sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Taças





Ano Novo, expectativa de vida nova.
Todos os anos pensamos o mesmo...
Quando chega o meio do ano, algumas coisas se concretizam, outras não.
Não devemos desanimar e sim, acreditar. Crer que vai acontecer.
Lei da Atração.
Diga-se de passagem, se merecermos... 

Isso está intimamente ligado à outra Lei do Universo:
Causa e efeito ou A LEI DO RETORNO.
Se plantar uma semente boa, a colheita vai ser ótima!
Entretanto, se nada fizer de bom, pode ter certeza que terá solo infértil e/ou sem frutos.
Aquele que pensa que não errar já assegura a colheita, engana-se:  TEM QUE FAZER POR MERECER! 

Praticar a Caridade, Fraternidade, Solidariedade, qualquer um desses nomes que queira dar,  é a receita do começo...

E vamos assim, juntar os caquinhos do ano "taça de cristal", que está acabando, e fazer uma linda taça forte, como se fosse de madeira. 
Não deixando que ela se queime com  algo errado que possamos fazer.

Fátima Abreu

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Colar De Pérolas

http://www.recantodasletras.com.br/audios/poesias/66416
Poesia em áudio no RL






Meu encanto pelas pérolas,
Faz com que desenvolva poesias sobre elas.
Nunca as tive, na verdade:
Nem nessa ou em outra idade...




Queria, como uma criança quer, um brinquedo sonhado.
 Sonhava colocar o colar, num porta joias antigo.
Porém nunca as ganhei, para meu agrado...


Seria mais adequado esse recipiente: Gosto de nostalgia.
E de objetos que mostram essa minha "embriaguez" de tempos que não vivi.
Quando nem sonhava estar aqui...

Uma penteadeira, um retrato meu.
Um vaso transparente com flores vermelhas,
Como minha paixão pelas pérolas...
E um par de brincos 'vintage',
Para imaginar-me nos "Anos Dourados",
Como no meu livro de romance:
Ser a 'Marília', dessa época
Retratada em calendários masculinos,
Com colar de pérolas cintilando
Em um corpo muito feminino...

Ser a 'Maribel', sua filha:
Escrevendo essas emoções,
Como escritora que  a personagem é.

E finalmente ser eu mesma:
A criadora desse Universo feminino
Onde os homens são segundo plano
Só quem aprecia as pérolas, são as mulheres...
Talvez por esse motivo, eu não tenha protagonistas masculinos:
Não saberia falar de sentimentos que não tenho.

Cada palavra é real para mim:
Desde a descrição da chuva que caí lá fora,
Até as pérolas do colar, dentro do porta joias, sobre a penteadeira,
Imaginadas na minha mente
Meu grão semente...

Fátima Abreu


http://www.clubedeautores.com.br/book/151374--Maribel_Nao_Tinha_Olhos_Cor_Do_Ceu#.VZ2Pp7Xdcvp 

REFLEXÃO




ANTES TARDE, DO QUE NUNCA...

E QUE NOS FAÇAMOS PRESENTE, ANTES QUE O MUNDO SUCUMBA...
QUE LEVEMOS ÂNIMO, FÉ E ESPERANÇA, QUANDO TUDO PAREÇA RUIR...
QUE POSSAMOS DIZER: "AMO VOCÊ", TOTALMENTE DE FORMA VERDADEIRA!
E TOMARA QUE NOSSO ACONCHEGO, SIRVA PARA ABRANDAR UM CORAÇÃO EM PEDAÇOS...
POSSAMOS DAR ENTÃO, O ESPERADO ABRAÇO!

QUE ANTES QUE O MUNDO SUCUMBA,
NÓS ESTEJAMOS UNIDOS EM DEUS!
E QUE A LUZ PERCORRA CÉUS E TERRAS,
LEVANDO PAZ, À AMIGOS MEUS...


FATUQUINHA


NANA, NANINHA...

MINHA NANINHA...                        
NANA, MINHA NANINHA... 
FLOR E BONEQUINHA, 
ANJO LOIRINHO, DE PELE ALVA, 
NANA, MINHA NANINHA... 


SE ACALMA...                        
ISSO É PARA  SE ACALMAR SEMPRE, QUANDO LER, MEU ACALANTO E TE NINAR...                         
NANA, MINHA NANINHA...
UM DIA, TUDO SE ACERTA, 
E DIRÁ OLHANDO PARA TRÁS: 
"MÃEZINHA ESTAVA CERTA!"

FATUQUINHA




E FIQUEI BELA...






AMIGA JOANA MENEZES MAIS UMA VEZ ME MAQUIOU PELAS FOTOS NO FACEBOOK:

GRATÍSSIMA, POR TANTO CARINHO PARA COMIGO!


NAS MENORES EXPRESSÕES, SENTIMOS O QUANTO SOMOS IMPORTANTES NA VIDA DOS DEMAIS...





BELA

 ASSIM ME SENTI, QUANDO OLHEI AS FOTOS QUE VOCÊ, AMIGA QUERIDA, MAQUIOU PARA MIM...

 BELA! E PARA MIM, FEZ MUITO BEM...
 SEM PRECISAR DE SALÃO, PARA APENAS REALÇAR TRAÇOS MEUS.
BELA, VOCÊ TAMBÉM É. 
POR VIR DE DENTRO, ESSA RARA BELEZA, 
E PASSAR PARA FORA, COM CORAÇÃO SENSÍVEL,
 DE QUEM AMA AOS AMIGOS TAMBÉM!

 BELA, ÉS TU E AGORA, EU TAMBÉM...

 SOMOS BELAS, ROSAS FEMININAS.
 FLOR QUE DESABROCHA, SEMPRE QUE HÁ ENVOLVIDA ESTIMA...

 SOU GRATA, BELA JOANA.
FATUQUINHA

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Dueto: AO ENCONTRO DO AMOR

AO ENCONTRO DO AMOR


Tenho que partir o mais rápido possível
Não posso me atrasar
Levo uma bagagem invisível
contendo só sentimentos, necessários para amar

Esperei tanto tempo
Conheci vários tipos de vento...
Tornados, Ciclones e furacões
todos arrasadores, como fortes paixões

Já estou a caminho
Antes de chegar, vou sonhar um pouquinho
Tê-la inteira em meus braços
Beijá-la sem pressa e preencher seus espaços

Jeronymo Dos Santos Jr


Preencha-me por inteiro, pois meu corpo agora, já é  braseiro!
Nas andanças pelo mundo, encontrou todo tipo de ventania, entretanto, aqui e agora, tens a flor que te devora...
Seguida de beijos, carícias que arrepiam com o desejo...
Sim, seja meu.
Almas afins não se separam, ainda que tenham tormentas pelo meio...
É que o poder do amor, segue um fluxo muito natural:
Homem e mulher, macho e fêmea, com a vontade louca e ardente, de se tocarem docemente...

Fatuquinha









terça-feira, 13 de dezembro de 2016

AMIGOS PARA SEMPRE



video


QUERO O ABRAÇO SINCERO, 
O OMBRO PARA DAR E RECEBER
OUVIDOS PARA ESCUTAR
SEM REPREENDER...

QUERO O AFAGO NA MÃO,
O BEIJO NA TESTA
UMA BELA CANÇÃO...

QUERO SABER QUE POSSO CONTAR COM VOCÊ
 E A RECÍPROCA, É VERDADEIRA!
 QUERO PODER TE APRESENTAR COMO IRMÃO, IRMÃ, PARA QUEM PERGUNTAR.
TAMBÉM COMIGO DESSA MANEIRA,
POIS AMIGOS DE VERDADE, DURAM UMA VIDA INTEIRA!

 FATUQUINHA

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Chuva de Verão & Fogo da Paixão

(POEMA ANTIGO REEDITADO)



Chuva de Verão & Fogo da Paixão

Ventania que carrega as folhas insistentemente
Chuva que está por vir
Ao longe, escuto as trovoadas
Chuvas de verão
Sempre, da mesma forma
Depois de um dia acalorado
No fim da tarde, ou à noite, ela chega.
Traz consigo uma energia
Que para muitos é magia:

Povos que não entendem fenômenos assim
Mas chuva de verão
É como amor sem fim:
Bate forte, inunda...
Cresce...
Chuva de verão,
&
Fogo da paixão:
Intensos... mas, verdadeiros.
Fátima Fatuquinha Abreu

'Contramão'




Para comprar impresso, basta clicar no link e escolher uma das  duas opções: Cartão ou boleto

                           https://www.clubedeautores.com.br/book/186253--Contramao


Sinopse

Um romance que mostra fatos da vida, que passam duas famílias interligados por um indivíduo mentalmente desequilibrado: Juvenal Rossini.
Do ponto de vista humano e espiritual, vai se desenrolando a trama por muitos anos.
E a compreensão de que muitos vão na Contramão da vida, por terem as mentes deturpadas: Então não percebem que caminham em sentido contrário à evolução moral, humana e psicológica, entrando assim no caminho dos outros e ferindo seus sentimentos.
Categorias: Literatura Nacional, Ficção e Romance, Batalha Espiritual
Palavras-chave: adoção, drama, espiritualidade, romance


Caso queira em ebook para ler na tela, envie msgm pelo email:
fatuquinha@gmail.com





quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Encontro Casual? ROMANCE ESPIRITUALISTA/POLICIAL



fatuquinha@gmail.com

Custa 10 Reais em e-book diretamente comigo, o que é mais vantagem!
De qualquer forma, se quiserem a versão impressa, sigam esse link:

https://www.clubedeautores.com.br/book/161290--Encontro_Casual




Sinopse

Um casal de gêmeos separados pouco depois do nascimento. Cada um toma seu rumo na vida, adotados por diferentes famílias. O destino faz com que se reencontrem anos mais tarde, sem saber de seu parentesco. Será apenas um Encontro Casual?
Categorias: Romance, Ficção, Família E Relacionamentos, Drama
Palavras-chave: adoção, espiritualidade, policial, romance

A Bolsa De Pedras


https://www.clubedeautores.com.br/book/161379--Fios_do_Destino




Essa é mais uma das histórias que presenciei no decorrer dos anos, como foram a de Vânia  e de outros personagens da vida real, por mim retratados nos textos do blog e no meu livro: 
"FIOS DO DESTINO"



Thiago nasceu na mesma época que Maria.
Viviam na mesma rua, do mesmo bairro,  na Cidade do Rio de Janeiro.
Ambos tinham atestada esquizofrenia.
Ao longo dos anos a doença se apresentou. Diz-se por aí,( não sei se isso é verdade mesmo) que essa forma de doença mental precisa de um estopim, algo que desencadeie, como um grande choque na vida.

De qualquer forma, com ambos realmente foi preciso isso, para deixarem de parecer pessoas ditas "normais", e apresentarem o quadro de esquizofrenia.

Thiago era de estatura mediana, mulato de cabelos ondulados, bem apessoado. Maria era branquela, loira, descendia de italianos, uma mulher nem bonita nem feia.
Maria fez curso de instrumentadora cirúrgica, quando era moça. Trabalhou um tempinho em clínicas e hospitais, levando uma vida normal sem desconfiar da doença. Conheceu um senhor mais velho que ela, por quem se apaixonou e desse relacionamento nasceu sua única filha.  Mas ele tinha família e sumiu da vida de Maria...

Já Thiago, era contador e trabalhava para várias firmas. Morava sozinho numa casa que seu avô lhe dera. Mas Thiago um dia  casou-se  com uma bonita mulher e teve um filho com ela. Tudo corria bem até que certo fim de tarde, ele chegou cedo em casa ( num horário que não era o de costume) pois sempre era lá pelas 19:00 horas, que retornava do centro do Rio.

Queria fazer uma surpresa para a esposa e levá-la para jantar fora com o filhinho. Mas ao chegar não a encontrou na cozinha, e um silêncio imperava na casa. Foi até o quarto do bebê e ele dormia tranquilo.
Ao abrir a porta do quarto de casal, deu com uma cena que daquele dia em diante, ficou em sua mente:
A esposa estava com um amante, na cama, que eles tantas vezes fizeram amor...
O choque profundo, bateu como um punhal em seu peito.
Dali foi desencadeada sua esquizofrenia, e a esposa foi embora levando o filhinho do casal.
Ele voltou a ficar só.
Ninguém lhe dava mais emprego. Com o passar dos meses a casa, antes bonita tornara-se feia  e suja.
Ele em sua loucura, pichava as paredes de dentro e de fora. Espalhava lixo pelo quintal. Tinha crises em que jogava pedras nos vidros das janelas e quebrava as portas. Gritava dia e noite trechos da Bíblia, pois era evangélico, assim como Maria.

Esta, depois de ser deixada de lado pelo senhor com quem tinha tido uma filha, deixara seu emprego e vivia nua de um lado para outro das ruas do bairro. Seus parentes eram avisados e a levavam para casa. Mas ela acabou ficando agressiva demais, atacando os vizinhos com pedras e paus. Sob a pressão da vizinhança, a família de Maria, a internou em hospital psiquiátrico várias vezes durante os ano seguintes...

Thiago também era levado vez por outra para o sanatório, quando também começava a passar dos limites e atacar quem passasse perto de seu portão. Seu avô era chamado e se encarregava de interná-lo.

Tanto Maria como Thiago, quando controlados pelos remédios, passavam por pessoas 'normais'. Ninguém dizia que eram mentalmente doentes. Chegavam perto de mim e conversavam amenidades como uma novela que estivesse chamando a atenção do público, ou uma notícia do jornal.
Certa vez, falando comigo normalmente, Maria pegou um pedregulho na rua, e varou para me atacar dentro da minha lanchonete sem motivo algum. Escapei da pedra enorme por pouco, não estava na minha hora de partir desse mundo.

Thiago certa vez, vinha todo arrumado em um traje de passeio completo, com uma bolsa "tira-colo" ( era assim chamada na época, não sei agora ) para comprar um sanduíche na lanchonete. Perguntei  enquanto preparava o cheeseburger, se ele estava trabalhando novamente.
Thiago respondeu:
_ Estou sim D. Fátima, para a minha igreja, sou contador de lá agora.
_ Ah, que ótimo Thiago! Recomeçar  a vida é sempre bom. Espero que dê tudo certo agora.
Ele deu um sorriso e respondeu de volta:
_ Eu também D. Fátima. Quero ver como meu filho cresceu. Não entendo porque  a mãe dele, não traz o menino para que eu veja!
Eu apenas dei um olhar de compreensão e nada respondi. Mexer em feridas é muito ruim, ainda mais com quem  agente nem sabe se vai de um minuto para o outro, nos atacar...


Reparei que a bolsa dele estava muito cheia. Perguntei então:
_ Thiago, sua bolsa está tão pesada... é necessário mesmo, levar tantas coisas para o escritório da sua igreja?
Ele pegou a bolsa colocou em cima do balcão da lanchonete e disse abrindo-a:
_ É,  vou tirar um pouco do peso...

Foi quando Thiago começou  a tirar pedras de vários tamanhos da bolsa...
Não havia trabalho para ir, apenas delírio de uma mente insana.


Fátima Abreu


PEQUENAS COISAS...reeditado









Pequenas Coisas


Sim, já se diz por aí, que "nas pequenas coisas se
encontram grandes surpresas, etc."
Tenho as minhas, que me dão alegrias:
Como prezo a humildade e detesto todo e qualquer tipo de futilidade, as minhas "pequenas coisas" são bem simplórias:

Uma xícara de café quentinho.
Um abraço apertado.
Um comentário gentil de alguém.
Uma barra de chocolate.
Um bate papo na rua ou numa fila qualquer...
Um livro que queria muito ler.
Um recadinho no espelho,

RISCADO DE BATOM,
QUE MUITO QUER DIZER...

Uma música que me emociona.
Um sorriso "dobrado' de um bebê.
Um foto que peço alguém para tirar,
Em um lindo lugar...

Um elogio à minha obra.
Sempre é bom escutar também...
A certeza de que passo algo e faço algum bem.

Pequenas coisas, do dia a dia
Cozinhar aquele prato preferido.
Beber um vinho tinto suave, na ocasião.
Ter a meu lado, quem me dê atenção.

Receber flores silvestres pela manhã.
E um café na bandeja, levado no quarto
Depois disso um beijo e um "BOM DIA"!
Pequenas coisas, que me dão completa alegria.

Fátima Abreu Fatuquinha

Um Conto de Tempo & Areia ( vol 2 )- REPUBLICADO





Livro IMPRESSO nesse link do CDA:
https://www.clubedeautores.com.br/…/180598--Um_Conto_de_Tem…

Sinopse
A continuação de UM CONTO DE AREIA & MAR *: Romance de época que vai desde a BELLE ÉPOQUE, até a Segunda Grande Guerra. As personagens fictícias encontram-se com personalidades históricas como Mata Hari e Coco Chanel, entre outras. Um romance suave e poético como a brisa marinha...
Categorias: Ética E Filosofia Moral, Metafísica, Livre Arbŕtrio & Determinismo, Poesia, Filosofia, Ficção e Romance

* Um livro que independente de se ter lido o volume 1: 
Tudo é entendido pela introdução.





INTRODUÇÃO:

Gaston Verne continuava internado no sanatório para onde foi levado após atirar em seu tio em março de 1886... Contava 48 anos agora. Havia já se passado 22 anos, desde o acontecido.
Até então, não sabia da existência de seu filho com Irina.

Julio Verne ficou coxo por um dos tiros que recebeu, por 19 anos até sua morte.
Não chegou a assistir ao  Grande conflito mundial, pois havia falecido por diabetes, em março de 1905, na cidade de Amiens, França.
Agora fazia 3 anos de sua morte

O ano era 1908:
Irina seguia  a vida com seu atelier de costura, onde seu filho era gerente:
Já era maior de 21 anos. Irina passou a gerência para ele, ficando apenas com a criação e produção dos vestidos  e chapéus.

Irina era uma  senhora de 38 para 39 anos agora, mas, permanecia com o frescor da juventude, sem cabelos brancos ou rugas.
Não havia quem lhe desse essa idade, aparentava tranquilamente ter 10 anos a  menos.

Despertou então o interesse de um advogado viúvo: Monsieur Gerard Michel Leon.
Irina morava na mesma cidade que ele: Nantes, desde que voltou de Paris (quando soube estar grávida, um mês depois de seu retorno ao litoral)...

Indicaram o atelier de Irina para que ele levasse sua única filha Lídia, recém chegada de Paris (onde esteve desde a morte de sua mãe), para fazer um novo vestuário. Teria de ser mais adequado ao clima do litoral e menos sofisticado do que na capital.
Resultado:  Gerard apaixonou-se à primeira vista por Irina.
Ficou encantado com tanta leveza, em uma dama moradora do litoral.
Esperava encontrar ali, uma senhora grisalha de seus 60 anos e rabugenta (assim era a maioria das proprietárias de Casas de Alta Costura em Paris)... 






Como se enganou! Estava ali a sua frente, uma criatura  de traços suaves, cabelos lustrosos, muito bem educada e sorridente...




                       1

O vento batia nas folhas das poucas árvores que havia na orla.
Irina sempre repetia o mesmo passeio matinal, antes de começar mais um dia em seu atelier...
E ali, sentada em uma pedra, inspirava profundamente o ar marinho.  
Gostava disso, cheiro de  maresia...
Seu filho interrompeu suas divagações pousando a mão sobre seu ombro:

- Assustei-a mãe?
- Não meu filho, só me pegou distraída... Quer alguma coisa?
- Sim, mãe. Aproveitando a brisa fresca da manhã, quero saber algo que não achava adequado perguntar até minha maioridade... Quem é meu pai?
- Sabia que um dia iria me fazer essa pergunta. Pois bem, chegou mesmo a hora, pois já é adulto. Seu pai chama-se Gaston Verne, sobrinho do falecido escritor Julio Verne.
- E por que nunca veio nos visitar? Não me lembro se quer, de chegar uma carta todos esses anos...
- Filho, seu pai está internado em um sanatório desde que atirou no tio. Ninguém soube até hoje, porque ele fez tamanha asneira! Fato é que deixou Julio Verne coxo, até sua morte...
- Meu pai não vai sair do sanatório? Ficará internado até que morra?
- Temo que sim... O juiz foi implacável em dizer que Gaston era perigoso, por ser louco.
- Mãe, quero conhecer meu pai. Mereço isso. E se ele morre e nunca nos vimos? Não, isso para mim seria terrível! Temos que ir até esse sanatório...
- Certo, faremos essa visita a seu pai. Dentro de uma semana prepararei tudo. Agora vamos que a vida chama...

Irina saiu de braço dado ao filho, com os pensamentos em turbilhão: 

Depois de 22 anos, reencontrar Gaston em um manicômio, não era bem o que ela queria...
Entretanto, sabia que devia isso aos dois, pai e filho...

                                     

                        2

A semana passou rapidamente. Irina e seu filho estavam prontos para a viagem. Um coche foi chamado para levá-los até  a capital e depois, rumo ao sanatório.

O clima mudava, e um vento frio de final de outono, gelava o rosto de Irina.
A viagem agora era menos longa, pois as estradas melhoraram muito, desde a sua primeira ida à Paris...
Durante o trajeto Irina pensava naquele senhor que havia conhecido um mês antes... Engraçado é que tinha o mesmo nome que dera a seu filho: Gerard.
Uma coisa aprendera durante todos aqueles anos: Coincidências não existem, e sim, artimanhas do destino...
 Será que aquele senhor tão atraente, havia cruzado seu caminho com algum objetivo, pelas esferas superiores? Só o tempo diria isso... Por enquanto, trataria de resolver o problema de seu filho.
Entretanto, deu um sorriso largo, ao lembrar-se do dia em que conheceu o advogado viúvo:

_ Boa tarde, senhora Irina! Sou Gerard Michel Leon. Alguns amigos aqui de Nantes, recomendaram sua casa de costura. Trouxe a minha filha Lídia, para que tome as medidas e lhe faça novo vestuário, adequado ao clima do litoral...
- Oh, certamente... Será um prazer. Venha por aqui jovem Lídia... Ah, meu filho cuida da administração do atelier. Ele lhe mostrará a  tabela de preços.

Tocou um sininho para chamar o filho que estava fazendo a contabilidade no escritório. Ele veio imediatamente, e Irina fez  a apresentação:

- Esse é meu filho Gerard...
- Muito prazer. Bem, então temos o mesmo nome?
- Ah, monsieur chama-se Gerard também? De certo tem um segundo nome...
- Sim, o meu segundo nome é Michel.
- Então não se incomodará que o chame dessa forma, pois não? É que me sinto estranho, a chamar alguém pelo mesmo nome que eu...
- Não por isso... Fique à vontade para me chamar de Michel. Bem, agora, por favor, a tabela de preços...
- Agora mesmo!

Enquanto os homens tratavam do dinheiro, as mulheres já estavam na sala de costura:
Lídia escolhia modelos de vestidos e chapéus e Irina anotava suas medidas.
Foi uma tarde bem agradável: Um chá com biscoitos amanteigados de nata foi servido para os novos clientes. E a conversa seguia longa...
A troca de olhares cativantes era inevitável:
O advogado G.Michel, não media elogios para Irina, assim como Gerard fazia gracejos à jovem Lídia...
Todos muito sorridentes e percebia-se que aquele momento passava de relações comerciais...


                        3

O sanatório era bem arborizado e habitado por muitos pássaros no seu entorno. Via-se uma briga entre um mentalmente desequilibrado, e um enfermeiro que tentava colocar-lhe uma vestimenta adequada aos loucos.
Irina e seu filho  preferiam ignorar aquela cena, olhando as pessoas que vagavam pelo vasto campo, dos arredores da ‘casa de repouso’...
Uma senhora veio lhes receber:
- Boa tarde! Em que posso lhes ser útil?
Irina disse então:

- Gostaríamos de poder falar com o senhor Gaston Verne, por obséquio.
- Ah, bem, terão que preencher uma pequena ficha de visita, antes disso. Por aqui...
Gerard respondeu:

-  Ele está bem de saúde? Digo, talvez menos desequilibrado, depois de tantos anos internado...
- Oh, na verdade ele nunca me pareceu doido. Mas,  se está aqui, é porque cometeu alguma loucura. Venham...

Gerard e Irina seguiram a senhora que lhes servia de cicerone naquele local. Adentraram  o recinto de paredes brancas e teto verde água. Um cheiro de “limpeza” era notado assim que se passava pelo corredor.
Pararam frente a uma porta que tinha um pequeno balcão de recepção. Ali assinaram o livro de visitas onde colocaram seus nomes e a hora da chegada.
A senhora disse então, apontando:

- Bem, agora podem seguir o restante do corredor e sigam até encontrar o número 28, que é o aposento onde Gaston Verne se encontra.
- Muito obrigada.
Gerard, que até aquele momento parecia tranquilo, ao chegar ao quarto 28, começou a suar gelado nas mãos...
Irina percebendo que o filho estava tenso, disse:

- Calma, meu filho. Gaston nunca foi mau. O fato de ele ter atirado no tio, foi uma insensatez que tenho certeza, foi momentânea... O problema é que o juiz achou que ele fosse louco. Dentro de mim. Sei que não o é. Vamos entrar...

Gerard bateu levemente na porta e girou a maçaneta, passando sua mãe à frente...
Um homem abatido, com algumas pequenas rugas na face, cabelos e barba aparados, olhava para o lado de fora da janela.
Assim que  percebeu a presença de alguém, virou-se e reconheceu Irina de imediato!  Não sabia quem era seu acompanhante. Mas, ao olhar bem para o rapaz de olhos marejados, percebia alguma semelhança com ele mesmo na juventude...
Pensou  que seria mais uma loucura sua, com certeza...

Irina tomou a frente e abraçou-o com todo fervor por todos os anos que não o via... Gaston então, disse visivelmente emocionado:

- Minha doce Irina! Quantos anos desejei que viesse me visitar! Neste lugar enlouquecia mesmo era de tanta paixão e saudade! Por que nunca veio?
- Gaston, perdoe-me essa longa ausência... De início, fiquei sabendo que me encontrava grávida. Não poderia viajar nesse estado...
Depois meu filho, quer dizer, nosso filho, nasceu, e dedicava-me a cuidar dele e de nosso sustento. Trabalhava muito, virando as noites nas costuras, e inventando modelos novos. O tempo foi passando, e decidi que só falaria da sua existência, caso Gerard quisesse conhecer o pai... 
Bem, e aqui estamos. Ele quis saber. 
Nunca deixei de lembrar de você, meu único e grande amigo, pois também foi o único a me tocar e plantar um filho abençoado...
Novamente abraçaram-se. O abraço do casal uniu-se ao do filho emocionado...
E assim, ficaram por minutos: Um único choro, misto de alegria, saudade e tristeza...
Depois, Gaston pegou a mão de Irina e a levou para sentar-se na cadeira que ficava ao lado de sua cama.  Virou-se para o filho dizendo:

- Depois de tantos anos de reclusão e tristeza, finalmente tenho uma boa notícia para me dar total alegria: Um filho! Ah, como gostaria de ter visto sua mãe a te dar a luz! E assistir aos seus primeiros sorrisos, a falar, andar... A vida me privou de tudo isso... Mas, aqui está você! Agradeço aos céus essa chance, antes do dia derradeiro!
- Não fale assim meu pai. Tudo tem hora certa para acontecer.  Ainda viverá alguns anos, com certeza. Virei aqui sempre que puder para visitá-lo. E se mamãe quiser virá também...

Gaston segurando a mão de Irina, disse quase implorando:

- Por favor, Irina, venha sempre acompanhando nosso filho...
- Não posso prometer que virei sempre Gaston... Mas, sim, quando possível. O atelier toma muito meu tempo. Agora mesmo, deixei duas costureiras abarrotadas de encomendas para vir te visitar...
- Está certo, entendo sua posição. Mas, me contem tudo que deixei de saber sobre vocês...
A conversa estendeu-se por 3 longas horas, e entre risos e lamentos, parecia realmente uma família.



                      4

O retorno para Nantes foi no dia seguinte. Irina e Gerard dormiram numa estalagem perto do sanatório. Pela manhã, ainda fizeram mais uma visita à Gaston, antes da partida.
Gaston pediu com a voz embargada e olhos carregados de lágrimas:

- Não deixem de voltar, por favor. Assim a  minha pena aqui, se tornará mais leve. Antes minha vida estava apagada. Agora tenho pelo que ansiar...
Irina segurou as duas mãos de Gaston respondendo:
- Sempre que pudermos meu amigo. Fique bem.

Gaston beijou a testa e as mãos de Irina e em seguida, ao filho deu forte abraço, com uma boa batida nas costas... Era assim que os homens se felicitavam.
O coche chegou e Gerard ajudou sua mãe a subir com a pequena bagagem que levaram. Em seguida, acenaram para Gaston, com lágrimas nos olhos. 
Ele acenava também, observando a carruagem sumir  pelos portões  e ganhar a estrada...



A noite já estava alta, quando Irina e Gerard ouviram alguém bater na porta do atelier.
Estranharam porque visitas depois das 22:00 hs não eram comuns. Gerard disse já caminhando para abrir:

- Fique aí sentada mãe, vou ver do que se trata.
Abriu a porta e deu com o advogado  G.Michel desesperado:

- Por favor, esse é o último lugar para procurar, já fui a todos os lugares possíveis!
Sem entender do que o homem falava, Gerard abriu caminho para que ele entrasse.
- Diga quem ou o que, está procurando, meu amigo?
- Lídia! Está sumida desde o início da tarde de hoje!
- Como  pode ser isso? Lídia sempre sai acompanhada!
- Sim, quando não está comigo, sai com a nossa governanta... Mas, hoje ela simplesmente sumiu dos olhos de madame Gertrudes! Quando foram ao mercado escolher frutas e legumes, Lídia distanciou-se um pouco, para olhar os animais à venda. Gosta muito de coelhos... Bem, entretida com as compras, madame Gertrudes não reparou quando ela sumiu... Agora estamos loucos, batendo de porta em porta, perguntando se alguém a viu ou tem alguma pista...

Irina escutando a conversa levantou-se dizendo:

- Meu Deus! O que terá acontecido com a jovem Lídia? Ainda a vi hoje, passando embaixo de minha janela, com a governanta. Sim, tomavam o rumo do mercado... Ninguém a viu depois disso?

- Ah, madame Irina, nada! Parece que minha Lídia sumiu no ar! Como lembrei que ela tem muito apreço por vocês, pensei até que tivesse vindo fazer uma visita e ficou até mais tarde... Pena, não foi isso que aconteceu! Não sei mais onde procurar.

Gerard então disse tentando acalmar o homem:

- Tente imaginar tudo que pode ter acontecido: Será que ela foi raptada, ou embrenhou-se pela estrada passeando sozinha e não soube voltar?
- Não, Lídia não teria esse tipo de atitude, porque sempre avisa para nossa governanta aonde quer ir... Sim, a primeira opção  é mais provável: Que ela tenha sido raptada...
- Nesse caso, já falou com as autoridades?
- Sim, eles estão cientes e procuram por pistas. Mas eu não quero ficar de mãos atadas esperando... Procuro também.
Irina disse vacilante:

- Quem sabe Lídia tenha um amor escondido e resolveu ir embora com ele?

- Nosso diálogo é aberto, porque ela só tem a mim. Se fosse esse o caso, ela teria  me falado de alguém e pediria permissão para trazê-lo em casa. E falemos a verdade: Lídia mostra apenas interesse em Gerard...

 Gerard entusiasmou-se com esse comentário. Ele também só tinha olhos para Lídia.
Pensava já em pedir ao advogado para cortejar sua filha... Mas, e agora, com a moça desaparecida?
Irina então falou já com a sua intuição aguçada:

- Bem, então resta procurar pelas casas abandonadas da praia... Pode ser que a tenham levado para uma delas.  Tem pelo menos quatro casas que foram deixadas pelo povo que foi para outras cidades...
- Bem lembrado mãe! Sim, se Lídia foi raptada, não a levariam para longe... Teriam de ficar próximos, para pedir resgate.

O advogado  concordou:
- É estão raciocinando melhor que eu... Agora a noite já vai alta. Eles devem até estar dormindo. Entretanto, deve ter algum bandido de vigia...
- Cuidar de um, é mais fácil que de vários! Vamos?

Irina ficou preocupada com a coragem do filho, de sair  para enfrentar com G.Michel, os bandidos e resgatar a jovem donzela.
Talvez ele estivesse mesmo apaixonado por Lídia. Só isso explicava sua atitude... 
Não poderia segurar o filho em casa, se ele já estava decidido... Pediria para que Deus cuidasse dele e de Michel, trazendo-os sãos e salvos com Lídia.
Quando acabou de pensar isso, ouviu somente a voz do filho dizendo:

- Estamos indo, mãe. Reze para que tudo dê certo. Vamos passar antes na casa de monsieur Michel, para pegarmos  duas armas. Um precisa dar cobertura ao outro.
- Que Deus os abençoe, os leve e traga bem, juntamente com a jovem Lídia.
- Amém.

Responderam os dois homens ao mesmo tempo.

Continua no livro...

Fátima Abreu