sábado, 3 de outubro de 2015

Mix: Um Nome & Um Destino- REPUBLICADO

Esse conto está no meu livro:
FATUQUINHA

http://www.clubedeautores.com.br/book/165464--Fatuquinha


 CONTO DE FADAS  ALTERNATIVO
(MINHA VERSÃO )






Mix recebera esse nome, perguntava-se porque.
Ninguém tinha um nome assim...
Um dia, um mago disse aos seus pais quando ela ainda estava no ventre de sua mãe, que teria que ser esse o nome da criança que nasceria.
Era o destino quem assim queria, pois era seu futuro...

Os pais nada entenderam da premonição do mago.  Mas mesmo assim, esse nome colocaram.
Quanto Mix estava com 13 anos sua avó fez uma capinha vermelha combinando com o laço de mesma cor, que carregava sempre amarrando seus cabelos.
Soube-se que uma feiticeira má e muito bela, andava pela floresta, levando as criancinhas para sua casa e   dando de comer ao seu esposo, um lobisomem.
A família de Mix,  alertou para que ela e sua irmãzinha, ficassem longe da floresta e nunca voltassem para casa à noite, pois o lobisomem em noites de lua cheia, ficava mais poderoso do que nunca!

  Mix fora colher maçãs naquela tarde. Haviam muitas propriedades abertas e os donos não se importavam, era comum na região: Pois se não retirassem, cairiam mesmo, estragando no chão.
Estava distraída com sua cestinha, quando uma velhinha aproximou-se e puxou conversa.

_ Boa tarde, mocinha. Gosta de maçãs?
_ Meus pais dizem para não falar com quem eu não conheço, desculpe. Já estou de saída...
_ Calma, calma... que mal uma velha como eu poderia lhe fazer?
_ Não sei. O mundo anda tão estranho. Mas estou indo mesmo.
Virou-se e quando menos esperou, a velha já estava em sua frente novamente... Disse então:

_ Bem, já que se vai, coma dessa maçã: É a mais suculenta do meu pomar.
_ Agradeço, mas comerei depois, pois já comi outras antes. Vou levá-la.
_ Que seja!

 A velha seguiu para dentro da floresta, onde estava sua casa: Um chalé quase todo coberto de Heras e musgo na cerca.
Mix voltou para casa e contou tudo  para sua mãe.
Que achou muito estranha a atitude da velha oferecendo uma maçã, já que Mix tinha ido até lá justamente para colher maçãs e o cestinho já estava cheio...
Pegou então a maçã que a velha ofereceu para a filha e a separou num pote.
Disse então:

_ Mix, se essa dona aparecer de novo, ofereça essa maçã para ela, vamos ver o que acontece...

  Mas, na tarde do dia seguinte, Mix saíra novamente para colher várias frutas, e também novamente maçãs, porque sua mãe havia feito uma torta de manhã, com as que havia colhido na tarde anterior.
Um homem muito bonito e de cabelos negros de um tom azulado, peito peludo e voz bem grave, aproximou-se de Mix e disse-lhe:

_ Boa tarde, mocinha.

A resposta foi a mesma que dera para a velha. E já saindo, Mix sentiu a mão do homem bonito sobre seu ombro, que  a impediu de se mover mais.

_ Não tenha medo, nada vou lhe fazer. Quero apenas conversar. Viu uma velha estranha por aqui?
_ Ontem vi uma sim. Por que pergunta?
_ É minha mãe, sabe. Parece que anda meio louca ultimamente. Diz que tem um espelho que a torna jovem e bela quando se olha nele. Agora deu de andar por esses lados, a estou procurando.
_ Sim, entendo. Ela até me deu uma maçã ontem...
_ Deu? Onde está essa maçã?
_ Em casa... em um pote. Minha mãe guardou-a.
_ Mocinha, tome cuidado para que ninguém a coma, pode estar envenenada! Minha mãe, como disse anda louca por aí...
 _ Bem, nesse caso, deixe que me vá rápido... Antes que alguém sem saber, a coma: Tenho uma irmã mais nova e desavisada...
_ Vá então, se quiser falar comigo novamente, amanhã estarei por aqui.

  Mix não respondeu e saiu em disparada para casa.
Encontrou seus pais sentados em volta da mesa da cozinha e a irmã também. Agradeceu  aos céus, por ela não ter comido da maçã.
Relatou toda a conversa que teve com aquele homem para sua família. A mãe de Mix, dela disse então:

_ Vou fazer uma compota dessa maçã, e quando a velha aparecer, você a oferece como retribuição.
_ Sim, mamãe.

A velha realmente tornou a aparecer e  surpresa ficou quando viu Mix sã e salva. Esperava que ela estivesse morta já...
Perguntou-lhe então:

_ Tudo bem, mocinha? Comeu da maçã?
_ Não meu cachorrinho a comeu, estou procurando por ele agora, está desaparecido desde  aquele dia...
_ Ah, sim...
A velha compreendera tudo: O cão deveria estar morto em algum lugar a essas horas.
_ Bem, senhora...  Minha mãe preparou uma compota para eu lanchar, mas como a senhora foi tão boa para comigo noutro dia, quero lhe presentar com ela... tome, aqui está.
_ Obrigada, mocinha. Vou levá-la para comer em casa.
_ Sim, até outra hora, senhora.

  A velha fez um aceno, mas visivelmente chateada. Queria levar aquela menina de comida para seu lobisomem.
Foi para seu chalé, enquanto ao longe escutava Mix cantando:

" EU VOU, EU VOU PARA CASA AGORA EU VOU"...

  Quando abriu a porta, deu de cara com seu espelho mágico. Assim que levantou  a capa que o encobria, tornou-se a bela feiticeira à espera da chegada do seu esposo.
O lobisomem voltava de uma caçada quando viu o pote com a compota sobre  a mesa.
Disse então:

_ Temos doce para a sobremesa, mulher?
_ Sim, uma compota. Provemos agora.

Eles provaram no pote mesmo e caíram por terra.
Mix lembrara-se de que o homem bonito disse que a velha era sua mãe.
De súbito, correu até o chalé porque não queria que nada acontecesse ao homem que lhe avisara do perigo!

  Ao abrir a porta que ficara encostada, ela viu o casal no chão. Em vez de uma velha, encontrara sim, uma bela mulher ali ao lado do homem que conhecera. Foi até ele e viu seus lábios com um tom roxo e uma vontade louca apossou-se dela: Beijá-lo!
Sim, ele poderia estar morto, mas ainda era muito bonito...
Não conteve o desejo: Beijou suavemente os lábios daquele homem, que incrivelmente retornara do mundo dos mortos, para sorrir novamente...
Ela, abismada com aquilo, arregalou os olhos com espanto. O homem levantou-se ainda cambaleante e disse-lhe:

_ Somente um carinho ou beijo sincero poderia fazer tal coisa! Acaba de libertar-me dessa maldição que a feiticeira me impôs por séculos!

Mix disse gaguejando:

_ E- ela na não é sua mãe?
_ Não, nada disso. Era uma feiticeira que apenas se transformava em bela e jovem quando se olhava naquele espelho mágico. Sou um caçador. Vi um lobo na floresta e o matei. Era seu esposo, um lobisomem! Ela pegou os dentes dele, cravando na minha carne e dizendo umas palavras de bruxa, fez com que me tornasse um lobisomem também. Fiquei amaldiçoado com isso durante séculos, mas uma fada disse-me que se eu fosse beijado sinceramente por uma donzela, sem que ela não tivesse medo de mim, estaria salvo!
_ Bem, então lhe fiz um grande favor sem saber... A propósito: Me chamo Mix.
_ Sim, e agora quero desposá-la, Mix, aceita? Sou Feliciano.
_ Ainda sou muito nova, Feliciano...Meus pais não me deixariam casar agora, falta pelo menos uns 3 anos a mais... Sabe, aqui no lugarejo, as moças casam com dezesseis...
_ Podemos dar um jeito nisso... Vá até o espelho mágico, e imagine como queria estar com essa idade.

Mix foi até o espelho e imaginou-se uma jovem de 16 anos, pronta para casar.
E vupt! Lá estava seu corpo e semblante de moça mudados.

 Sideless Surcote—A woman's over-gown cut away at the sides from under the arms to the hips to show the cote-hardie or kirtle underneath; it was usually worn with a plastron at the front of the figure. It remained as a ceremonial dress for women during the latter of this period.
  Rumaram para a casa paterna.
Quando chegaram, seus pais levaram um susto com a filha mudada. Entretanto, ao contarem toda a história, ficou certo de que o destino havia se cumprido e que eles havia nascido um para o outro.
O casamento foi realizado. Mix sabia agora, a razão de seu nome:

Ela representava uma 'mistura' de 'BRANCA DE NEVE' com 'CHAPEUZINHO VERMELHO'.

FÁTIMA ABREU


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Para completar, recoloquei aqui o meu poema:

NÃO COMEREI DA MAÇÃ

Não insista, não comerei da maçã!
Sei os truques que nela há
E o mal que consequentemente me fará.

Não, tramas assim já vi antes,
E por isso mesmo, caí por terra...
A maçã? Coma-a você!
Prove de seu próprio veneno,
Bruxa malvada!
E saiba o que é sofrer:
Ação e reação, essa é a lei!
Pense nisso, antes de oferecer.

Fátima Abreu



  

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