinistros.
Quando fizeram o que as instruções ditava, repentinamente surgiu um outro rapaz com uma máscara de palhaço.
Parecia ter se materializado do nada. Todos ali permaneciam parados e pasmos.
Ela se movimentou meio temerosa, e pediu que ele tirasse aquela máscara. Era um jovem mulato.
Ele realmente não colocaria medo em ninguém, não fosse o modo inesperado em que surgiu...

Era um Guardião. Estava ali para ajudar aqueles jovens a se libertarem da semi prisão, que não desconfiavam que estavam:
Eles podiam ir ao colégio, podiam dar até uma festinha ali de vez em quando, mas, nunca podiam sair sem a supervisão do idoso, dono da casa.

O Guardião não respondia às perguntas que lhe faziam. Falava de outras coisas, como se já fosse parte do grupo. Mas, era fato que ele teria que se explicar...
Sem rodeios, a jovem o interpelou:

- O que você veio fazer aqui?
- Estou e sempre estive aqui, vocês que não me viam...
- Como assim?
- Estava preso no jogo. Sou o Guardião.
- Isso não pode estar acontecendo...

Os outros ali, continuavam sem entender aquilo, e o que representava o Guardião do jogo em suas vidas.
Saíram do quarto a mando do recém chegado. Eles foram até a sala, e se espantaram mais uma vez, quando o rapaz trouxe uma menina de uns 4 para 5 anos (vinda sabe-se lá de onde), e apresentou-a aos internos da casa.

Ouviu-se a voz do idoso vinda da cozinha:
- O que vocês estão fazendo, meus pupilos, aí na sala?

A adolescente respondeu por todos:
- Nada senhor, apenas estamos jogando.
- Certo. Daqui a um pouco, comeremos. Estou preparando o lanche.

Depois disso, ao voltar a cabeça para o lado, notou a mudança de cenário:

Novamente uma nuvem em sua cabeça pairou...
Ela não sabia como daquele instante que respondeu ao homem, até aquele que estava no momento, tinha se passado a noite inteirinha!
Era como se fosse mágica!

Já era a manhã de sexta feira, e todos deveriam ir para o colégio.
A menininha ainda estava ali e dormia no sofá que ficava no quarto.
Certamente que aquela criança passou sem perceber pelo idoso, pois ali não ficavam nada além de adolescentes...

O Guardião  estava ali olhando todos se arrumando para sair depois que tomassem o café da manhã.
Passou pelo idoso e ele não o percebeu. Era como se fosse invisível aos seus olhos...
A menina da mesma forma, pois o rapaz havia lhe acordado, e a segurava pela mãozinha.

Todos queriam saber afinal, como seria o tal jogo, e como sairiam do controle do idoso.
E para onde iriam depois? Essas eram as incógnitas que seguiam em suas mentes...

Os jovens sabiam que o Guardião estava ali para ajudar, mas, como entender aquele jogo fantástico?
Quais os passos que deveriam dar?
Tinham receio, entretanto, sabiam que jogar seria o único meio de sair daquele local que moravam, sem nem saber o porque foram levados para lá...
Aprisionados talvez, em um Universo Paralelo, ou uma MATRIX.


A jovem que de um instante para o outro, estivera em dois tempos diferentes, acordava com o celular
vibrando ao seu lado, na cama:
Eram seis horas da manhã, e ela adulta que era (e não a adolescente do sonho), tinha que começar mais um dia de batalha...
Despertou dizendo:

"Eu saí do jogo, eu saí do jogo..."


OBS:
Esse é mais um daqueles sonhos de minha filha Catarina Abreu, que me inspiram a continuar fazendo um conto.












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