sexta-feira, 17 de outubro de 2014

A MENINA SAYONARA- REPUBLICADO

CRÔNICA
*Tinha oito anos quando isso se deu. Mas, me lembro como se fosse hoje...

A menina Sayonara era mais uma das muitas alunas da classe do segundo ano primário.
Tinha olhinhos puxados como se fosse oriental, acho que por ter essa aparência é que lhe deram um nome do vocabulário japonês.
Mas seus pais eram mesmo do nordeste brasileiro.

Era triste a menina Sayonara. 
Diziam ( aqueles que a conheciam mais )que era "meio porquinha" também...
Corria o boato que ela comia s sujeiras do nariz.
Outras pessoas diziam que a casa dela, tinha baratas para todo lado, e que eram 'cria da casa', como um cãozinho de estimação.
Vai se saber!

Um dia, veio a notícia dada pela professora, ainda abalada:
A menina Sayonara havia morrido!
Os colegas de classe se perguntavam: Como?

A professora usando de calma, disse para os alunos:
Sayonara morreu porque não quis mais viver, apenas isso vocês devem saber.

Dias depois, minha família ficou sabendo que ela havia tomado água sanitária, e quando as pessoas chegaram para socorrê-la, já era tarde demais.

A menina Sayonara dera ADEUS ao mundo, assim como seu nome por tragédia anunciada já sugeria...

Fátima Abreu






Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=231513#ixzz278sJPfhe
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial No Derivatives

DOMINÓ => REEDITADO





Uma dor toma conta de mim.
Não tenho planos futuros, nada que faça melhorar, minha atual situação.
Que me dê certo bem estar e não perturbe meu sono.

Tenho receio do amanhã:
Pago meus pecados agora.
Mas cada 'migalha amassada' de mim,
Eu sempre aceitei com resignação.


Um nó na garganta afeta
Corrói, e nada se pode fazer:
Mãos atadas.

O pior poderia acontecer,
Se eu me movesse agora.

Presa estou, num momento parado no tempo...
Cria de minha culpa.
Um local de onde não consigo sair.

Um dominó, reação em cadeia...
Dor surda, mas não muda.
Escrevo.
Nenhuma peça cai.

Fátima Fatuquinha Abreu


segunda-feira, 13 de outubro de 2014

A CAPA DA REVISTA




Norma ficou satisfeita com o convite que acabara de receber pelo telefone: Iria estampar a capa de uma importante revista, dirigida à alta sociedade...
Tantos anos de trabalho para subir na vida e dedicação foram finalmente reconhecidos!
Ela provinha de família humilde, lutou, conseguiu chegar aos seus objetivos, e hoje, tinha tudo que quisesse, mas foi bem duro no início...
Não gostava de lembrar dessa parte, porque a fazia chorar.
A filha, Noely, entrou na sala perguntando:

_ Quem era mamãe?
_ Uma revista, filhinha. Vão fotografar a mamãe para a capa do mês, com entrevista e tudo!
_ Que bom, mamãe, posso ficar quando eles chegarem?
_ Claro, meu amor. Desde que fique quietinha, só olhando.
_ Tudo bem mãezinha. Você acha que quando eu for dentista, vou ser importante assim, e tão linda quanto você, para me entrevistarem?
_ Tomara, filha, tomara...

Deu-lhe um beijinho na face, e disse para que fosse brincar, porque iria se arrumar para receber a visita da revista.
A menina saiu da sala e foi para o jardim, assim quando eles chegassem, seria a primeira a recebê-los...
As fotos foram tiradas, a entrevista realizada, e depois enviaram um exemplar para Norma.

Na capa, ela estava vestida com seu uniforme de tênis e exibia seu cachorrinho, acompanhada da cadela Momy, com largo sorriso...
A revista foi colocada na grande sala, à vista de qualquer pessoa, em cima de um aparador para seu orgulho, certo que qualquer um que ali chegasse, daria uma espiadinha na revista...
E assim ficou por anos a fio, sempre no aparador para que estivesse à mostra.

*****************************


A velhice de Norma chegou com muito desgaste: Memória fraca, quase não enxergava devido às complicações pelo diabete, esclerose e outras coisas, de dia ficava sentadinha no consultório de Noely, que tinha se formado em odontologia, como sempre quis desde pequenina.
À noite, quando estava em casa, era uma enfermeira que cuidava dela, e do que precisasse, para que Noely saísse um pouco.
A revista de tantos anos estava amarelada, mas agora ficava no consultório de Noely, onde Norma passava o dia inteiro, vigiada pelos olhos atentos da sua amorosa filha. Todos os dias, Norma ao chegar ao consultório, pegava a revista no cestinho de revistas ao lado do sofá, na sala de espera. E mesmo sem ver direito sabia que era ela, e se perguntava na sua mente já deturpada pela esclerose e outras doenças, porque eles nunca trocaram a capa, sempre seria ela? Sua beleza era eterna?

Numa manhã, uma faxineira desavisada ao limpar com o espanador as revistas, percebeu se tratar de uma revista antiga, então a colocou por baixo das demais. Deixando as mais atuais em evidência.

Norma chegou e procurou sua revista, não achou, em vez disso, percebeu um exemplar da mesma revista, tendo na capa, uma modelo da moda.
Ela deu um suspiro, olhou os braços enrugados, percebeu então num instante de lucidez que tinha envelhecido, deixou cair uma lágrima, fechou os olhos e simplesmente faleceu...
A capa da revista a manteve viva por anos, agora 'morria' com ela...

Fátima Abreu

O Poder Das Coisas Simples... Reeditado





Reflexão de hoje:
  O Poder das Coisas Simples...


Conversando com Catarina (minha filha caçula), lembrei de coisas da passagem da minha infância para adolescência na escola pública. Sim, naquela época escola pública era sinônimo de professores respeitados, alunos disciplinados,(se assim não fosse, eram "convidados"a se retirar da escola) e os pais teriam que aceitar, e não ameaçar direção e professores, como fazem hoje em dia...

Merenda escolar foi o tema entre eu e Catarina. Ela não come na escola: prefere chegar em casa lá pelas 14:00hs todos os dias, para almoçar em casa.
No meu tempo, EU AMAVA A COMIDA DA ESCOLA!
Mesmo sendo magrinha (pesava 39 kg, mas sou mignon), comia bem e repetia a merenda da escola. Adorava macarrão com salsicha, polenta com molho também de salsicha, e outras coisas de que não me lembro agora...
MAS, SEM DÚVIDA, O QUE MAIS GOSTAVA, ERA DO CHOCOLATE QUENTE, NO INVERNO!
Ficava doidinha para chegar essa estação, e tomar o chocolate que só as merendeiras da E.M Tarsila do Amaral, sabiam preparar.
Nem minha doce mãe, fazia igual aquele chocolate da escola pública!
Ah, servido na caneca longa de louça (até a boca), tinha uma camada de espuminha leve e deliciosa...
Eu ali, naquela mesa de refeitório podia me reportar para a Europa tranquilamente...
Viajava no pensamento...
O engraçado é que coisas simples assim, aliadas ao poder da imaginação pode levar alguém a um mundo de "faz de conta" por minutos, de extrema leveza, satisfação e paz.
SABOR, UNIDO AO AROMA E O PENSAMENTO QUE FLUÍA, ME LEVAVAM DALI ATÉ ALGUM PONTO DE PARIS OU ROMA...
Coisas simples que nos fazem bem.
Eu nunca mais na vida, até esse momento, tomei um chocolate quente tão delicioso! Ai, como queria!

http://fatuquinhaorganizaseular.blogspot.com.br/2013/11/cronica-sobre-o-poder-das-coisas-simples.html LEIA ESSA MINHA CRÔNICA NO BLOG
Fátima Abreu Fatuquinha

PRECE PARA O DIA E PARA NOITE

Essa prece faço ao dormir e levantar todos os dias.
Tinha algo dentro de mim que dizia para que eu partilhasse, então, aqui está:



Deus, dai-nos um bom dia (boa noite), com saúde, paz e harmonia.
Para todos nós, e nossa família.
Amigos e pessoas que queremos bem, também.
Nos livre dos perigos visíveis e invisíveis:
Das doenças infecto contagiosas, da violência urbana, das intempéries do clima.
Dos desastres, incêndios e desabamentos.
Dos espíritos sem luz.

Perdoe nossos pecados, com tua misericórdia e amor.
Dai-nos paciência e tolerância na vida diária. 
Que nunca falte nem água,nem alimento,
Tampouco qualquer necessidade básica para nosso sustento.

Consagro-te o meu dia (noite) e à Virgem Santa Maria, Nossa Mãe Santíssima.
Amém.
Assim seja.
Graças à Deus!

Fátima Abreu







BOA SEMANINHA A TODOS QUE ME LEEM: 
PARENTES, AMIGOS  E PESSOAS QUE ME QUEREM BEM!



LINK DA IMAGEM:

 https://www.facebook.com/594001970629378/photos/a.594003513962557.1073741826.594001970629378/926426484053590/?type=1&theater

domingo, 12 de outubro de 2014

MÚSICA EQUILIBRAR HEMISFERIOS DEL CEREBRO - MUSIC TO BALANCE the brain's...Música para equilibrar os hemisférios do cérebro





Tenha uma boa noite de sono com esse vídeo relaxante.


Devemos curar a alma de suas mazelas, tanto quanto o corpo. Com isso a vida flui melhor, e você reflete no rosto seu bem estar.
Quem está do lado percebe.
Você fica leve, e seu carisma contagia as pessoas.


                                    ********





Preparado o espírito para a vida diária, voltamos ao mundo ao redor. E todo tipo de relações que isso implica.

Para um bom convívio em todo tipo de grupo social, não devemos também esquecer de algumas regras básicas.

            PENSE NESSAS REGRINHAS, FARÃO MELHOR O SEU E O MEU DIA:

A logosofia age dessa maneira também.


E com certeza, é a melhor maneira de garantir que receba o mesmo. Dessa forma, no trabalho, na convivência familiar ou com amigos, será tudo bem melhor e saudável.

 

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

LIVRO ANTIGO

Livro Antigo





Nas páginas amareladas do livro antigo
Tu me encontravas:
Nada mais do que uma fotografia,
Tirada em momento
De rara alegria.

Assim viajavas por breves instantes
Relembrando momentos
E ali eu estava, podias quase tocar meu semblante...

As folhas do livro, nada mais representavam para ti.
Apenas o meu retrato desbotado ali...
Mas esquecera das poesias contidas nas páginas:
Toques suaves de amor.


Fátima Abreu

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Sobre Palavras...REFLEXÃO

Eu sempre prefiro que as palavras sejam doces e brandas. Sem elevar a voz. 
Se quer dar seu recado, respire fundo, conte até 10, e depois fale pausadamente. 
Nesse ínterim, sua voz vai tomar o tom que precisa: 
Para momentos mais sérios ou desafiadores, que determinará o controle da situação.  
Fátima Abreu Fatuquinha


Sobre Palavras


Palavras são a sua salvação ou a sua derrota.
Liberdade ou prisão.
Meio de conseguir o que quer, ou perder para sempre... 
Palavras podem ferir ou acalmar.
Podem aplacar multidões ou pode incitá-las as desvio.
Depende unicamente de como são usadas.
Pense duas vezes antes de pronunciá-las:
Podem ser sua vitória ou a maior decepção.
Ferem, dizendo maldades e mentiras.
Palavras brandas, já acalentam o coração.
Doces, comovem até as lágrimas... 
Podem ser estimulantes sobre maneira, otimistas e sensatas.
Reflita se as minhas são boas conselheiras.

Fátima Abreu







Um tempo atrás, escrevi essa pequena poesia:

Palavras :
As palavras são minhas amigas.
As letras tomam forma.
Posso dizer o que penso, utilizando-as.
Minha maior forma de expressão.

Sinto-me como uma ilha.
Isolada em mim mesma.
Ninguém compreende.
Alguns tentam, ninguém consegue.



Terminei de completá-la dessa forma:

Talvez porque não tive o carinho que tanto dei, retornando para mim:
Não se deve esperar isso das pessoas.
Geralmente elas nem sentem que não estão correspondendo às expectativas.
Dessa forma, eu fiz, nada esperando me troca.
Mas, (e sempre tem um 'entretanto') com isso, vem a decepção com as pessoas.
Nisso, minha alma chora.


As palavras são minhas únicas amigas de verdade:
Com elas, descrevo sentimentos que não tenho coragem de revelar no cotidiano.
Então, no conforto da escrita (ainda que com dedos feios pela artrose), vou revelando o meu EU.
Com decepções, nostalgia, tristezas e muitas indagações...


Li uma mensagem que uma filha deixou para sua mãe que fazia aniversário e me emocionei.
Talvez porque meus filhos não tenham prestado muito a atenção em tudo que fiz na vida: 

Só lembrando praticamente da adolescência deles em diante, e desconhecendo um passado anterior à sua compreensão. 
E nunca me disseram palavras tão lindas quanto as que li...
Coisas do tipo: "Eu morreria por você, mãe porque é o meu tudo"
Logicamente, nenhuma mãe quer tamanho sacrifício de nenhum filho! 
Porém, é essa dedicação, esse amor explícito, que me fez ficar emocionada com as palavras da 'mulher feita',  para com sua mãe.

Perguntei-me:
Será que nada valeu? Até deixar de comer para que nada lhes faltassem? 

Morar num quitinete, sem pia no banheiro sem chuveiro! Existia apenas um vaso sanitário; isso, quando meu primeiro filho era um bebê ainda... 
E passava noite e dia, vigiando para que as 'hordas' de lacraias (enormes) não atingissem seu berço...
Eles de nada sabem, só eu, DEUS e uma pessoa que não está mais na Terra.


Fátima Fatuquinha Abreu




 

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

A Pequena Costureira








A pequena costureira era a menina Lizette
De cestinha em punho, chegava ao seu cantinho preferido:
A sala de costura de sua mãezinha Filoquinha.

Entre carretéis de linha, retalhos e tecidos inteiros, ela seguia fazendo suas maravilhas:
Roupinhas para suas amigas mais próximas: Bonecas que ganhava em todos os natais e aniversário.
Tantas outras meninas, nada tinham ou recebiam...

Mas, Lizette não desconfiava disso:
Fora criada até então, em fazenda afastada...
Como poderia saber que no mundo há aquelas meninas que nada poderiam ter?
Então seguia costurando para suas "filhas".

Bonecas de porcelana, que o pai trazia da cidade,
Onde Lizette em breve estaria, estudando em uma escola já arranjada.
E então, somente nesse momento saberia,
Que existe muito mais do que carretel de linha...

Encontraria a companhia de outras meninas de mesma idade.
De súbito, seu mundinho de fazenda se romperia...
Uma nova realidade que antes não desconfiava:
A das meninas que diferente dela,
Mal tinham o que comer, vestir e calçar.

Ao olhar para as roupas confeccionadas por ela, para suas bonecas,
Deixaria cair lágrima sentida...
Por entender então que no mundo, há mais que brisa suave na varanda da fazenda...
E que sofrem algumas meninas,
Aquelas que não recebem nenhuma prenda...

O pão lhes faltam,
As roupas, eram vestidos usados e sapatos, muito escassos.
Quando adoecem, recorrem aos chás de ervas...
Triste sina de algumas meninas!
Lizette era feliz e não sabia.

FÁTIMA ABREU

A Professorinha (prosa poética infantil)

Susan Beatrice Pearse

Mas que ideia Sorainha teve!
Colocar seus brinquedinhos preferidos, para assistir sua aula de "faz de conta"...
Alunos assim (ela disse para a mãe), ela não precisa repreender:
Pois que são feitos para apenas escutar, sem fazer bagunça nenhuma...
Garantia que aprenderão cada lição!
Sorainha sempre nutria  o desejo de quando ficasse adulta, daria muitas aulas.
Ser professora era seu maior desejo!
Dessa forma, a menininha, loirinha de faces rosadas, se dedicava a ensaiar com suas bonequinhas e bichinhos de pelúcia...
Amigos da atualidade, que ela ensinava as primeira letras.

Entretanto, sua mãe avisara:
" Não se iluda, menininha: Vida de professora não é fácil! Aturar crianças desobedientes e barulhentas não é para qualquer pessoa!"
Sorainha ficara pensativa por momentos e revidou:
" Foi por isso que o trabalho, a senhora deixou?"
A mãe abaixou-se, pegou o queixo da filha querida e disse:
" Não, minha filha. Troquei apenas um trabalho que ganhava pouco e me sentia estressada, por aquilo que mais me apraz: Tomar conta de você, meu bem querer..."


Fátima Abreu


AS CRIANÇAS DE ANTES

  Ah, as crianças de antes!
Do sonho de um futuro, com robôs sobrepondo os muros...
 
  Ah, a brincadeira de rua!
Do carrinho de rolimã,
E o sorriso farto. 
Sem medos de qualquer perigo.
Pois tinham em cada um, ombro amigo.



Sabine Weiss, Paris, 1952






Robert Doisneau: Bolides, Paris, 1956
  O afã de crescer e ter/ser como os adultos!
Ternos meninos de antes! 
Sonhos puros.
Vintage photo, toddler with dog in play car.
  Ah, as meninas de antes!
Com seus laçarotes, chapéus e vestidos enfeitados...
Suas bonecas amigas, que exibiam em carrinhos.
E a vontade louca de logo crescer, para terem um bebê.

http://media-cache-ec0.pinimg.com/736x/9c/85/ba/9c85babfc937157845e7a4544a0f6e6d.jpg



  Ah, os sonhos que tinham!
Coisas mil...
Num mundo sem tecnologias atuais, 
Essas crianças se divertiam de verdade!
Bastava uma conversa, e já se decidia de que iriam brincar.
De casinha, bola, roda, pião, bolas de gude, peteca, carrinho, boneca...
  
  E depois de tudo, já no finzinho do dia, era só ir para casa, tomar um  banho, jantar, dormir e tornar a sonhar.

Fátima Abreu

Little Girls with their Dolls in Sleighs ~ c.1909

  

terça-feira, 7 de outubro de 2014

O BAMBOLÊ E A ROSA AZUL

Clara Mia brincava feliz com seu bambolê, quando a noticia veio:
Muitos dias na escola, não haveria mais recreio.
Clara Mia desapontada, queria saber o porquê.
A professora rapidamente veio dizer:
A diretora não tinha mais alegrias, pois acabara de perder sua filha!

Uma tristeza geral tomara conta da escola.
Pois a menina referida, era aluna aplicada, e um doce de pessoinha.
Mas ao atravessar a rua sem atenção, um carro a pegara de supetão.

Clara Mia era amiga da menina, desde que se lembrava por gente...
Ela, mais até que outros coleguinhas, chorou pela perda.
O nome da 'estrelinha' que fora para o céu, era Rosane.
Um dia antes de acontecer tal tragédia, as meninas brincavam felizes, com o bambolê de Clara Mia.
Rosane fez um comentário:
_ Já notou que aqui não tem rosas no jardim?
 Clara Mia respondeu:
_ Acho que é porque ninguém quis rosas, só tem margaridas!
As duas voltaram a brincar, e foi essa a última vez.
Agora, lembrando de tudo, se recusava a acreditar que a doce Rosane, não mais estaria por lá...



Com o passar dos dias, o recreio voltou.
As crianças ficaram alegres. Ninguém mais falava no assunto.
Pois a diretora não poderia tirar dos alunos, seu direito.
E sua tristeza foi passando, porque o Tempo é o senhor que abranda tudo!

Clara Mia voltou ao pátio de recreio, e se contorcia toda no seu bambolê.
Foi quando ao olhar para o jardim da frente, reparou numa rosa de cor diferente:
Era uma flor muito especial, em tons de azul...
Pois ali onde a rosa nascia, brincaram muitas vezes, Rosane e Clara Mia.

Fátima Abreu

                                          




Trocando As Bolas...


Nina era apenas 5 minutinhos mais velha do que o irmão, Nilson.
Gêmeos de uma casal que demorara muito para ter filhos, quando finalmente foram abençoados, vieram logo dois de uma vez!
E que sorte: Logo um casalzinho!
Como Nina era mais a mais velha, vivia passando pequenas broncas ao seu irmão...

Numa tarde ele passou dos limites na compreensão da menina.  
Ela então, ralhou severamente com Nilson:

_ Você não sabe que meninos não brincam com bonecas?  Tem bola, pião, pipa e carrinhos para você brincar! Ora essa, onde já se viu, pegar minha boneca preferida, escondido?
Mamãe vai saber disso já já!

_ Por favor, maninha, não diz nada! É que acho sua boneca tão bonitinha...

_ Vamos fazer um trato então: Não falo nada se você brincar comigo de bolinhas de gude...

FÁTIMA ABREU

O Aniversário De Sandra Sílvia


http://www.clubedeautores.com.br/book/165464--Fatuquinha#.VDRtk1cmUos

DO LIVRO:
"Fatuquinha Para Pequenos"


Sandrinha não sabia, mas os amiguinhos da escola fizeram-lhe uma surpresa:
Sabendo antecipadamente do aniversário de Sandra Sílvia, (seria o primeiro naquele ano letivo, pois a menina fazia em fevereiro) a professora então resolveu juntamente com as outras crianças fazer a primeira festa do ano na escolinha, aproveitando disso...


Sandra Sílvia, sem desconfiar de nada, foi como todos os dias para a escola.
Sabendo sim, que de  noite, sua mãe faria sua pequena festinha: Somente para a família.
Não que eles não quisessem convidados, mas sim, pelo dinheiro que era pouco, desde que apenas o pai estava sustentando a família...
Mas, D. Magna Matilde não se arrependera de ter deixado o magistério:
Sem saber maiores detalhes, Sandra não desconfiava que a saúde de sua mãezinha estava muito comprometida.
O médico decretou que ela teria de deixar de trabalhar: Pois além do estresse da sala de aula, ela já estava com um certo número de enfermidades: gastrite era apenas uma delas...

Quando chegou a hora do recreio, aproveitando que todos estavam no pátio, a professora arrumou a sala de aula, para a pequena festa de aniversário.
Bateu o sinal e todos voltaram para o recinto.
Sandrinha teve uma surpresa ainda maior,quando ao entrar na sala, encontrou além do bolo, seu cachorrinho Bobby! Levado pela professora de forma bem sutil: Pois tinha pedido pelo telefone da escola,
que D. Magna o trouxesse na hora do recreio. Dando assim, mais essa alegria a menina que era tão querida por todos ali.

A infância de alguém,  pode não ter luxo: Porém, pode ter momentos inesquecíveis!

Assim foi o aniversário de oito anos de Sandrinha.
E de noite, na festinha entre a família, contou tudo que acontecera em sua festa surpresa na escola, podendo dividir assim, mais uma de suas alegrias...

Fátima Abreu


Marcel Marlier (1930, Belgian)

Sandra Sílvia: A Menina Dos "Esses"

Marcel Marlier (1930, Belgian)

Sandra Sílvia  fora alfabetizada muito cedo. Aprendera o gosto pelos livros com a mãe: D. Magna Matilde.

Um dia, questionada pelas coleguinhas da escola, por que tinha nome duplo e com dois 'esses' de inicial, ela respondeu sem muito pensar:
" Não sei bem, acho que minha mãe gostava dos dois nomes e resolveu colocar quando nasci..."

Voltou a brincar no pátio distraída. O sinal bateu e o recreio acabou. Voltando à sala de aula, a professora  da classe, chamou-a  ao quadro:
" Sandra Sílvia por favor, aqui na frente! Responda às questões no quadro."

Ela se levantou e respondeu tudo de maneira correta, ganhando um "Muito bem" da mestra.
No fim da aula uma de suas amiguinhas disse-lhe ao sair:
" Acho que isso de ter dois nomes dá certo: Você é bem inteligente. Vai que sua mãe sabia que daria sorte isso..."
E Sandra respondeu:
" Bem, minha mãe também tem dois nomes próprios, talvez seja verdade..."

Ao chegar em casa, a menina correu ao quarto para rever seu cachorrinho Bobby. Acariciou-o, e ele logo se pôs ao seu lado em mais uma leitura de contos de fadas...
Sua mãe entrou sem a menina perceber, tão entretida que estava! Então disse-lhe:
" Sandra Sílvia, como foi seu dia na escola, filha? Não veio falar comigo, correu para o quarto! "

A menina voltando-se para olhar a mãe respondeu:
" Muito bem, mamãe. Acertei todo o dever que a professora passou no quadro! Sabe mãezinha, acho que ter nome duplo me ajuda muito...dá sorte!

A mãe sentou na beira da cama, olhou para a filha e disse meio que sem jeito:
" Não minha doce menina. O que nos dá inteligência  e cultura, são os livros, não os nomes...
O meu é bem feio: Magna Matilde... Meus pais deveriam estar loucos, quando colocaram esse nome em mim! O engraçado é que eu também fiz isso: Colocando o seu, com duas iniciais iguais!"

Sandrinha então, sussurrou ao ouvido da mãe:
 "Mãezinha começa com "eme", como o seu nome.  Para mim, a melhor de todas; que também é com M!

A mãe beijou a testinha da filha emocionada. Foi até a porta, já saindo... Entretanto, parou e falou como se contasse um segredo, assim como Sandrinha fez antes ao seu ouvido:

Você, meu docinho, é a minha menina dos dois "esses": Sincera e sensível...

Fátima Abreu

Esse conto faz parte do meu livro:
FATUQUINHA 
PARA PEQUENOS
http://www.clubedeautores.com.br/book/165464--Fatuquinha#.VDRtk1cmUos 

Dê no dia das crianças esse presente para as crianças e jovens de sua família!
É um livro na verdade de 8 a 80 anos: contos de fadas, humor, fábulas, prosas poéticas, tudo com uma lição de vida e positiva nas entrelinhas... Confira clicando no link, visualizando algumas página no site do CDA.
O pagamento é facilitado em 12 x nos cartões ( as bandeiras estão embaixo da página no site)
e boleto bancário, outra boa opção.



domingo, 5 de outubro de 2014

TEU CORPO, MEU CORPO

Poesia sensual *

*Reeditada para esse blog






Nos teus pensamentos, eu moro agora
O que antes era um desejo
Agora é mais: fome, sede
De mim, de você...

O homem que me completa
Aquele que minha alma, é gêmea
Que tem os mesmos anseios
As mesmas vontades...
Sim, que passeia pelo meu corpo
Como versos
Gostosos, carinhosos...
Que lê minha mente,
Tudo que meu corpo sente.

Sabe ser meu fiel escudeiro,
Nessa aventura que se faz poesia
Tão sensual, tão febril...
Somos juntos, como Adão e Eva,
Em seu pecado original...

Seguindo os instintos da carne,
Passeando pelo desejo animal...
Tua carne, a minha carne.
Tua boca junto à minha,
Teu corpo sente o calor do fogo
Das minhas palavras.
Assim, se põe em expectativa
Do que vem a seguir...
Arranho suas costas,
Passeio meus lábios pelo teu pescoço,
Grudo minha boca ao teu ouvido,
Para sussurrar meus gemidos...

Um arrepio percebo em tua pele...
Já está quase explodindo:
Teu desejo arde, como o meu.
E meu caminho pelo teu corpo,
Vou seguindo...



Fátima Abreu

Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=61800#ixzz3FJpY29C7

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Conto Com Você!


Feliz porque agora também estou na Saraiva.com, são 3 obras:

http://www.saraiva.com.br/o-trio-8118811.html?PAC_ID=125052

http://www.saraiva.com.br/o-esquecimento-azul-8118804.html?PAC_ID=125052#go-to-reivew

http://www.saraiva.com.br/encontro-casual-8118796.html?PAC_ID=125052

Ficarei grata aos meus seguidores do blog, Google +,  Facebook e amigos que possam dar estrelas nesses meus livros e fazer comentários, baseados no pequeno trecho exposto em cada uma delas e sinopses respectivas.



Não há nada mais bonito que o sentimento de ajudar ao próximo! 
Sentir-se útil para alguém, é um prazer  para o espírito.

Fátima Abreu

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Solidão Silenciosa, Cor de Rosa

Rompe-se algo dentro de mim.
Vejo-me mais velha. Não queria:
Tenho uma alma 'menina', com momentos de alegria. 

Entretanto, a vida faz isso sempre:
Tira a alegria, põe a tristeza.
Como se hoje tivesse pão, e amanhã nada sobre a mesa...

Tento me acertar.
Fico quieta, penso.
Porém, essa espera muda é inútil: Nada vem.

Um amigo muito querido por mim, a ponto de chamá-lo de primo,ao ler uma frase minha, 
(A tristeza envelhece e a felicidade revitaliza), comentou:

" Por isso que você é uma pessoa alegre e jovem. Parabéns Fatuquinha."

Se fosse pouco tempo atrás, concordaria com ele.
Mas, de agosto para cá, me sinto 5 anos mais velha.
Os problemas tem esse poder.
As indecisões também.
A falta de soluções para essas situações, idem.
Com isso, a consequência reflete na face: rosto cansado, olheiras, pele mais seca, pequenas rugas que antes não apareciam...
Essa sou eu... 
Mesmo que esse meu amigo e outras pessoas, afirmem a minha vitalidade aos 50 anos!
Não me sinto mais tão jovial.
A criança dá lugar à mulher cansada de tantas batalhas  e desafios.
Sempre tentava compreender o que ficou de melhor em cada situação vivida até hoje.
Nunca achava que tudo era ruim, sempre procurando motivar-me  e aos que me cercavam dizendo:
De tudo se tira uma lição. Há males que aparecem para um bem maior...

Já não sei se continuo a pensar dessa maneira.

O vento corre contra. A próxima rajada será melhor?
A filha caçula diz que sou dramática demais.
Queria saber se ela tivesse levado os baques que já levei, se não seria...
Cada um tem em sua vida, seus momentos de completa solidão, mesmo com outros no entorno.
Estou assim: Sozinha.
Sem rumo para o meu atual dilema.
Sem saber o que fazer.

A ponto de achar a solidão (antes detestada), uma amiga silenciosa que embala... 
Como um vento guiando um veleiro cor de rosa... 
Suave.
E uma vontade louca de 'fugir' para longe.
Onde a minha solidão enfim seja verdadeira:
Só eu, e o recomeço.
Sem 'pedras no sapato', de um 'pé doente'.


 Fátima Abreu




sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Amaranda Renasceu

Essa é uma história verídica. Apenas contada por mim, na forma de mini conto autorizado pela protagonista, uma senhora de seus 80 e poucos anos...


Interior da Bahia. Uma família, onde o pai era evangélico, o que naqueles tempos, chamavam de "crente". Batizava-se as pessoas somente depois de já adultos, nessa religião.
No costume daquela época ( na primeira metade do século XX ), colocava-se nomes parecidos em seus filhos e filhas, geralmente com mesma inicial.
 Era o caso das filhas desse senhor. Amaranda, a mais velha morreu cedo.
Amanda e a outra irmã ficaram.
Um dia, o cartório da pequena cidade pegou fogo e todos os papéis com ele...
Isso se deu porque  a esposa do dono do cartório, descobriu que ele a traía e que muitos já sabiam disso. Ela então resolvida a dar uma lição que ele nunca esquecesse, ateou fogo dentro e fora do cartório.

Os habitantes do lugar tiveram que refazer as certidões de nascimento, etc.
O pai deu entrada nas papeladas das filhas. Mas o escrivão que não deveria estar em seus melhores dias, fez confusão, e ressuscitou Amaranda, deixando Amanda como a morta da família.
Desse dia então, a filha nascida Amanda, tornara-se Amaranda.
Passaram a chamá-la pelo nome da falecida. Ninguém lembrava que ela  um dia fora Amanda.
Com o tempo, ela se casou, teve seus filhos, aos quais juntaram-se aos que seu marido já trazia do primeiro casamento. Uma nova família iniciou e a nova 'Amaranda', agora já era chamada apenas de Mara. Rendeu frutos como ela mesma me disse certa vez: muitos netos, alguns bisnetos e os 'agregados', pessoas que como eu, surgiram nessa família quase que por acaso:  Ela era parente de meu primeiro (falecido) marido, porque era prima do pai dele, consequentemente dele, em segundo grau, o que só se foi descobrir isso aqui no Rio de Janeiro, além de ser avó de meu genro, que casou-se com  a minha 'filha do meio', mas essa é uma outra história...

FÁTIMA ABREU

VÂNIA



Esse texto refere-se a uma pessoa que foi de minha estima, que aqui, troco apenas o nome, mas conto sua vida e as 'voltas' que ela teve que passar...

Vânia era uma jovem pernambucana que conheceu um rapaz que trabalhava na Marinha Mercante: Edson; Gostaram um do outro, em pouco tempo já namoravam.
Edson trabalhava juntamente com seu melhor amigo, Honório.
Honório, já tinha se casado com Conceição. Sempre dizia a Edson que se casasse também, porque aquela vida de viajante pelo mundo, um dia iria acabar...
Teria de arrumar um emprego em terra firme. O ideal seria, ter uma esposa quando voltasse para casa no fim de cada dia, esperando com um bom jantar e o carinho da mulher...
Animado com o incentivo de Honório, Edson pediu Vânia em casamento. Afinal, estavam apaixonados mesmo, por que esperar mais? Ela aceitou.

Rapidamente Conceição e Vânia já eram amigas também.
Os dois marinheiros ficaram em terra de vez, trabalhando agora, na estiva.
Moravam em bairros vizinhos e pelo menos uma vez a cada 10 dias se visitavam.
Conceição teve 2 filhos: Linda e Valter, e Vânia 3: Sérgio, Marina e Nadir.

As famílias durante anos se visitaram, a amizade cada vez mais firme...
Dos filhos de Conceição e Honório, Linda casou-se primeiro, e teve um único filho: Eduardo.
Valter casou-se anos depois com Maria, tiveram 3 filhos. Mas sua primeira filha, Fiona, foi batizada por Vânia e Edson, o casal que já estava na casa dos quarenta e tantos anos, nessa época...

Os filhos de Vânia e Edson já estavam todos casados e também com filhos, menos Nadir, que era estéril... Ou seria o marido?
Anos se passaram, e as visitas de Fiona aos padrinhos era motivo de muita alegria para a menina: Sua madrinha Vânia, sempre fazia o seu bolo preferido: molhado com caldo de laranja ao sair do forno, e depois polvilhado com açúcar e canela.  Além disso, ainda tinham os biscoitinhos de nata,  as brevidades e o café com leite mais gostoso, que em qualquer outro casa: com leite de cabra!
Tudo isso servido com pães e geléia que sua madrinha fazia, numa mesa grande (com toalha bordada e com crochê nas pontas) no centro da copa.
Havia no aparador, um relógio que batia a hora exata, mas fazia um estrondo danado! Mas era muito gostoso para todos, aquelas tardes de domingo!

Fiona, no dia da festa de seus 15 anos, ganhou de sua madrinha uma pulseira cravejada de pedras azuis, a sua cor preferida.
Um ano depois, seus padrinhos foram ao seu casamento: Fiona casara-se grávida, mas eles em nenhum momento fizeram qualquer comentário. Ela adorava seus padrinhos Vânia e Edson, que nesse tempo, já se encontravam na terceira idade...

Quando Fiona já tinha 2 filhos, seu padrinho faleceu. Ela sentiu...
Gostava muito dele.
A madrinha Vânia estava sem seu companheiro de tantos anos agora... Triste e preocupada... Sofria tremendamente.
Dali em diante, a vida de Vânia se transformou:
Naquela época, quando se ficava viúva, os trâmites da pensão eram bem demorados, não havia a tecnologia de hoje, e a burocracia dos papéis em nada ajudava...
Vânia estava sem receber dinheiro, já faziam 6 meses! Quem a ajudou nesse período, foi justamente Valter e Maria, seus compadres.
Vânia vivia outro drama: Quando sua filha Nadir foi largada pelo marido, ficou vivendo com ela, e estava diabética também. Sorte que Nadir não teve filhos com seu marido: era um aproveitador barato, sempre vivendo às custas dos sogros por todos aqueles anos.
Nadir ficou cega pelas complicações do diabetes.
Nesse momento, Vânia já estava recebendo sua pensão e agradecida, quis pagar a Valter, pelos meses de ajuda contínua... Logicamente ele não quis receber, eram compadres, isso era como uma grande família, os laços de amizade eram assim naquela época...

Mas Vânia estava apenas no começo do fim:
Nadir piorava a olhos vistos... As despesas aumentavam, contas, medicação, alimentação...
Vânia tinha se queixado ao seu filho mais velho, Sérgio. Pois não incomodaria seu compadre Valter, mais uma vez.
Aliás, achava uma abuso que seu filho nunca lhe oferecera ajuda, sabendo tudo que passava!
Sérgio tinha planos diferentes: Queria vender a casa enorme de sua mãe, (seria o procurador) alegando que seria melhor para ela e Nadir,  uma casa menor para morar, menos trabalho para cuidar, etc...
Vânia aceitou a proposta do filho; assinou a procuração lhe dando plenos poderes para cuidar disso.
Mas aí veio mais um choque em sua vida:
Sérgio deu-lhe apenas uma pequena parte da venda e ficou com praticamente todo o resto.
Fiona que nessa época estava morando numa casa que pertencia a seu pai, já havia dito que iria se mudar. Vânia lembrou-se disso e ligou para seu compadre Valter:
_ Compadre, Fiona vai mudar de bairro, não vai?
_ Sim Vânia. Por quê?
_ Gostaria de alugar sua casa, se não tiver problema. Quando ela sair, logo em seguida eu entro, o que acha?
_ Por mim tudo bem, comadre. Mas e sua casa?
_ Vendi. Depois lhe conto tudo...
_ Está bem. Na semana que vem, pode vir buscar as chaves, porque Fiona muda no sábado.
_ Obrigada, compadre. Mande lembranças para a comadre Maria. Até logo.
_  Até logo, Vânia.

Depois disso, foi só uma coisa atrás da outra: Nadir faleceu.
Vânia ficou só e seu filho não mais a visitava, talvez fosse remorso, sem coragem de encarar a mãe...
Sua outra filha Marina, morando distante, também não vinha... A depressão tomou conta de seu ser.
Em certa tarde, Vânia pegou um ônibus para ir pagar umas contas no banco.
Teve um mal súbito e caiu. Os passageiros a ampararam e a levaram para o pronto socorro mais próximo, mas de nada valeu: Vânia teve um derrame fulminante e faleceu.
Era o fim de uma vida que havia sido muito feliz, até o dia em que seu marido morreu e tudo se modificou...
Agora devem estar juntos e sossegados.

Fátima Abreu


NOTA: FIZ ESSE TEXTO PORQUE ESTAVA COM  SAUDADES DELA...




Nó de Marinheiro*


 


Não há rosas sem espinhos,
Tampouco amores sem carinhos.

Não há início sem meio e final.
Equilíbrio para tudo:
Se o Bem somente existisse, o CÉU era aqui.
Se o Mal brotasse só, seria o umbral.

Não existe somente fel:
Há na natureza, também o mel.

Não há só desilusão:
Existem momentos de amor e cumplicidade.
Não há frio sem cobertor.
Não há verão sem calor.

Não há você sem mim
Perderia o norte.
Eu, sem você, calmaria enfim...
Porém, é essa necessidade mútua que nos enlaça:
Nó de marinheiro.Junta e amarra. 
Rosa e azul.


Vê a diferença?
Para uns, um escudo protetor.
Para outros, voo alçado  para longe...
Para nós, o complemento.

Quem de nós estaria certo:
Os que precisam ou os que querem ser precisados?
Assim vamos levando...
No passar da década.
Será que a gente se acerta?

Fátima Abreu


*Poesia baseada nas frases do filme: 'Náufrago'

                                                   "É como o fogo: pode nos destruir, ou aquecer."

E a lição: O TEMPO NOS SALVA, OU NOS MATA:

                                                                "O tempo nos controla sem piedade, não liga se estamos doentes, com fome, com sede, se somos russos, brasileiros ou seres de Marte."




quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Meu Lobo Viajante

 



REEDITADO PARA ESSE BLOG:



















MEU LOBO VIAJANTE

 
Caminha pelos meus sonhos, viajante,=.
Estou aqui te esperando.
Em gozos solitários, enquanto você não vem...

Mas é com você, que quero sentir prazer.
Venha até mim.
Estou à espera de meu lobo...
Caminha em meus sonhos, viajante.

Sente tua presença em meu corpo.
Coloque-se dentro dele...
Faça que se abrase, com tua espada flamejante.

Beije-me, enquanto penetra a gruta.
Sinta como me dou inteira para você...

De todos os jeitos, de todas as maneiras.
Só quero sentir prazer...

Caminha em meus sonhos, viajante:
Diz palavras que quero ouvir.
Mesmo que à outras, já tenha dito,
O que importa para mim, é sentir...

Queime meu corpo, com teu fogo
O teu, cobrirei com beijos ardentes...
E no teu falo, me perco
Não saio.

Quero que jorre teu néctar orgânico e quente.
Em meu corpo que espera...

Caminha em meus sonhos, viajante.
Já conhece todos os meus segredos.
Venha me satisfazer agora!
Sou tua, à qualquer hora.
 
Fátima Abreu