sábado, 13 de dezembro de 2025
Pele a Pele= REPUBLICADO- poesia erótica
FRANCISCO DE TODA PARTE- republicado
A jovem era uma rebelde sem causa, acabara de sair da adolescência, fase difícil, quando os hormônios mandam mais no corpo do que a razão...
Caminhava pela estrada encolhida pelo frio e chuva. Não tinha ideia aonde estava naquele momento, tinha sido deixada ali, após um sequestro relâmpago no estacionamento do shopping center.
Horas antes havia se divertido muito com a sua turma do primeiro semestre da faculdade.
Resolveu pegar a moto e ir embora antes que a cerveja a deixasse sem controle da visão ou do equilíbrio...
Despediu-se então da turma e seguia para o estacionamento, quando alguém a abordou pelas costas, e ela conseguiu sentir a lâmina roçando em sua carne...
Ele sussurrou baixinho ao ouvido:
- Quietinha garota! Agora sobe normalmente e vamos embora...
Ela obedeceu sem tentar olhar o rosto do seu agressor.
Virou a chave e ele subiu em seguida, segurando a jovem pela cintura. Ele ainda com a faca ameaçadora apontando para suas costas, por baixo da jaqueta.
Saíram dali sem chamar atenção. Pareciam apenas namorados.
Já em certa altura, ele pediu que ela lhe desse a bolsa para ver se tinha cartão de banco ou dinheiro.
Encontrou apenas dinheiro e um celular de última geração que deveria lhe render um bom dinheiro...
Então ele pegou o que realmente interessava, e enfiou no bolso da calça jeans surrada, e rasgada na altura do joelhos.
Depois disso, pediu que ela parasse e descesse ali, no acostamento da estrada que levava à Vargem Grande.
Ela obedeceu sem abrir a boca para reclamar: Naquele momento, a rebeldia foi calada...
O delinquente então, tomou seu lugar na moto, e virou-se para a jovem dizendo:
- Bonitinha como é, logo tem gente te dando carona.
Ela segurou um palavrão, que chegou a vir na ponta da língua... Mas, as poucas aulas de psicologia que recebera, ajudaram naquele momento.
A boca que muitas vezes respondia seus pais em casa, fechou-se num mudo nervosismo...
Ele saiu rindo da cara dela.
A moça "bonitinha" não achava que ali, aquela hora da noite, numa estrada escura, tivesse a chance de alguém socorrê-la...
Colocou a mão na jaqueta, ainda com um impulso involuntário de pegar o celular para ligar para seus pais... Sempre o levava rente ao corpo, por que dessa vez, teve que colocá-lo na bolsa?
Balançou a cabeça achando-se uma tola, com tal pensamento: Seria óbvio que ele acharia o celular de um jeito ou de outro... Nem que tivesse que apalpá-la para isso.
Seguia de cabeça baixa, olhando o chão molhado, e sem muita esperança de algum carro passar por aquele atalho...
Era uma estrada pouco usada, só conhecida pelos moradores do local.
Foi assim desanimada, e sem prestar atenção em nada além da imensidão que aparecia em sua frente, que uma pickup apareceu com faróis altos. Ela então saiu daquele quase "transe" em que estava, para bloquear o desespero e a vontade de chorar...
Um homem dos seus 40 anos aproximadamente, parou com o carro e falou abrindo o vidro:
- Menina, o que te aconteceu para estar aqui só, pegando essa chuva, nessa estrada quase sem iluminação?
Ela olhou já com uma lágrima descendo pelo rosto, e respondeu:
- Acabei de passar por um desses "sequestros relâmpagos"... Pode me dar uma carona para sair daqui?
- Venha, entre logo, antes que pegue uma pneumonia! Deixo você em casa ou numa delegacia?
- Em minha casa, tudo que eu quero agora, é um banho morno e minha cama... Pela manhã dou queixa.
O homem nada disse, e apenas destrancou a porta para que ela entrasse e a levou para casa.
Seguia um itinerário que não era o seu realmente, só para poder ajudar aquela jovem: Pensava que poderia ser uma filha, sobrinha, que pudesse estar nessa situação, e agradeceria à Deus ,se alguém tivesse a mesma atitude...
Ao deparar com a porta do edifício onde morava, ela desceu do carro, e disse virando-se para o homem:
- Eu estava tão preocupada comigo mesma, que não perguntei o seu nome...
- Meu nome é Francisco. E o seu?
- Meu nome é Madalena, mas me chamam apenas de Lena... Obrigada pela carona, do fundo do coração! Como posso ajudá-lo, retribuir esse grande favor? Talvez uma ajuda...
- Não quero nada, Lena, fiz porque se fosse alguém da minha família, na mesma situação, iria agradecer muito se ajudassem da mesma forma. Mas, você pode retribuir um favor a outra pessoa, isso se chama "CORRENTE DO BEM". Já ouviu falar?
- Não, só em filme...
- Então, ponha em prática na vida real a partir de agora, e em breve essa corrente pode chegar até o outro lado do mundo!
- Sim, farei isso! Obrigada mais uma vez... Chico.
Ele sorriu, percebendo que ali começava uma nova perspectiva de vida... Apertou a mão da moça, e disse:
- Diga ao seu pai para lembrar do dia quatro de outubro.
A jovem estranhou, mas, fez que sim com a cabeça.
"Ah, deveria ser porque hoje era esse dia, e ele teria de lembrar..."
Quando Lena fechou a portaria do prédio, deu mais uma olhada pelo vidro, e não viu mais a pickup.
Chico deveria estar com muita pressa mesmo... Afinal, tinha saído do seu caminho para levá-la até ali.
Ao entrar em casa, ela relatou tudo aos pais. E por último, deu o recado que Chico havia pedido...
O pai imediatamente ficou aturdido. Lena e a mãe notaram a mudança de expressão no rosto do homem.
A mãe dela, então perguntou:
- Mas, o que foi homem?
- Foi exatamente há um ano, que passei por essa mesma estrada, e atropelei um cãozinho que atravessava... Nunca contei por esquecimento talvez, sei lá... Fato que não me importei, e segui sem parar para ver se ele ainda vivia...
Lena então disse ao pai:
- Eu estranhei tudo isso... Mas, vou fazer o que ele me pediu, retribuir um favor a outra pessoa.
A mãe disse:
- Faz muito bem, minha filha.
Foram todos deitar, entretanto, Lena mesmo depois do banho morno e relaxante de banheira, e estando em sua cama, não conseguia dormir...
Foi até a janela olhar a rua, e do alto do quinto andar, viu uma figura vestida como um monge. Ele tirou o capuz sobre a cabeça, e acenou exatamente para a janela, como se soubesse que ela estava ali...
Não conseguia identificar quem era, mas, de uma coisa sabia:
Teria que seguir os sinais.
A Corrente do Bem recomeçava...
Fátima Abreu Fatuquinha
DESPIDA DE PUDORES (REPUBLICADO)
Agora gravado, nesse link:
http://www.recantodasletras.com.br/audios/poesias/72606
Despida de Pudores ( erótico )
Aqui estou, pronta para te receber,
Sou mulher nua, despida de pudores e meio termo,
Para te satisfazer...
Vem, mas começa manso, brando:
Conquiste-me assim...
Faz depois, o que quiser de mim...
Deixa que eu te toque, que te sinta inteiro
Meu corpo já é agora, um braseiro...
Sinta a minha respiração ofegante, dentro da tua boca
Enquanto a língua trabalha avidamente, vou te tocando,
Sentindo quente...
Não pode resistir aos meus encantos
Porque sou mulher para toda hora
Na cama, ou do lado de fora...
Meu cheiro te excita...
O mel que escorre, te acolhe,
Vem, penetra nas entranhas dessa tua mulher,
Sente o ninho, quentinho...
Para receber o teu delicioso sêmen
Quando no êxtase do prazer, chegar
Entre teus urros que adoro ouvir,
Chego ao ápice também...
Delicioso prazer da entrega!
Dos desejos, das fantasias...
Lobos, em pele de cordeiro,
Em nossas intensas selvagerias...
Fátima Abreu
"Sede de amor é como fome que não passa"
sexta-feira, 5 de dezembro de 2025
Os Baobás e Eu.
terça-feira, 25 de novembro de 2025
Única Terapia
Faz 8 anos dessa foto hoje. Estava muito feliz!
Não pensava nas novas reboldosas que os ventos me trariam, a partir de 2023 até agora...
Enfim, cá estou escrevendo, esse é meu refúgio.
As palavras dançam a minha frente.
Minha única terapia, embora seja eu, a terapeuta que cuidou de tanta gente!
Os ventos passam, tudo passa!
Espero que assim como os ventos de outrora, esses também irão embora.
Continuo escrevendo entre metáforas. É mais poético que diretamente.
Dias de Ventania
Que ventania a vida traz!
Dias de lágrimas que retornaram a descer pela face.
Dias que o nó volta a garganta.
Dias que a palavra fica sem ser dita.
Não adianta, o diálogo fica só na mente...
Parece que o mundo está sendo carregado nas costas!
Até agora o vaso forte, ainda aguenta.
Balançando aqui e ali, mas, de pé!
A mesa está cheia, encurralando o pobre jarro a um canto...
E a ventania lá fora continua.
Espera!
Ele não vai cair se alguém lembrando dele, o segurar.
Tem momentos que mesmo um jarro forte, precisa ser acariciado como peça rara que é!
Porque ele cai e se quebra, se não tiver ajuda externa.
O vento está lá. Balançando as cortinas, querendo chegar até a mesa, onde o jarro está.
Alguém feche essa janela, ou mude o jarro de lugar!
Ajudar é preciso, mesmo que ele não esteja a reclamar.
Fátima Abreu Fatuquinha ( o jarro )
sábado, 15 de novembro de 2025
Vivendo Um Momento de Romance Inesperado
Fiz ontem essa poesia, gravando pelo microfone do meu celular, enquanto assistia o episódio do mais novo dorama:
"Beijo Explosivo", na Netflix.
Imagem retirada do link:
Minha poesia:
Vivendo um momento de romance, magia...
Um céu estrelado, um beijo mais apimentado...
O toque das mãos, que você não esperava, e o encontro do olhos que você aguardava...
Uma boca querendo a outra, olhos nos olhos, numa dança lenta.
Um rodopiar no salão a sua mão na minha cintura.
Um bailar, um sentir, um querer...
Saber aproveitar aquele instante, um momento mágico de puro romance...
É muito bom estar ali, esquecendo todo o resto em volta: É só ele e ela, eu e você.
Todos nós, em um ápice de pequeno prazer.
sexta-feira, 14 de novembro de 2025
PRATICANDO LOGOSOFIA NO SEU DIA A DIA- Republicado
Meu texto:
Praticando Logosofia Na Sua Vida Diária
Viva sem fingir:
* Vivemos em um mundo que tudo é falsidade. Se conseguir isso, viver sem fingir, já é meio caminho andado! O fingimento só é aceitável, se for para deixar alguém que você gosta, mais tranquilo. Omitir um estado de espírito, para que a outra pessoa não se preocupe, é um fingimento bem intencionado.
Ame sem depender:
* O amor tem essa dependência implícita no sentimento. Mas é tempo de desapegar. Não vivemos para sempre. Hoje quem você ama, está contigo, amanhã quem sabe? Se fechar os olhos, ou mesmo que isso não aconteça, essa pessoa em algum momento da vida, te deixará. Por um motivo, ou por outro...
Isso vale para todos os tipos de amor. Desapegue, deixe ir...
Isso não é ser insensível, é ser realista!
É difícil, mas, necessário. Cheguei nesse estágio de conscientização, já.
Eu não vou durar a vida toda. Quero que meus filhos estejam abertos a isso.
Cada pessoa toma seu rumo na vida.
Escuta sem atacar:
* Seja bom ouvinte: Muitas vezes você estará ajudando muito alguém, se souber apenas escutar, sem julgar, sem opinar. O ser humano fragilizado precisa de um "ombro amigo', não de críticas...
No caso de ser um assunto entre duas pessoas, em defesa de opiniões contrárias, apenas escute primeiro, depois responda o que pensa, sem levantar a voz. Dando argumentos plausíveis que se sustente.
Fale sem ofender:
* Você pode dar a sua mensagem, sem ofender ninguém. Seja educado.
Mostre que aprendeu bem, a lição que seus pais te deram.
Fale com calma, pausadamente. Mostre equilíbrio.
Dessa forma, mesmo que seja uma crítica, será acolhida. Todo o segredo do sucesso em um diálogo, é o jeito como se fala com as pessoas.
Fátima Abreu Fatuquinha
quarta-feira, 22 de outubro de 2025
Sou Utópica!
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Incrível como esse mundo está!
Não reconheço. Tanta tecnologia e avanço em tantas áreas, mas, a humanidade das pessoas está se perdendo a cada dia...
Tanta violência, tanta coisa deturpada, tantos conceitos mudados para pior!
Meu Deus! Queria tanto minha época de juventude, de volta!
Quando podia dormir de janela aberta, ficar até tarde conversando na rua, nas noites de verão; voltar tranquilamente de qualquer lugar...
Filmes e séries que todos poderiam assistir, sem ficar aterrorizados com tanta violência e apologia às drogas!
Filhos que não xingavam pais, e ainda pediam a bênção!
Crianças criadas para serem crianças, e não sensualizando como nas redes sociais atuais...
Não tinha perigo nas escolas; principalmente para os professores, que hoje nem sabem se voltam quando vão trabalhar...
Sim, porque até pais os agridem, sem falar nos alunos que atacam verbalmente e fisicamento o pobre do professor!
Enfim, você vê brigas por nada. Agressões em toda parte.
Gente matando por nenhum motivo!
Sem falar na podridão de certas redes sociais e aplicativos de celular que incitam mais ainda aos crimes, desafios absurdos que podem levar à morte, pedofilia, suicídios por nada, etc.
Alimentos adulterados, bebidas que matam por metanol, falsificações dos mais variados produtos para iludir o consumidor...
Enfim, um mundo de ponta a cabeça. Onde líderes mundias cheios de ego inflado e orgulho, não se entendem. Guerras absurdas que não acabam.
Um mundo doente, cheio de coisas doentias...
Infelizmente, tudo isso e mais um pouco, está acontecendo debaixo de nossos olhos.
Eu aqui, fico aterrorizada a cada notícia tosca que vejo!
Peço aos seres de luz, que façam uma limpa no mundo de tudo que é ruim!
Ainda sonho, sou utópica.
sexta-feira, 10 de outubro de 2025
Duetando com Neruda...
Duetando com Vinícius... republicado
Quis afastar por um segundo de ti o fardo da carne
Quis beijar-te num vago carinho agradecido.
Mas quando meus lábios tocaram teus lábios
Eu compreendi que a morte já estava no teu corpo
E que era preciso fugir para não perder o único instante
Em que foste realmente a ausência de sofrimento
Em que realmente foste a serenidade."
DUETANDO COM PABLO NERUDA- republicado
Algum dia em qualquer parte, em qualquer lugar indefectivelmente te encontrarás a ti mesmo, e essa, só essa, pode ser a mais feliz ou a mais amarga de tuas horas.
já não se adoçará junto a ti a minha dor.
Mas para onde vá levarei o teu olhar
e para onde caminhes levarás a minha dor.
Fui teu, foste minha. O que mais? Juntos fizemos
uma curva na rota por onde o amor passou.
Fui teu, foste minha. Tu serás daquele que te ame,
daquele que corte na tua chácara o que semeei eu.
Vou-me embora. Estou triste: mas sempre estou triste.
Venho dos teus braços. Não sei para onde vou.
... Do teu coração me diz adeus uma criança.
E eu lhe digo adeus."
***********
Adeus... E nunca foi o último na verdade...
Porque levo-te junto a mim em cada instante em que subtraio o ar.
Levo-te também nas canções que os meus ouvidos sorvem.
Lembranças de momentos de nossa completa intimidade conjugal.
Ah, quisera que amar não fosse esse conjunto de querer lembrar e ao mesmo tempo esquecer!
Quisera arrancar do peito toda a agonia do dia da despedida!
E quando, amor meu sei que grita meu nome no breu da noite, se revirando e tentando não pensar em mim...
Eu correspondo cá, de alguma maneira, pois o sono se vai embora, pela noite inteira...
Fátima Abreu Fatuquinha
********************
"...Te amo e não te amo como se tivesse
em minhas mãos as chaves da fortuna
e um incerto destino desafortunado.
Meu amor tem duas vidas para amar-te.
Por isso te amo quando não te amo
e por isso te amo quando te amo."
Pablo Neruda
*******************
Te amo e nenhuma forma de amar é igual a que sinto por ti.
Te amo, sim, ainda que isso doa muito em mim.
Meu amor, já não tem duas vidas, como tu o dizes...
Todavia, sim, múltiplas:
Quantas eras venho te amando?
Ah, não sei... Só Deus sabe a resposta certa!
Fátima Abreu Fatuquinha
Duetando com Neruda (novamente 3) republicação
já não se adoçará junto a ti a minha dor.
Mas para onde vá, levarei o teu olhar...
E para onde caminhes levarás a minha dor.
Fui teu, foste minha. O que mais? Juntos fizemos
uma curva na rota por onde o amor passou.
Fui teu, foste minha. Tu serás daquele que te ame,
daquele que corte na tua chácara o que semeei eu.
Vou-me embora. Estou triste: mas, sempre estou triste.
Venho dos teus braços. Não sei para onde vou.
...Do teu coração me diz adeus uma criança.
E eu lhe digo adeus."
******** A criança que sou, não se lembra mais de ti.O que me fizeste? O sorriso em meus lábios pereceu...Fui tua, foste meu.Uma frase repetida, no fel das angústias por mim sentidas... Acaso esqueceu? Embora tarde, já se vá! Deverias ter ido antes, quando ouvia o lamento dos meus "ais".O brilho dos meus olhos te nego. Agora é de outro, tornou-se só lembrança para os delírios seus...
Fátima Abreu Fatuquinha
Duetando com Neruda Novamente- republicado
daquele que corte na tua chácara o que semeei eu.
Vou-me embora. Estou triste: mas sempre estou triste.
Venho dos teus braços. Não sei para onde vou.
... Do teu coração me diz adeus uma criança.
E eu lhe digo adeus."
Pablo Neruda
***********
Adeus... E nunca foi o último na verdade...
Porque levo-te junto a mim em cada instante em que subtraio o ar.
Levo-te também nas canções que os meus ouvidos sorvem.
Lembranças de momentos de nossa completa intimidade conjugal.
Ah, quisera que amar não fosse esse conjunto de querer lembrar e ao mesmo tempo esquecer!
Quisera arrancar do peito toda a agonia do dia da despedida!
E quando, amor meu, sei que grita meu nome no breu da noite, se revirando e tentando não pensar em mim...
Eu correspondo cá, de alguma maneira, pois o sono se vai embora, pela noite inteira...
Fátima Abreu Fatuquinha
DUETANDO COM LISPECTOR- republicado
...Que minha solidão me sirva de companhia.
que eu tenha a coragem de me enfrentar.
que eu saiba ficar com o nada...
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.
O meu sentir é só meu.
A minha crença é parte de um todo, que se divide em muitas partes
As expectativas deixei de lado, vivo o agora, e isso me basta!
Intensamente, é vivido cada instante que respiro.
O amanhã, é incógnita constante, para quem tem noção!
Eu tenho, eu sou, eu cuido, eu vou, verbos que traduzem minha alma única, entretanto, dúbia de sentimentos.
quinta-feira, 2 de outubro de 2025
Teoria das Constelações- REPUBLICADO
O menino acabara de perder o pai, e ainda não sabia:
Pensou que ele só estava hospitalizado e que voltaria para casa em breve.
Foi devido a uma queda de uma escada no quintal.
O menino presenciou tudo. Chamou gritando por alguém.
O socorro veio e levaram seu pai.
Porém ele nunca mais voltaria para casa.
Depois, o problema: Como e quem teria coragem de dizer ao menino?
Deixaram para depois...
Toda a pequena família veio para o enterro.
O menino ficou em casa com a empregada.
Não sabia direito o que representava toda aquela movimentação de parentes, que quase nunca via...
Tudo acabado, agora era a vez da notícia, quando a mãe com a família retornou para a casa.
"Quem vai dizer para ele?" Foi a pergunta.
A tia que entendia de crianças como ninguém, dentre todos que ali estavam, se ofereceu.
Era mesmo a melhor indicada, pois usou sua vida toda de psicologia infantil com seus filhos.
Esperou a noite e levou o menino pela mão para a varanda dos fundos e disse brandamente:
- Allan, sente aqui com a tia. Veja quantas estrelas no céu. Estão ali todos os dias, você sabe disso, não sabe?
- Sim, tia. Tem Lua e estrela sempre de noite.
- Então... Todo dia tem gente que nasce e que morre também, como as estrelas. Queria que escolhesse uma bem bonita para você.
O menino olhou e apontou para o céu, mostrando a que seria sua:
- Aquela ali, tia.
- Bem, então aquela é seu pai. Ele agora é uma estrela no céu. Toda noite vai estar lá. E você pode vir aqui, olhar e conversar com ele.
- Isso então quer dizer que ele morreu, tia?
- É isso.
- Tudo bem.
O menino ainda olhou um pouco para o céu estrelado virou e disse:
- Precisa nascer mais gente. Já tem muitas estrelas lá em cima.
Fátima Abreu Fatuquinha
Fatuquinha Para Pequenos
https://www.clubedeautores.com.br/book/165464--Fatuquinha
NÃO SOU POETA- Dueto- Republicado
Não "venero"
O amor
O azul do céu
A luz do luar
O verde do mar
Não sou poeta
Não "deslumbro"
A rosa
Seu perfume
Seu fascínio
Corações apaixonados
Não sou poeta
Não " vejo"
Beleza aonde não há
Delicadeza no olhar
De pessoa a passar
Liberdade no campo florido
Também não há
"Não sou poeta"
"Salve aos poetas que tudo isso contemplam!"
JDavi Miguez
Como dizes que não és poeta?
Acaso não lês o que escreves?
Que disparate dizer isto!
Pois, a pena que escreve no papel, está nos teus pensamentos que fluem como água de rio...
A leveza dos teus versos, não implica em falar em tudo que mencionastes anteriormente.
E seguir o rumo do coração, que ele sim, é o poeta dentro de ti.
Não tens que venerar nada ( que outros dizem) para ser poeta!
A tua alma de pluma, já isso revela...
Adoro-te do fundo de minha alma!
E a mim, não basta duetar contigo, ó meu poeta!
E sim, passarmos momentos deliciosos juntos.
Na alcova à meia luz... Só alegria!
Deixando a verdadeira poesia se fazer, até o raiar do dia.
Fátima Abreu Fatuquinha
ESSE FOI O PRIMEIRO CAPT DE 1001 LIBERDADES- republicado
1001 Liberdades
POR: FÁTIMA ABREU
Livro de 2016
E um sonho pode ser verdadeiro, se acreditarmos com força...
CAPT 1
Naquela tarde ela não apareceria. Não que estivesse fazendo falta, ele pensou...
Na verdade, fazia sim! Por onde andaria? Talvez pelas ruas do tumultuado centro carioca.
Poderia estar na SAARA, o que combinava bem com seu nome: Sherazade!
Tal qual a personagem das "1001 Noites", ela não só recebera o nome, como a capacidade de imaginar aventuras, e contá-las muito bem.
Foi por isso, que ele a aceitou, como quase dizia-se "comprado" da família, em paga de uma dívida.
O interior não é muito diferente em termos de pessoas passando necessidades, como nos centros urbanos.
Todo lugar do mundo tem, na verdade, em maior ou menor grau, conforme a região.
Seu Augusto era um caseiro do sítio "BOM PASSEIO".
Tinha oito filhos nascidos e criados ali, com sua esposa Aracy.
A quitanda e mercearia de secos e molhados vendia fiado para os caseiros da região. Eles pagavam no dia que recebessem o salário.
O árabe Xariar era dono de quase todo comércio daquele lugar: Desde pequenas "vendas"(como chamavam por aquelas paragens), até rede de mercados varejistas.
Sírios e libaneses fizeram daqui sua nova morada, com o início da imigração árabe para o Brasil, pelos idos de 1912.
Ao contrário de outros tipos de imigrantes que trabalhavam diretamente na agricultura, os "turcos" como eram chamados, vinham para trabalhar como mascates e depois, progrediam e montavam seu próprio comércio.
Muitos lugares afastados dos grandes centros urbanos, tinham nos turcos, uma fonte de contato com as notícias do mundo lá fora: Eles traziam informações e aproveitando o bom papo, acabavam vendendo mais...
Xariar era de uma família imigrante, já nasceu aqui, embora criado com toda tradição árabe.
Os primeiros imigrantes eram árabes católicos maronitas. Bem diferente da leva mais atual, quando a maioria é islâmica e uma minoria judaica.
O pai de Xariar, veio como mascate, prosperou seu negócio e deixou uma vasta rede comercial para que o único filho cuidasse de tudo.
E rapidamente aumentou mais... Era um bom administrador, estava na veia!
Seu Augusto estava endividado até a raiz dos cabelos com todo comércio do local:
Também com oito filhos, ele e a esposa para alimentar, vestir, calçar, remédios quando ficavam doentes, e tudo mais...
A situação ficou pior quando sua esposa adoeceu e precisava ir para o Rio de Janeiro se tratar, fazer exames, pois, também apresentava traços de doença parkinsoniana.
Pediu a Xariar que saldasse sua dívida, e pagasse também as passagens rodoviárias. Em troca, faria o que ele quisesse.
Xariar era viúvo já havia três anos. Jovem ainda, tinha seus 38 anos quando ele mesmo matou a esposa, pega em adultério com seu motorista.
Conseguira se safar de ser preso, pois tinha ótimos advogados e disse no depoimento que armaram para matá-lo: Para que ela ficasse como única herdeira de suas posses.
Então, em "legítima defesa", depois de uma luta, quando os pegaram nus na sua cama, sacou da arma que trazia sempre consigo, e matou os amantes.
Xariar então, depois de se livrar disso, perdeu toda credibilidade que tinha nas mulheres, até desprezando-as, e as usando somente como objetos de seus insanos desejos sexuais...
Cada noite dormia com uma, tornara-se obsceno.
Para ele, mulheres só para seu prazer e para nada mais serviam.
Suas funcionárias eram as escolhidas para sua cama, e no dia seguinte, as despedia sem piedade...
E tornava a contratar tantas outras para repor as retiradas da função.
Xariar não sabia em quê poderia seu Augusto lhe servir. Deixou então ao seu encargo, uma sugestão do que faria, para o dia seguinte que tudo fosse resolvido.
Seu Augusto aceitou, e saiu do escritório de Xariar com um cheque na mão.
Não só cobria suas dívidas, como garantia passagens e hospedagem em algum hotel mais barato do Rio de Janeiro, por pelo menos uma semana, tempo suficiente para que sua esposa fizesse todos os exames e começasse com os remédios.
Quando Augusto chegando a casa, contou a toda família sobre o impasse de não saber em quê poderia servir a Xariar, já que em toda sua vida fora caseiro de sítio, pois, nem o ensino fundamental tinha terminado, a sua filha Sherazade, uma jovenzinha muito esperta e atenta a tudo que acontecia naquele lugar, disse então:
- Papai, e se em lugar do senhor trabalhar para esse homem tão poderoso e malvado, pois despede suas funcionárias sem dó nenhum das coitadinhas, deixar que eu trabalhe para ele? Afinal, tenho mais estudo que o senhor, terminei o secundário agora. Poderei trabalhar em um dos escritórios como recepcionista ou auxiliar mesmo, sem que ele me pague nada, pois será a sua paga e não a dele.
- Filha, sua intenção é boa, mas... Como você mesma disse, ele logo te mandaria embora, e eu continuaria a dever o favor...
- Ah, mas sou esperta papai! Tenho umas ideias aqui na minha cabecinha, que se der certo, ele não irá me despedir!
A conversa se estendeu por quase toda noite, e já estava dando 23 hs quando todos foram dormir.
Uma coisa havia ficado comprovada para seu pai:
Sherazade tinha um grande poder de persuasão...
Fátima Fatuquinha Abreu
Sentimentos
Flores caem no chão.
Não duram muito na água também...
Por que tirar do ambiente natural então?
O homem polui em nome do progresso.
Lança bombas na esperança da paz...
Por que isso, se bem nenhum traz ?
As pessoas hipócritas fingem ser quem não são.
Isso em nome de sobrevivência na sociedade em que vivem.
Por que isso, se máscaras caem como as flores no chão?
Eu não mostro a tristeza.
Embora quem me conhece sabe.
As dores em mim foram tantas, por todos esses anos...
Mas, o sorriso se faz necessário e presente.
Por que esse poema então?
Para abrir sentimentos que começaram há dois anos.
Esperando que dor se transforme automaticamente em mais alegria.
É meu desejo intenso todos os dias...
'PINGO DE GENTE' ( NOVELA DA VIDA REAL ) reeditado e atualizado em 2025
DESDE JÁ, OBRIGADA PELA LEITURA!
Tudo na vida, acontece por um motivo.
.
"Põe ali na CARIOCA, meu velho"...
O aparelho que tocava discos, era VITROLA
Também tinha de ter uma mesinha com pés de rodízio para colocar a TV. Na parte de baixo, se colocava jornais ou revistas.
Tempos que guarda chuva, chamavam de chapéu:
"Não vai levar chapéu? Olha que vai chover"...
As pessoas se falavam mais, ficavam do lado de fora do portão conversando coisas simples do dia a dia, ou uma notícia que chamou atenção durante o REPÓRTER ESSO...
As novelas eram "água com açúcar" e se aparecia um beijo mais acalorado, as mulheres comentavam:
"Nossa, isso está ficando uma perdição”...
Com o tempo, meu pai comprou e foi uma festa para mim.
Assim, sem muitas coisas novas para brincar, apenas a TV e uma vitrolinha portátil (que eu punha discos de vinil com historinhas de contos de fada e canções de roda), fazia então o meu entretenimento.
Seguia a vida da forma simples das crianças brincarem: inventando as próprias brincadeiras...
Minhas únicas coleguinhas eram: Stella Maria e Wilza Carla.
Wilza Carla recebeu esse nome pela artista de outra época, a quem um de seus pais queria homenagear...
Todas nós tínhamos um Chá de Bonecas. Sempre havia quem os desse para as meninas:
Se não fosse seus pais, com certeza seria outro parente ou ainda um vizinho convidado para o aniversário da menina.
Bem, eu apenas tinha o fogão com as devidas panelas, mas eles caíram no poço do quintal um dia, e fiquei sem...
Minhas duas amigas queriam então fazer o Chá de Bonecas, para que usássemos nossos joguinhos novos. Mas as bonecas mesmo eram escassas. Custavam caro. Eu tinha apenas três e era meu tesouro!
A mãe delas, Deuzith, fazia trabalhos extras para completar a renda e contava com a ajuda das filhas e algumas vezes oferecia a minha também:
O Chá fora marcado, mas não queríamos usar mesmo nossas bonecas, porque poderiam estragar de alguma forma, e isso os pais não perdoavam... Tinha coleguinhas na escola, que contavam que as mães não deixavam que elas tirassem as bonecas da caixa.
Emília era seu nome, mas ruivinha como era, os meninos da localidade onde morava em Portugal, faziam essa chacota.
Aos dois anos de idade, seu pai foi embora.
Fazer a vida no Brasil, era esse seu plano.
Depois viria buscar a esposa e as duas filhas:
Olinda e Emília.
Mas não foi assim...
Emília era a mais velha das filhas, e foi enviada para casa de sua avó paterna, por sua mãe.
Ela não queria ou não podia, criar as duas crianças.
Apenas Olinda, a bebezinha, ficou com sua mãe.
Emília aos nove anos, não podia fazer nada além de trabalhar:
Sua avó paterna a empregou em casa de família, para cuidar de porcos, patos, galinhas...
Ela não tinha direito à instrução, pois a avó achava uma bobagem.
Emília se sentia negligenciada pela mãe, pelo pai, pela avó.
Depois de muito tempo, sua mãe tomou uma decisão:
Já estava impaciente, depois de treze anos de espera!
Resolveu vir ao Brasil, procurar o esposo.
Primeiro, faria uma coisa:
Pegaria Emília de volta. Juntando as filhas novamente, faria uma surpresa ao marido, quando chegasse ao Brasil.
Emília ficou contente com a notícia, pois seria uma verdadeira "virada" em sua vida!
Para ela que tudo foi negado, poderia haver agora, uma esperança...
Ter afinal o que não teve, quando era mais criança.
Pegaram um navio a vapor, que era o que existia naquela época, e viajaram para Manaus, no Amazonas, pois era lá que seu pai estava.
Quando sua mãe chegou, soube que o marido havia casado pelas leis brasileiras com outra mulher, e já havia formado nova família, tendo filhos com ela.
Uma nova família se formou, porém, sem nada mudar para Emília.
Pois continuava a trabalhar na mercearia de sua mãe.
Assim, desde os seus quinze anos, até os vinte e dois, Emília passou seus pedaços também aqui no Brasil.
Entretanto, tudo mudou quando Eduardo entrou em sua vida.
Ele era da Marinha Mercante.
Eduardo e Emília, resolveram fugir para casar.
Ah, e como a vida sempre aprontava, para ela!
Tratamentos com neurologistas, exames, enfim tinha uma disritmia.
Nessa agonia de dores de cabeça, deixou de ir muito à escola, e pela primeira vez, quase perdia o ano, por faltas...
De tanto sua mãe pedir, Deus, mais uma vez, fez a mocinha ficar boa de vez!
Com crises de reumatismo, ela retomou ao tratamento que no começo, se fez...
Fátima agora estava já chamando a atenção dos rapazes, pois com o passar da adolescência, ficou uma morena de cabelos longos, corpinho definido e assim, despertava a libido.
Um ano depois, ela ficou grávida. Teve que contar aos pais.
Eles providenciaram o casamento. Iriam morar a princípio, na casa da mãe do rapaz, até arrumarem uma casinha para alugar.
Fátima parecia que fazia Primeira Comunhão, pois pequenina como era, parecia uma menina!
Foram passar a lua-de-mel em Muriqui, RJ, numa casinha em frente à praia, que a meia irmã de seu esposo emprestou para tal ocasião.
Assim, começa outra fase de sua vida, talvez a mais complicada...
Porque poucas foram as alegrias, que eles só tiveram por 17 anos.
Deus é testemunha quanto sofrimento o casal passou!
Teve seu primeiro filho, aos 17 anos, e todos achavam que ela por ser tão novinha, não daria conta da responsabilidade de criar um filho...
Ledo engano! Agora, ela era muito mais que uma adolescente, era uma mãe de família, que agarrou com unhas e dentes essa responsabilidade, e se tornou uma excelente mãe, que todos se admiravam como a jovem cuidava bem de tudo: da casa, do filho, do marido...
Quatro anos depois, estava tendo uma menina. Assim, aos vinte e um anos, ela já tinha dois filhos.
Nesses primeiros anos, a família viveu muito bem, faziam viagens pelo Brasil nas férias... Passeios, restaurantes, enfim, divertiam-se como podiam.
Foi uma época também de muito trabalho, pois Fátima abriu com o marido, uma lanchonete, uma mercearia, e ainda preparava pratos para entrega em domicílio...
As pessoas encomendavam até ceias de Natal, para ela, que fazia tudo: Entregava na casa da pessoa, tudo prontinho!
Pegou várias estafas nesse período, devido a tanto trabalho: Casa, negócio próprio, marido, filhos...
Todo o seu tempo era usado durante o dia, e muitas vezes, quando se deitava agradecia a Deus!
Entre crises de rins, pressão, ela foi se aguentando...
Até que um dia, olhando no espelho a boca por dentro, tomou a decisão:
- Vou operar isso hoje!
Ligou para sua mãe, que já estava desesperada, pela demora da filha em operar, e chamou-a para acompanhar até a Clínica onde tinha convênio.
Lá chegando, passou pela consulta e a médica disse:
- Está muito passado... Devemos operar hoje e agora, para aproveitar o momento!
Assim, foi encaminhada para o centro cirúrgico.
Ela foi operada disso, e de mais: tiraram vários freios linguais que ela tinha na boca.
Seu esposo que estava no trabalho, foi informado pelo sogro, que ela tinha feito a cirurgia...
Ficou louco, por não estar sabendo de nada!
Assim, levou-a da Clínica.
Sem poder falar direito ou comer normalmente, ela permaneceu calada.
O tempo passava...
Sempre mudando de casa, para lá e para cá, conforme os aluguéis aumentavam.
Assim, Fátima foi vivendo até que aos trinta e três anos, quando teve a sua filha caçula.
Já estava seu caso complicadíssimo, pela demora do tratamento específico, para essa triste doença.
Que é mais conhecida como Lepra.
Então, todos tiveram que fazer exames, para saber se contraíram. Deus foi muito bom, e ninguém estava contaminado! Apenas ele.
Começou então, um tratamento que durou três anos (em vez de dois), porque o caso tornara-se muito grave...
Sendo assim, ela cuidou do esposo em tudo que ele precisou.
Porém, essa doença é muito ingrata, e acaba enfraquecendo os ossos e nervos.
De uma queda na calçada da rua, ele fraturou três vértebras da coluna e achatou até a última, perdendo líquido da coluna.
De uma perna para outra, os nervos também atrofiaram e encolheram, dando uma diferença de oito centímetros. Ficou manco.
A essas alturas, ele já estava encostado, porque não podia trabalhar mais...
Fátima cuidou de tudo só:
Do marido doente, da bebezinha que acabara de nascer, do próprio negócio, da casa, e dos outros filhos agora, já adolescentes.
Novamente outra estafa para ela...
Seu esposo piorava em vez de melhorar, e já agora, só andava pendurado nas muletas, para todos os lados ela o acompanhava, com medo dele cair, porque o médico disse:
- Se ele cair de novo fica numa cadeira de rodas, para sempre!
Assim, ela foi levando...
Pouco depois, ele ficou também praticamente cego, apenas enxergando com 20% de visão.
Não podia operar porque além de cardíaco, posto que já havia tido três infartos, ainda atrofiara o pulmão, e não aguentava ficar deitado com a barriga para cima, pois o ar lhe faltava. Como sua respiração era muito difícil, não daria para ficar na mesa de cirurgia.
Até tentaram, mas ele teve uma parada respiratória e teve que ficar no oxigênio...
Tudo isso, Fátima junto dele, acompanhando e sofrendo também.
A bebezinha, cresceu vendo o pai doente e a mãe se consumindo de tanto trabalho.
Nesse tormento passaram-se dez anos muito longos...
Ele: Sem enxergar, diabético, cardíaco, deficiente físico, com um pulmão atrofiado e um câncer no nariz, que apareceu por último...
Ela: Cansada, esgotada, e pedindo a Deus todos os dias misericórdia.
A família mudou da Cidade do Rio de Janeiro, para outro município do mesmo estado: Itaguaí.
Foram pagando a casa durante quatro anos.
Entretanto, apenas moraram seis anos ali.
Com as doenças do marido, gastavam muito em tratamentos. Muitas coisas que tinham, foram sendo vendidas.
Quando a pequena caçula, também teve que ser operada às pressas, de apendicite supurada, em um Hospital do plano de saúde que tinham (mas não sabiam que não cobria a internação e a operação), ficou tudo pior.
A 'sujeira' toda, tinha se espalhado pelo seu abdômen.
Assim, os pais nem pensaram muito e pediram ao médico para salvar a filha, a qualquer custo!
Depois pensariam como pagar ao hospital.
Outros problemas se formaram:
Fátima teve que deixar dois cheques como garantia.
Para cobrir os cheques, tiveram que vender aparelhos eletrônicos, computador e ainda não dava para pagar...
Amigos fizeram um bingo beneficente para ajudar a família.
Mesmo assim, não deu: A conta era grande, visto que tudo era cobrado nos cinco dias que a mãe ficou no hospital com a filha internada... Até os algodões usados!
Deus sabe o que faz, e o porquê de termos que passar por tudo nessa vida...
A solução para tantos problemas, dividas e mais dívidas foi vender a casa e morar novamente de aluguel.
Foi o que aconteceu. Venderam por menos do que pagaram. Foi um prejuízo.
Nessa altura, os filhos mais velhos, já tinham se casado, pois casaram bem jovens.
Ela herdou a ânsia de conhecimento de Fátima, e também era a primeira da turma, como a mãe por muitos anos fora.
Tiveram que vender também, para cobrir tudo que já deviam por aí...
O marido sem trabalhar, apenas recebendo o benefício do governo, nada mais poderia fazer.
Fátima não poderia trabalhar fora de casa também, porque seu esposo precisava de atenção o tempo todo, pelas suas doenças.
De vez em quando, a mãe e o pai de Fátima, levavam bolsas de compras para ajudar. Outras vezes, a comida já pronta.
Nesse tormento, que continuou por dez anos.
Mais um sofrimento.
Ele estava muito 'ruinzinho', e como a filha do meio, ali morava desde que tinha se casado, resolveram ficar perto dela. Alugaram uma casa por lá.
O filho mais velho, já casado também, permaneceu em Itaguaí.
O marido de Fátima, só vive trinta e um dias mais, do dia que chegou a Maricá.
Ao chegar, no dia mesmo da mudança, disse à filha do meio:
- Estou trazendo sua mãe, para você. Cuida dela e da tua irmã, porque sei que vim para cá, mas está perto de Deus chamar...
Assim, foi.
No dia 3 de abril de 2008, ele veio a falecer, depois de 4 paradas cardíacas, e traumatismo craniano também... Devido a mais uma queda, em sua vida.
A última semana dele de vida, foi totalmente triste, porque perdeu-lhe a razão...
Insano dentro de casa tinha alucinações.
Fátima chorava de ver mais isso: O marido assim, louco...
E a filha caçula, presenciando tudo.
A família teve que o internar, no mesmo dia em que morreu.
Ao chegar ao hospital com a pressão 19x15, as paradas cardíacas começaram...
Na quarta 'parada', ele morreu.
A esposa ao ver o médico chegar para dar a notícia, disse:
- Não precisa dizer doutor. Já sei que ele se foi.
“Pingo de Gente” ficou viúva aos quarenta e três anos de idade.
EXTRAS:
Viviam na mesma rua, do mesmo bairro, na Cidade do Rio de Janeiro.
Ambos tinham atestada esquizofrenia.
Ao longo dos anos a doença se apresentou.
De qualquer forma, com ambos realmente foi preciso isso, para deixarem de parecer pessoas ditas "normais", e apresentarem o quadro de esquizofrenia.
Thiago era de estatura mediana, mulato de cabelos ondulados, bem apessoado. Maria era branquela, loira, descendia de italianos, uma mulher nem bonita nem feia.
Maria fez curso de instrumentadora cirúrgica, quando era moça. Trabalhou um tempinho em clínicas e hospitais, levando uma vida normal sem desconfiar da doença.
Já Thiago, era contador e trabalhava para várias firmas. Morava sozinho numa casa que seu avô lhe dera. Mas Thiago um dia casou-se com uma bonita mulher e teve um filho com ela. Tudo corria bem até que certo fim de tarde, ele chegou cedo a casa (num horário que não era o de costume), pois sempre era lá pelas 19h00min horas, que retornava do centro do Rio.
Queria fazer uma surpresa para a esposa e levá-la para jantar fora com o filhinho. Mas ao chegar não a encontrou na cozinha, e um silêncio imperava na casa. Foi até o quarto do bebê e ele dormia tranquilo.
Ao abrir a porta do quarto de casal, deu com uma cena que daquele dia em diante, ficou em sua mente:
A esposa estava com um amante, na cama, que eles tantas vezes fizeram amor...
O choque profundo, bateu como um punhal em seu peito.
Dali foi desencadeada sua esquizofrenia, e a esposa foi embora levando o filhinho do casal.
Ele voltou a ficar só.
Ninguém lhe dava mais emprego. Com o passar dos meses a casa, antes bonita tornara-se feia e suja.
Esta, depois de ser deixada de lado pelo senhor com quem tinha tido uma filha, deixara seu emprego e vivia nua de um lado para outro das ruas do bairro. Seus parentes eram avisados e a levavam para casa.
Thiago também era levado vez por outra para o sanatório, quando também começava a passar dos limites e atacar quem passasse perto de seu portão.
Tanto Maria como Thiago, quando controlados pelos remédios, passavam por pessoas 'normais'. Ninguém dizia que eram mentalmente doentes. Chegavam perto de mim e conversavam amenidades como uma novela que estivesse chamando a atenção do público, ou uma notícia do jornal.
Certa vez, falando comigo normalmente, Maria pegou um pedregulho na rua, e varou para me atacar dentro da minha lanchonete sem motivo algum. Escapei da pedra enorme por pouco, não estava na minha hora de partir desse mundo.
Thiago certa vez, vinha todo arrumado em um traje de passeio completo, com uma bolsa "tiracolo" (era assim chamada na época, não sei agora) para comprar um sanduíche na lanchonete.
Thiago respondeu:
- Estou sim D. Fátima, para a minha igreja, sou contador de lá agora.
- Ah, que ótimo Thiago! Recomeçar a vida é sempre bom. Espero que dê tudo certo agora.
Ele deu um sorriso e respondeu de volta:
- Eu também D. Fátima. Quero ver como meu filho cresceu. Não entendo porque a mãe dele, não traz o menino para que eu veja!
Vânia era uma jovem pernambucana que conheceu um rapaz que trabalhava na Marinha Mercante: Edson;
Edson trabalhava juntamente com seu melhor amigo, Honório.
Honório, já tinha se casado com Conceição.
Teria de arrumar um emprego em terra firme. O ideal seria ter uma esposa quando voltasse para casa no fim de cada dia, esperando com um bom jantar e o carinho da mulher...
Animado com o incentivo de Honório, Edson pediu Vânia em casamento. Afinal, estavam apaixonados mesmo, por que esperar mais? Ela aceitou.
Rapidamente Conceição e Vânia já eram amigas também.
Os dois marinheiros ficaram em terra de vez, trabalhando agora, na estiva.
Moravam em bairros vizinhos e pelo menos uma vez a cada dez dias se visitavam.
Conceição teve dois filhos: Linda e Val, e Vânia três: Sérgio, Marina e Nadir.
As famílias durante anos se visitaram, a amizade cada vez mais firme...
Dos filhos de Conceição e Honório, Linda casou-se primeiro, e teve um único filho: Luiz Eduardo.
Val casou-se anos depois com Maria Abigail, e tiveram três filhos.
Os filhos de Vânia e Edson, já estavam todos casados e também com filhos. Apenas Nadir, não: era estéril... Ou seria o marido?
Tudo isso servido com pães e geleia que sua madrinha fazia, numa mesa grande (com toalha bordada e com crochê nas pontas) no centro da copa.
Havia no aparador, um relógio que batia a hora exata, mas fazia um estrondo danado! Era muito gostoso para todos, aquelas tardes de domingo!
Fiona, no dia da festa de seus 15 anos, ganhou de sua madrinha uma pulseira cravejada de pedras azuis, a sua cor preferida.
Quando Fiona já tinha dois filhos, seu padrinho faleceu.
A madrinha Vânia, estava sem seu companheiro de tantos anos agora. Triste e preocupada, sofria tremendamente.
Dali em diante, a vida de Vânia se transformou:
Vânia estava sem receber dinheiro, já fazia seis meses! Quem a ajudou nesse período foi justamente Val e Maria, seus compadres.
Vânia vivia outro drama: Quando sua filha Nadir foi largada pelo marido, ficou vivendo com ela, e estava diabética também. Sorte de Nadir por não ter filhos com seu marido: era um aproveitador barato, sempre vivendo à custa dos sogros por todos aqueles anos.
Nesse momento, Vânia já estava recebendo sua pensão e agradecida, quis pagar a Val, pelos meses de ajuda contínua...
Vânia estava apenas no começo do fim:
Nadir piorava a olhos vistos.
Vânia tinha se queixado ao seu filho mais velho, Sérgio.
Aliás, achava um abuso que seu filho nunca lhe oferecera ajuda, sabendo tudo que passava!
Sérgio tinha planos diferentes:
Vânia aceitou a proposta do filho; assinou a procuração lhe dando plenos poderes para cuidar disso.
Entretanto, veio mais um choque em sua vida:
Fiona, que nessa época estava morando numa casa que pertencia a seu pai, já havia dito que iria se mudar. Vânia lembrou-se disso e ligou para seu compadre Val:
- Compadre, Fiona vai mudar de bairro, não vai?
- Sim, comadre. Por quê?
- Gostaria de alugar sua casa, se não tiver problema. Quando ela sair, logo em seguida eu entro. O que acha?
- Por mim tudo bem, comadre. Mas e sua casa?
- Vendi. Depois lhe conto tudo...
- Está bem. Na semana que vem, pode vir buscar as chaves, porque Fiona muda no sábado.
- Obrigada, compadre. Mande lembranças para a comadre Maria. Até logo.
- Até logo, comadre.
Depois disso, foi só uma coisa atrás da outra: Nadir faleceu.
Vânia ficou só e seu filho não mais a visitava, talvez fosse remorso, sem coragem de encarar a mãe.
Em certa tarde, Vânia pegou um ônibus para ir pagar umas contas no banco.
Teve um mal súbito e caiu.
Era o fim de uma vida que havia sido muito feliz, até o dia em que seu marido morreu e tudo se modificou...
Agora devem estar juntos e sossegados.
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A vida da “Pingo de Gente” continuava com seu “sobe e desce”, mesmo depois da morte de seu marido.
Foi a melhor decisão em sua vida atribulada com essa pessoa...
Recuperando então, sua paz de espírito.
Já em dezembro, no mesmo ano, fez uma cirurgia para retirada da vesícula.
Em 29 de fevereiro de 2016, devido à uma enchente em MARICÁ, RJ, nossa protagonista perdeu tudo e acabou desenvolvendo também uma asma, devido a proliferação de mofo que ficou na casa que ela alugava até então... Nova mudança tinha que ser feita. Ali, ela e a filha não poderiam ficar.
Mudaram para uma vila de 6 casas, muito simples, mas, tentavam recomeçar mais uma vez...
Em 27 de outubro de 2016, Fátima quase morreu de um ataque asmático:
Foi em plena passarela do bairro, quando uma fortíssima tempestade, tomava conta da cidade de Maricá, pela ação de um ciclone em alto mar, que teve consequências em terra.
Foi socorrida no ponto do ônibus onde uma enfermeira enviada pelos céus, lhe deu os primeiros socorros, pois, estava já desfalecendo...
Voltando à situação de moradia: Fátima e a filha ficaram na vila por dois anos.
Hoje, mora finalmente em uma casa independente (de aluguel), num lote familiar.
Pingo de Gente redescobriu o amor com Davi.
Ele a trata com carinho, atenção, combinam atitudes e cotidiano. E são felizes na simplicidade do amor de pessoas de meia idade.
Atualmente, Fátima não pode mais fazer suas caminhadas: Em abril de 2018, torceu o pé esquerdo.
Isso gerou 3 problemas diferentes. A solução seria mais uma cirurgia... Ela não queria.
Ela seguia com dias doloridos, mas, feliz.
Bem, sua filha continuava trabalhando e fazendo faculdade, mas, atualmente isso mudou:
Então, quando eles acontecerem, será mais um novo recomeço...

















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