segunda-feira, 1 de maio de 2017

AMITAF

Não era um dia como outro qualquer. Ela sabia. Acordara cedo como de costume.
Mas, algo parecia diferente no ar.
 Havia lido uns livros na semana anterior, e sua mente se tornara um turbilhão de perguntas sem respostas aparentes.
 Sempre fora muito cuidadosa com tudo aquilo que lia. Nunca aceitava tudo como verdade absoluta.
 Claro, livros, são escritos por mentes humanas, e essas, ela sabia, eram falhas!
 Mas, de tudo que havia lido, alguma coisa tirou proveito.
 Arrumou-se e foi para escola secundária:
 Colocou o vestido xadrez, sobre o jeans, pegou a bolsa de couro preta, e saiu despedindo-se com um beijo na testa da sua mãezinha querida.

Os colegas de classe não tinham nada em especial. Para ela, no seu modo de enxergar as coisas, eles eram jovens fúteis e que se aproveitavam da liberdade que a sociedade lhes havia dado no decorrer das últimas décadas, para agredirem padrões das pessoas mais velhas.
Ela era diferente. Sentia-se assim.
 O que teria então? E se estivesse enganada e ficando meio louca?

 O sinal tocou. Entrou na sala de aula. Olhou em volta. Sempre as mesmas caras entediadas por acordarem cedo.
 Abriu a apostila de Ciências Físicas e Biológicas.
Preferia História, mas, aquele tempo de aula era do prof Carlos Guerra.
Sim, ele era bem interessante. O jeito que ele levava a aula, lhe agradava.
 Meio transtornado, talvez... Mas, eficiente no que tinha que fazer: Ensinar.
 O trabalho extra para a Feira de Ciências havia sido encaminhado para ter sua aprovação.
 Ele achou ótimo falar sobre Cosmologia.
Ela expôs aos colegas de grupo como seria feito. Eles aceitavam sem pestanejar.
Afinal, ela era o 'crânio' do grupo.
 Três aulas depois, e o sinal tocou para o intervalo.
Ela se encaminhou para o subsolo do prédio aonde era a lanchonete. Pediu um hot dog com suco de laranja. Ela nem imaginava que no futuro, o quanto iria querer aquilo novamente...
 Se soubéssemos como pequenas coisas do cotidiano adquirem certa importância, no decorrer dos anos, quando  já não podemos ter as mesmas coisas de antes, ou mesmo saboreá-las, como era esse caso...

Depois do intervalo teria aula de jazz: A única coisa que lhe interessava para fazer no campo da Educação Física. Os alunos daquela escola tinham liberdade para escolher o que queriam.
E nisso, ela só tinha que agradecer!
Nunca fora dada a esportes, também era mignon; E com sua baixa estatura nada lhe servia mesmo para jogar.
 Também não conseguia entender regras de jogo. Aliás, jogos de todo tipo para ela eram irrelevantes!
As únicas coisas que jogara em toda sua vida, eram jogos de tabuleiro: Damas, ludo e também gostava de dominó.
Nunca aprender a andar de bicicleta, nem a nadar, embora seu pai e avô, fossem ótimos nadadores.
Mas, amava cantar, dançar, atuar, pintar, e escrever. Era dada às Artes.
Isso a tornava diferente das demais jovens que só andavam de bicicleta.

 Seus interesses por coisas transcendentais também não seria comum entre as moças. Sim, ainda mais naquela época, em pleno anos 80. As meninas estavam mais interessadas nos bailes de fim de semana quando poderiam namorar sem os pais por perto.

 Não tinha muito com quem conversar sobre os assuntos que ela gostava de pesquisar por conta própria, nas livrarias, sebos e bibliotecas.
 Tinha gente que nem imaginava o que fossem CRÂNIOS DE CRISTAL ou só haviam ouvido falar do TRIÂNGULO DAS BERMUDAS, porque tinha filmes na TV sobre isso...
Ela amava mistérios antigos.  Atlântida, Lemúria, Universos Paralelos, seres de outras dimensões e planetas, gigantes da Antiguidade, esferas que flutuam, cidades submersas em várias partes do globo terrestre, quase todas com formas piramidais. Também interessava-se sobre casos de teletransporte, aparições de anjos, sons estranhos detectados em vários lugares, e muito, muito mesmo, sobre viagens no tempo...
Sabia que tudo havia se originado na Fonte do Criador.
E Ele havia detalhado cada grande mistério. Um dia, (ela tinha certeza) tudo seria revelado, como uma cortina que é retirada da janela.

( continua...)

Fatuquinha



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