sexta-feira, 28 de agosto de 2026

NÓ DE MARINHEIRO (MUSICADA) REPUBLICADA HJ


Vejam minha poesia NÓ DE MARINHEIRO, musicada pelo amigo Anand Rao!


Nó de Marinheiro

Não há rosas sem espinhos,
Tampouco amores sem carinhos.
Não há início sem meio e final.

Não existe somente fel:
Há na natureza, também o mel.
Não há frio sem cobertor. Não há verão sem calor.

Não há você sem mim... Perderia o norte.
Eu, sem você, calmaria enfim...
Porém, é essa necessidade mútua que nos enlaça:
Nó de marinheiro: Junta e amarra.


Fátima Abreu Fatuquinha

REBECA ( MINI CONTO DE ROMANCE ) Republicado HJ




REBECA 

A cara estava amassada.
Rosto de quem acabava mesmo de acordar...
Os olhos de pálpebras inchadas.
Demonstravam que teve uma noite bem dormida!
Faziam dias, que não tinha um sono tranquilo...
Era de se esperar, tantos problemas para resolver!
Tinha momentos que se achava maluca, talvez a insanidade estivesse mesmo ocorrendo em si...
Mas rapidamente tirava esses pensamentos da cabeça, era senhora dos seus atos, então estava em pleno uso da razão!
Abriu o chuveiro, esfregava o corpo com o sabonete, que teimava em escorregar de suas pequenas mãos... Queria estar bem limpa, cheirosa, e por que não, apetitosa?
Saiu do box, cabelos lavados, e foi à pia:
Pegou a escova de dentes, e começou a olhar-se no espelho do banheiro, pensou então:
" Nossa! Que cara de quem dormiu uma semana!
Preciso melhorar isso"...
Passou um hidratante no rosto, pegou o lápis preto, para passar em baixo da pálpebra inferior, e realmente ficou satisfeita, porque seu visual agora melhorara bastante...
Sorriu para o espelho, conferindo se os dentes estavam totalmente limpos...
Agora, era só trocar a roupa, e sair..
Rebeca era conhecida pelos pratos deliciosos que fazia:
Ela tinha um pequeno negócio, onde nos fins de semana, ela servia refeições, sobremesas, sorvetes que ela mesma produzia, e também atendia as encomendas que surgiam até mesmo para ceias de Natal.
Onde passava na rua, diziam:

" E aí, Rebeca, que gostosura vai fazer para o fim de semana?"
Ela sorria e sempre respondia a mesma coisa:
" Vai até lá para saber, garanto que vai querer "
E assim Rebeca vivia, procurando os ingredientes aqui e ali, para nada faltar para suas tão famosas refeições de sábado e domingo...
Ela trancou a porta e saiu de casa para o super mercado que vendia por atacado, onde poderia comprar em maior quantidade.
Lá chegando, foi direto para a lanchonete do local, tomar café, porque quando sentiu seu estômago doer, percebeu que saíra de casa sem nada comer!
Como era muito "desligada" nem se preocupou antes com isso. Rebeca na verdade, estava cada vez mais assim, parecia que seus problemas faziam com que ela ficasse mais aérea, avoada mesmo...
Sentou-se em uma das banquetas da lanchonete e pediu seu lanche.
Assim que começava à comer, um senhor perguntou-lhe as horas, pois seu relógio estava parado.
Ela pegou seu celular, e respondeu olhando para o visor. Ele agradeceu, e sentou-se na banqueta ao lado dela.
Sem querer, ela deixou o café com leite cair em sua saia, e por pouco, não pegou na blusa também.
Limpou com uns guardanapos de papel, e continuou seu desjejum...
O senhor de seus 50 anos, virou-se depois de observar a cena, e disse-lhe:
"Se fosse a minha esposa, soltava até um palavrão agora!"
Rebeca, olhou para o tal senhor, e respondeu:

" Se eu fosse perder a paciência por tão pouco, não estaria mais viva, tinha dado um ataque do coração, com tanta coisa que ocorre comigo!"
Ele limitou-se apenas a levantar o polegar, em sinal de aprovação ao que ela tinha dito...
Era o que ele dizia sempre para sua esposa, ter paciência com as coisas...
Rebeca terminou o seu café e saiu dali, para dentro do hipermercado onde procuraria as coisas para fazer o seu menu...
Quando estava para passar no caixa, sentiu um sopro em sua nuca, como se alguém estivesse por trás dela, fazendo isso, e ao olhar para baixo, descobriu uma menina com um cata vento na mão.
Ora afinal não estava doida! Era apenas o ventinho que a menina fazia ao brincar...
Saiu dali apressada, tinha que fazer tantas coisas ainda!
Deparou-se com a mesma menina em frente ao seu carro e lhe perguntou:

_ Onde está sua mãe? Você não pode andar por aí sozinha, tem muita gente má nesse mundo, menininha!
A menina disse que estava perdida da mãe, e Rebeca então pegou-a pela mão e levou até um policial na entrada do estacionamento do hipermercado.

Feito isso, deixando a menina entregue a uma autoridade, arrancou com o carro dali.
Ao chegar em casa, foi retirando as compras de dentro do carro e depositando na varanda da frente.
Um vizinho passou por ela e a cumprimentou. Ela respondeu sem nem olhar quem era. Ele então, falou mais alto:

_ Rebeca, que bom dia, mais sem graça é esse?
_ Ah, oi! Desculpe Marcos, é que hoje estou mais aérea que os outros dias...
_ Olha Rebeca, vê se você se cuida, desse jeito vai acabar se queimando no fogão, quando estiver fazendo as suas refeições de fim de semana... Você anda com muita falta de atenção nas coisas!
_ É verdade, meu amigo... Mas o que fazer, se a minha cabeça não para de pensar um só momento, nos problemas da família? Eles não moram comigo, mas é como se estivessem aqui o tempo todo... Me ligam, e jogam tudo em cima de mim...
Ando assim de tanto queimar os neurônios!
_ O que te falta é uma pessoa para te dar carinho Rebeca, e não para te levar problemas... Ah, se eu não fosse casado e amasse tanto a minha mulher! Certamente eu não pensaria em outra para o lugar dela, além de você!
_ Que é isso, Marcos? Olha que alguém pode escutar e sair fazendo fofoca por aí!
_ Não se preocupe com isso... Agora vou minha amiga, e qualquer coisa, vai lá em casa, eu e Sônia estamos ao seu dispor...
_ Obrigada pelo apoio, Marcos. Mas, se Deus quiser, eu vou melhorar da minha "fase desatenta"!
Ele saiu dando um aceno com a mão. Ela acabou de colocar tudo no lugar e foi ligar a TV para relaxar um pouco. Ligou no noticiário local e viu uma coisa que lhe chamou a atenção:

O senhor que ela havia conhecido na lanchonete, estava dando uma entrevista para o repórter do canal. Ela aumentou o som da TV, para escutar melhor o que ele dizia...
" Foi isso que aconteceu mesmo! Mal eu saí da lanchonete do hipermercado, o incêndio começou, não se sabe bem de onde, mas disseram que uma menininha morreu queimada, ela estava no colo do guarda, à procura da mãe. Bem, foi assim que me disseram..."

Ela ficou atônita! A mesma menininha que ela entregou ao guarda, acabou vindo a falecer, em um incêndio que nem ela sabia que acontecera depois que saiu do estacionamento...
Aquilo a fez pensar o quão pequeninos somos, diante do destino!
Caso ela tivesse se demorado mais ali, poderia ter sido surpreendida pelo tal incêndio também, e essa hora poderia nem mais existir...
Por instantes se sentiu uma sortuda, mas ao lembrar daquela menininha, seus olhos encheram de lágrimas...
Foi até sua caixinha de remédios, e tomou uma colher de água de flor de laranjeira, dissolvida em água com açúcar...
Deitou-se. Resolveu que nada faria mais naquele dia, tiraria apenas para si... Afinal era uma dádiva estar viva! Com o sono, vieram os sonhos...

Sonhou que estava em um harém, em terras longínquas, dançaria para o sheik.
Ela não queria isso, mas era forçada a fazer. Sabia que ele escolheria a dançaria que lhe agradasse mais, para levar aos seus aposentos e fazer dela o que bem quisesse.
Dançava... Tinha que dançar ou a guarda do sheik, a machucaria.
Ela não tinha colocado os olhos nele, mas sabia que ele era bonito, as outras moças tinham lhe dito, antes da entrada no salão.
O sheik a seguia com olhos fitos no corpo de Rebeca, o desejo o inflamava... A dança dos lenços era muito sensual, e Rebeca a tornava mais ainda!
Por um momento Rebeca avistou-o. Era mesmo bonito! Mudava de ideia agora... Talvez fosse bom passar a noite com o sheik, quem sabe se o seduzisse bem, ela não teria a liberdade? Com uma boa lábia e muitos carinhos, talvez conseguisse fazer com que ele cedesse ao seu pedido.
Sim, era isso! Teria de fazer com que ele a quisesse para aquela noite...
Ela chegou mais perto do sheik, e se contorceu toda à sua frente com a dança, mostrando os belos seios para que ele notasse bem...
Ele reparou nisso: Ela realmente tinha seios lindos e fartos.
Não teve dúvidas: Bateu palmas para que a música parasse, e tomou-a pela mão, levando-a para seus aposentos. Foi uma noite prazerosa para ambos, mas Rebeca não soube do desfecho do sonho, porque foi acordada com a campainha tocando.

Levantou-se e foi ao banheiro para lavar o rosto, finalmente abrindo a porta. Ao olhar para a pessoa que estava à sua frente, tomou um susto:

O homem era igualzinho ao sheik do sonho que acabara de ter! Ficou meio engasgada, as palavras não saíam da boca...
Ele adiantou-se e disse:

_ Sou seu novo vizinho, soube pelos outros, que você faz refeições também por encomenda, D. Rebeca. Estou interessado em que cozinhe para mim , mas sendo diário, seu trabalho, o que acha?
_ Nossa! Que susto o senhor me deu! É que acordei agora, estou meio que dormindo ainda, sabe? Pois bem, entre por favor, vamos acertar isso...

Ele entrou e reparou a casa muito limpa, era esse o principal requisito para uma boa cozinheira!
Rebeca disse então, ao mostrar o sofá para que ele se sentasse:

_ Bem, posso fazer refeições diárias sim, não me incomodo com isso, mas seria em minha casa mesmo e levaria em uma 'quentinha', ou prefere que eu cozinhe na sua casa? Para mim, tanto faz... Apenas peço que deixe sempre os ingredientes que eu disser, nos armários e na geladeira, caso a opção seja a sua casa...
_ Sim, claro! Prefiro lá porque almoçarei feito tudinho na hora, e depois sairei para trabalhar. Gostaria de combinar o valor das refeições...
_ Bem, senhor... Ainda não disse seu nome...
_ Meu nome é Rassan. Acabei de chegar na cidade, sou de uma pequena cidade no sul, de descendentes dos turcos que vieram para o Brasil, meus pais imigraram para cá, e eu nasci aqui.
_ Ah.. Então muito prazer Sr. Rassan. Eu sou Rebeca o senhor já sabe, os vizinhos lhe contaram.
Bem, farei para o senhor o mesmo que cobro por refeição, nos fins de semana, sendo que cada dia, contará uma refeição, ou quer pagar por semana?
Ou seja, no fim da semana me paga as refeições que foram feitas, como prefere?
_ Bem, D. Rebeca, pago então no fim da semana, ok?
_ Sim, está bem. Comigo não vai passar sem comida!
E quer também que faça sobremesa todos os dias?
_ Pode ser... Gosto sempre de um doce depois do almoço.
_ Então estamos combinados! E quando começo, amanhã mesmo?
_ Sim, claro! Porque hoje já comi essas refeições congeladas de super mercado, e no micro ondas...
_ Ok, amanhã estarei lá pelas 7:30h da manhã para começar o seu almoço, e certamente 11:00h estará tudo pronto. Leve agora a lista das coisas para comprar, porque sem temperos, eu não faço nada!
E deixe também na geladeira carne, frango, ou o que quiser que prepare durante a semana.
_ Tudo bem! Vou agora mesmo cuidar disso. Um abraço D. Rebeca.
_ Faça um favor? Não me chame de 'Dona'. Fico me sentindo uma velha. Basta apenas Rebeca.
_ Sim, sim tanto melhor! Digo o mesmo, trate-me por Rassan.
_ Ok, então até amanhã!
_ Até!

Ela fechou a porta depois que Rassan saiu, e quase sem fôlego estava, tentou se controlar durante o tempo todo que ele ali estivera. Não queria que ele suspeitasse do seu nervosismo. Como aquele homem poderia ser igual ao de seu sonho? E ainda: Vir das mesmas terras do sheik!
Mistérios do destino, de novo!


REBECA ( CONTINUAÇÃO )

No dia seguinte, como combinado, Rebeca estava na casa de Rassan, bem cedinho. Gostava de fazer assim, para que tudo estivesse pronto até 11:30h.
Rassan abriu a porta e deu-lhe um bom dia sonoro. Ela se espantou, com esse bom dia tão alto! Pensou então, que deveria ser assim o seu jeito de começar o dia...
Rebeca entrou e foi logo perguntando onde era a cozinha para começar seu trabalho, ele a levou até lá. Disse então, Rassan:

_ Rebeca, sinta-se completamente à vontade, a cozinha é sua, a partir de agora. Olha, tem tudo que me pediu para comprar na lista que fez. E as carnes também estão aí.
_ E vai querer o quê hoje, carne, frango, ou peixe?
_ Pode ser frango. Mas agora, gostaria que fizesse um café da manhã bem turco. Aceita partilhar comigo esse café da manhã?
_ Sim, mas claro! Sei que na Turquia se come até azeitonas, tomates, pepinos, pela manhã, além de queijo branco e pão. Complementando com o chá turco negro, acertei?
_ Está muito bem informada Rebeca! Tem algum conhecido de descendência turca?
_ Não, é apenas pesquisa que faço na Internet para agradar cada freguês...
_ Ah, muito bem! Então vamos ao nosso café da manhã turco! Mas se você quiser fazer alguma coisa diferente para você, fique tranquila.
_ Sim, o café! Sem ele, eu não fico...
_ Ok, está tudo aí, é só arrumar a mesa e fazer o café.

Rebeca foi colocando tudo separadinho em bandejinhas na mesa, e depois, sentou-se com Rassan para comer.
Conversaram animados, para se conhecerem melhor. Rebeca então olhando o relógio de parede da copa, percebeu que já eram quase 8:15h. Ela levantou-se apressada, e disse para Rassan:

_ Bem, agora já tenho que começar a preparar o almoço, para que esteja pronto no horário.
_ Ok, já ocupei muito seu tempo com minhas estórias.
_ Foi bom Rassan, pudemos descontrair, mas agora, ao trabalho!

Rassan levantou-se, foi para a sala, onde estava seu notebook, para começar a trabalhar em casa, antes de ir para seu escritório. Gostava de aproveitar todo o tempo disponível.
Rebeca de avental, já estava preparando o almoço, cozinhando o frango, cortando os legumes, fazendo uma salada turca: De berinjela com cenoura e iogurte
Não esquecendo de preparar uma sopa de tomate, acompanhada de pão. Para a sobremesa, pudim e arroz doce.
Na hora certa, a mesa já estava posta, e Rassan sentou-se para degustar pela primeira vez, a culinária tão famosa de Rebeca.

Ela ficou ao seu lado, esperando alguma palavra. No entanto, ele só comia e comia... Ela entendeu isso como bom sinal, ele realmente tinha aprovado seu menu.
Ao acabar, Rassan 'limpou' tudo que estava na mesa.
Nada havia sobrado! Rebeca ficou satisfeita com tal resultado. E recolhendo tudo, levava para a pia para ser lavado. Rassan a conteve, segurando-a pela mão. Olhou para Rebeca e disse:

_ Não, você não tem que lavar nada, Rebeca. Seu trabalho é apenas cozinhar! Deixe tudo aí que depois eu lavo quando voltar do escritório.
_ Imagina se eu iria deixar essa louça toda por lavar! Você não me conhece mesmo, ainda... Detesto sair e deixar qualquer coisa suja, ou fora do lugar. Vou deixar essa cozinha brilhando!
_ Então, se isso te faz bem, que seja então!

Ele pegou suas coisas e foi trabalhar, deixando a casa nas mãos de Rebeca, que combinou que ele poderia pegar a chave em sua casa, quando voltasse do trabalho. Ele achou que era ótima ideia, assim poderiam conversar um pouco mais.
E saiu. Rebeca ainda ficou por mais meia hora organizando a cozinha. Trancou a casa de Rassan, voltando para a sua.

À noite, Rassan tocou a campainha da casa de Rebeca. Ela abriu a porta e o convidou para entrar.
Estava assistindo TV, e comentou alguma coisa com Rassan sobre o que estava vendo. Rassan sentou-se no sofá ao lado dela, e conversaram banalidades do dia de cada um. Rebeca então pegou a chave da casa dele, depositando-a em sua mão, dizendo:

_ Aqui está. Deixei tudo limpinho.
_ Ora, mas já está me mandando embora, Rebeca?
_ Não! Só estou te entregando a chave antes que eu me esqueça. Ando esquecida e desatenta ultimamente... Coisas da vida...
_ Quer falar sobre isso? Tenha em mim, um amigo a partir de agora, Rebeca.
_ Não vamos falar de problemas, ok? Olha, me diz: Você não quis se casar, por quê?
_ Sabe Rebeca, cuidei muito de meus pais e irmãos, por ser o mais velho, não tive tempo para viver um romance.
_ Mas nunca se apaixonou? Não teve pelo menos alguém, que lhe deixasse com vontade de tentar uma vida a dois?
_ Não, infelizmente... Mas agora quem sabe? Meus pais já faleceram, meus irmãos são adultos agora, cada um tem sua vida... E eu vim parar aqui nessa cidade, montei meu escritório, comprei uma casa, tenho um carro, só falta a esposa... Mas, quem vai querer um homem de 45 anos, que não sabe o que é o romantismo?
_ Meu amigo, tem sim. Você vai encontrar aquela que mexa com teu corpo e tua alma... Dê tempo, ela vai aparecer. Como dizem por aí:
"Casa nova, vida nova"
_ Tomara, Rebeca, tomara...
_ Olha, que tal sairmos para uma volta? Quem sabe você não se anima um pouco, e consegue desinibir e conhece alguém interessante? Talvez um barzinho com piano ou se preferir uma danceteria...
_ Sabe o que eu queria mesmo? Era te fazer gostar de mim.

Pegando as mãos de Rebeca, Rassan as beijou carinhosamente. Ela ficou emocionada com aquelas palavras e aquele gesto.
Na verdade, ela esperava isso, que ele a notasse de forma diferente, com interesse de homem para mulher... 
A ideia de sair para que ele conhecesse alguém, era só um disfarce da parte dela, para que ele não pensasse "de cara" que ela estava gostando dele...
Todavia, desde seu sonho da noite anterior, não tirava Rassan da cabeça!
Ficou encantada com a possibilidade de ser ele o homem da sua vida.
Rapidamente e antes que ela dissesse qualquer coisa, Rassan a beijou apaixonadamente...
Era o que ela desejava mesmo dentro de si:
O coração acelerou, o rosto esquentou e até rosada, ela ficou!
Ele percebendo, perguntou então:

_ Que acha de ser a mulher da minha vida? Aquela que eu tanto esperei por esses anos todos...
_ Sabe, Rassan, eu gostaria de ser essa mulher sim!
Se tiver paciência comigo, com os meus esquecimentos, desatenção e tudo mais...
_ Para o amor, isso são apenas detalhes, que poderemos superar. Faltava mesmo uma pessoa "atrapalhadinha" na minha vida. Agora vou cuidar de você, e não ficará tão aérea como você diz que fica...
_ Olha, vou dar trabalho, sou assim, mas tem um outro lado meu que você ainda não conhece:
A mulher apaixonada, que quer muitos carinhos, amor, prazer...
_ Pois, esse lado teu, quero conhecer a partir de agora. Porque você é incrivelmente sedutora; percebi isso, desde a primeira vez que aqui cheguei.
_ Já tive alguns homens na minha vida, não vou te enganar, mas foram experiências que nada representaram para mim, porque o que realmente eu queria, eles nunca me deram: AMOR, de verdade.
_ Imagino, minha querida... A maioria dos homens, deixam-se serem guiados apenas pelo instinto animal, e quando realmente se encontram apaixonados, podem até cometer loucuras, devido a isso mexer tanto com a cabeça.
_ Sim, é isso que sempre pensei também.

Eles se entre olharam como se lessem a mente um do outro, e Rassan a abraçou com todo seu carinho, que ela retribuiu com beijos que demonstravam a mulher sedenta de amor que era. Rassan então, continuava com os beijos, que eram agora divididos entre lábios, nuca, pescoço, ombro... Estavam querendo o mesmo naquele instante:

Ter um ao outro, completamente, fazendo desse momento um verdadeiro romance, recheado de amor e prazer.
Rebeca segurou sua mão e o levou até seu quarto. Rassan estava surpreso com a volúpia dos beijos dela. E sabia que seria muito bom estar ao lado de uma mulher tão desejosa assim... Rebeca era despida suavemente, peça a peça, e em cada centímetro de nudez, uma beleza se revelava...
A última peça, ela mesma retirou: O espartilho!
Ele parou por segundos, admirando aquele corpo que estava ali, querendo ser saciado em seus desejos mais íntimos...
Rebeca o despiu também, coisa que ele nunca tinha permitido antes a uma mulher, até aquela data.
Na sua virilidade, sempre ele mesmo tirava suas roupas.
Contudo, com ela era diferente, podia sentir isso no ar:

 Era uma mulher especial, e isso o fez se deixar levar, pelo que ela quisesse fazer com ele no momento...
Nus, delirantes de desejo e paixão, selaram essa vontade, com a entrega de seus corpos, entre carícias, toques, beijos.
A união das carnes agora era perfeita, e Rebeca tinha dentro de si, não apenas um homem qualquer fazendo sexo, e sim, aquele que seria o amor do resto de sua vida...
Seu sonho estava sendo realizado literalmente, e a noite com seu sheik, agora era real!

FIM

FÁTIMA ABREU 
Fatuquinha

 Nota: 
Rebeca é mais uma das personagens do meu livro: A TRILOGIA DO 'CÍRCULO' .

 

Dueto Sobre o Amor - Republicado hj




Amor

O amor chegou sem aviso.
Olho no olho.
Corpo em inércia.
Alma em ebulição...
A razão deixa de existir, e a emoção prevalece.
Um amor tão profundo, vindo
Do fundo do "coração dessas almas"
Almas que se projetam dos corpos
Se fundindo em uma única:
Dois corpos, uma alma, o Amor.
Laço forte!
Nada  tem o poder  de desatá-lo.
Na separação, o amor  não acaba, fica  adormecido...
Basta um pequeno sinal, para novamente despertar.
Quando a luz se apagar.
Somente restará para quem fica, a saudade.
A saudade que dói, que corrói, que fragiliza.
Um corpo sem alma, apenas o vazio...
Amor muito intenso, que é capaz de absorver outros amores!
Para se fortalecer ainda mais...
Extrapolando vidas.

Outros amores podem surgir, mas, não tão profundos.
Apenas no fundo do coração.
Que não terá a mesma intensidade;
Amores passageiros serão muitos...
Não deixando marcas, apenas histórias de vida.

JDavi Miguez

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O Amor!

Ah, esse que nos faz dizer tudo em apenas uma única palavra...
Esse, que fala com os olhos, chora com o cenho franzido, de saudade sentida...
Ah, o amor!
Esse que nos faz  sorrir para a vida e derramar rios de paixão não correspondida...

Ah, o amor!

Criança dentro de nós, deixando amolecer a vida, porque ele nos preserva o sonho.
E essa criança viva em cada um, pode se tornar adulta de um momento para outro.
O amor então, já maduro, procura outro que lhe caiba  dentro do coração.
Essa expressão máxima de sentimento, é que faz valer a vida!
Saber que existe motivo para sorrir e deixar o futuro seguir sem preocupações:
Porque o que importa simplesmente, é o que se passa no momento presente.

Fátima Abreu Fatuquinha


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A ROSA- DUETO- Republicado hj

A Rosa

Espinhosa sim
bela também
com várias cores
 rosa minha
 rosa do  amor
 rosa branca da harmonia
 rosa amarela da esperança
 rosa vermelha, esta não só minha, da paixão,
a  rosa espinhosa 
com suas pétalas aveludadas
que exala seu perfume suave 
que inebria os corações apaixonados
 rosa
que tandos corações conquistou
e muito outros ainda serão 
com sua beleza e perfume



A rosa que de perfume se encobre
Que exala como pode
Que almeja mais do que encantar
É de sua natureza saber brilhar
A rosa a mais bela das flores
Rainha, mestra formosa
Que diriam os poetas sem a rosa?
Tal qual a lua no céu
É  a rosa que nasce no jardim
E traz nuances belas como o carmim.
A rosa bela e fogosa
Qual mulher.
Beijando seu homem enquanto puder.









quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Mais Sobre meu Livro: Conexão

 


Sinopse:

Cinco pessoas. Cinco países. Cinco comas.

Um menino do Rio, uma formanda mexicana, um advogado italiano, uma modelo sul-africana e um senhor coreano.

Eles não se conheciam no plano físico, mas suas almas já se conheciam há muito tempo. No plano astral, ligados pelo cordão de prata, eles formam uma amizade que transcende idioma, idade e distância.

Quando acordam, nasce uma pergunta que move toda a trama: Como reencontrar no mundo real quem você amou no outro lado?Uma história sobre carma coletivo, perdão, reencarnação e sobre aquela sensação de que algumas conexões são eternas.

"A conexão não se perde. Ela é transcendental. As almas se reconhecem."

Com carinho, dedicado a quem acredita que ninguém se encontra por acaso.

 E ao BTS, minha conexão diária de amor e inspiração. 💜📖Esse foi o livro 32 - Fátima Abreu (Fatuquinha)

Escrito em Maricá, maio de 2025.

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Atenção: Não atendo ligações!

domingo, 23 de agosto de 2026

Duplo Sentido- Dueto republicado




E mais uma vez o trem partiu.
Devagar, foi percorrendo seu caminho
Ao circular a estrada de ferro,
Entrava no túnel e saía...
Entrava novamente, saía...
Pela mesma estação várias vezes passava.
Não apitava, mas, sua cadência anunciava novamente a  passagem.
As emoções eram muitas no vai e vem do trem.
Quando ele sumia no túnel, era mais um delírio...
O maquinista cansando daquele percurso,
Outra linha queria percorrer.

Desfez da montada.
Para uma nova construir...
Queria um túnel reto para entrar e sair com mais velocidade!
O trem chegava ao outro lado:
Passando por uma cachoeira,
Um pequeno lago abaixo.
Dele, um  veio  a planície deslizava
O trem entrava e saía  no novo túnel, com toda a velocidade...
Aquele movimento frenético dava ao maquinista muito prazer!
Tempos depois, exausto, deu o último apito para a brincadeira encerrar.

JDM


********


O trem e o maquinista descansaram da viagem, de todo o trecho percorrido na ferrovia.
Certamente que aquele percurso novamente seria feito...
Era o cotidiano do trem e sua estação final.
Nos caminhos percorridos haviam montes e vales, e desagues...

Rios espessos de uma cor quase translúcida.
Sons que cortavam o silêncio dessas paragens...
O maquinista renovado então, recomeçava outra vez sua viagem calorosa...
O trem seguia ávido de novas aventuras!
E aquele caminho tão sinuoso, com curvas detalhadas, o recebia contente.
Passava mais uma vez pelo túnel...

A certeza era de que, ao chegar novamente na estação da partida inicial, nesse movimento de vai e vem,
o apito mostraria o êxtase total...

Fátima Abreu Fatuquinha



O LUAR DE SAPUCAIA: A HERDEIRA - MINI NOVELA- REPUBLICADA






* Republicando novamente para quem ainda não leu, ter essa oportunidade. Jane é uma das personagens do meu livro: 
"A TRILOGIA DO "CÍRCULO", que começa exatamente com essa trama:


Acabava de chegar ao lugar, repassava em sua mente, os acontecimentos que a levaram até ali...
Um homem baixo, atarracado, de óculos fundo de garrafa e uma gravata que nada combinava como terno, chegou ao seu escritório pela manhã, dois dias antes.
Procurava com olhos atentos quem viesse lhe atender, tocou a campainha...
Jane, que estava no lavabo, respondeu lá de dentro:

_ Já vou, aguarde apenas um momento!

O homem se sentou em uma das cadeiras de couro preto, perto do bebedouro de garrafão. Estava com calor, bebeu um pouco d´água geladinha, e no seu pensamento, reclamava do calor do Rio de Janeiro já aquelas horas da manhã...
Jane apareceu então, e ele se levantou num salto.
Disse então com a voz trêmula:

_ Srta Jane?
_ Sim, eu mesma. O que deseja?
_ O assunto que me traz aqui, é delicado. Sou Jorge Britto, advogado.
A srta é agora herdeira de um primo distante, que não tinha esposa, filhos, nem sobrinhos,
chamava-se Patrick Alves Lima. Um solitário, que Deus o tenha...
_ Ah, sim? Desconhecia esse primo, mas prossiga, por favor.
_ Ele vivia até a sua morte brusca, na pequena Sapucaia, no interior do estado. Pediu-me como seu advogado, que buscasse algum parente vivo ainda, para deixar seu patrimônio. Pesquisando, cheguei até seu nome. E aqui estou, cumprindo meu dever.
_ Sim, é verdade que lamentavelmente a família foi se acabando, morriam na maioria do coração e agora ninguém me resta... Mas me responda: Como foi a morte "brusca" desse meu primo?
_ Bem, o que se sabe que ele andava sem falar com ninguém cerca de uma semana antes do acontecido, inclusive o celular dele foi encontrado desligado, dentro do carro, que estava totalmente aberto.
O corpo boiava no rio, perto de seu sítio. A polícia local investiga o caso. Mas isso fica com os
peritos... A minha parte é deixar com a srta, esses papéis, e leia com muita calma. O resto terá de
ser feito em Sapucaia mesmo, no cartório. A srta terá de ir até lá, para assim poder dar entrada nos trâmites e receber tudo que lhe é de direito.
_ O senhor estará lá, para me orientar?
_ De certo que sim. Deixo meu cartão para tirar qualquer dúvida. Quando poderá ir até Sapucaia?
_ Depois de amanhã, porque terei que deixar tudo certo aqui, arrumar alguém para cuidar de minhas coisas até meu retorno.
_ Claro, claro... Então nos encontramos na praça central da cidadezinha, às 11:30h depois de amanhã, está bem para a srta?
_ Ok, estarei lá. Tenha um bom dia!
_ O mesmo, srta Jane...

Ele respondeu pensando:
" E quem tem um bom dia, nesse calor de 40 graus?"

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Jorge Britto fechou a porta atrás de si e Jane ainda olhou por um momento para os papéis que
estavam em suas mãos.
Pensou para si:
"Depois eu cuido de ler tudo isso. Agora ao trabalho, Jane! Você tem muito o que fazer até viajar para Sapucaia..."
Há mais ou menos 2 anos, investiu no seu escritório. Era um negócio pouco conhecido:
Gerenciava uma firma de prestação de serviços, e ao seu comando, estavam empregadas
domésticas, eletricistas, bombeiros hidráulicos, jardineiros, motoristas particulares, etc...
Teria que deixar alguém de sua confiança para cuidar da firma, e ainda alimentar seus peixinhos no aquário de sua casa. Ao fim do dia, já havia conseguido:
Lembrou da antiga vizinha, que conhecia desde os tempos de menina, para cuidar dos peixinhos e deixar a luz de fora da casa acesa, durante a noite.
Para gerenciar a firma no seu lugar, chamou sua amiga íntima: Lorraine. Elas eram como unha e carne, dividiam até seus pensamentos, se isso fosse uma coisa possível!
Respirou fundo, tudo certo...
Sapucaia aí vou eu! Pensou, enquanto escolhia a roupa para a sua pequena mala.


A praça era bem agradável. Jane percorreu com os olhos tudo à sua volta. Era muito limpinha a cidade... Ah, se o Rio fosse como nas pequenas cidades do interior, pensou...
Deu uma voltinha pelo lugar, e achou bonita a fachada da prefeitura.
Olhou para o relógio, e verificou que já estava quase na hora marcada, para o encontro com Jorge Britto.
Procurou um lugar para sentar, reconheceria de onde estivesse, aquele homem...
Já para o advogado, a lembrança dos olhos encantadores de Jane, não era fácil esquecer...
Reparou que ela era uma bela morena de trinta anos. Corpo razoável, dedos curtos, cabelos cacheados que faziam de seu rosto uma moldura perfeita!
Mas sabia, dentro de si: Jamais tal mulher olharia para ele com outros olhos, sua figura era realmente sem graça...
Mesmo assim, também era ele um homem muito bem casado, por sinal...


Jane estava vestida com um bonito conjunto de blusa e saia, azul anil.
O homem chegou e pareceu bem suado, como se tivesse corrido para estar ali a tempo.
Enxugou com um lenço que tirou da calça, o suor que descia pela testa.
Disse para Jane:
_ Bom dia, srta Jane. Apesar desse calor... Como vai?
_ Bem obrigada, sr Britto. Vamos cuidar das coisas pendentes então?
_ Sim, a caminho do cartório vou lhe falando sobre seus novos bens.
Jane ficou surpresa em saber que agora além de ter uma nova casa de 4 quartos, varanda e quintal
imensos e ser dona de um pequeno sítio, ainda teria uma boa quantia em dinheiro transferida para sua conta, que seu primo deixara no banco.
Parecia que tudo estava indo bem demais para ser verdade, embora teve uma ponta de
arrependimento de pensar dessa forma:
Afinal, era pela morte do primo que estava ali tomando posse de tais bens...
Não sabia o quanto isso mudaria sua vida, daquele momento em diante...


Jane foi atendida rapidamente no cartório, afinal, o sr Jorge Britto era um advogado muito conhecido no lugar, sendo assim, tudo foi resolvido. Ao sair dali ele a convidou para um almoço, já passava de 12:30h, e Jane estava com muita fome aquelas alturas...
Jorge Britto a levou em um dos restaurantes que almoçava sempre, e Jane achou muito agradável e limpo, o lugar. Conversavam sobre a cidade e coisas corriqueiras...
A certa altura da conversa, ele perguntou o que ela faria de agora em diante, com os bens que acabara de herdar.

_ Desculpe a curiosidade, srta Jane, mas é que eu cuidei do caso para meu amigo Patrick, então...
_ Não há problema nenhum na sua pergunta. Apenas ainda não me decidi, terei que estudar como vou conciliar meu escritório no Rio, com as coisas daqui de Sapucaia... Mas me diga: Era amigo de meu primo, há muitos anos?
_ Sim. Desde a escola secundária. Depois cursamos a mesma Universidade, em cursos diferentes:
Ele, Biologia e eu Direito, mas sempre estávamos juntos. Era um ótimo amigo...
_ E como ele era na vida social?
_ Tinha uma meia dúzia de amigos, não tanto como nossa amizade, porque éramos como irmãos...
_ Ah, como eu e Lorraine.
Ao ouvir esse nome, Britto ficou atento, e perguntou:
_ Lorraine, é sua melhor amiga, de onde ela é?
_ Sim, ela é. Mas acho que ela é catarinense, pelo menos a mãe dela eu sei que era... Na verdade, nunca perguntei de onde ela era...
Nos conhecemos pouco mais de 3 anos, antes de abrir minha firma, mas é como se estivéssemos sempre juntas desde a infância. Sabe que até os nossos pensamentos são parecidos?
E ALÉM DISSO, TODA AQUELA SENSAÇÃO DE FAMILIARIDADE DESDE QUE FOMOS APRESENTADAS A
PRIMEIRA VEZ... Pensou Jane...
Um amigo em comum nos apresentou, chamava-se Breno. Continuou...

_ Chamava-se, morreu então?
_ Sim, uma pena! Era uma boa pessoa. Faz um ano da morte dele. Aparentemente era bem
saudável, mas de um momento para o outro um ataque cardíaco, o levou...
O advogado ainda filosofou:
_ A morte não escolhe, ela simplesmente chega para todos!
E Jane assentiu com a cabeça, terminando seu almoço e pedindo um café ao garçom.
Saíram do recinto e Jane apertou a mão de Britto agradecendo. Mas de súbito, perguntou:
_ Sr Britto, devo alguma coisa? Quem paga seus honorários?
_ De forma nenhuma. Não se preocupe, Patrick me pagou muito bem pelo serviço, antes de sua morte... Aqui estão suas chaves, da residência na cidade e a do sítio. E quanto ao dinheiro: Será transferido para sua conta, o mais rápido possível. Então até outra hora, srta Jane...

_ Sim, até logo, e mais uma vez obrigada.

O advogado seguiu rapidamente tal como chegara antes, na praça.
Jane se perguntou se ele era sempre apressado assim...


Jane tomou um táxi na praça e rumou para sua nova propriedade.
Levou um susto ao perceber como era grande, de portões gigantescos... Pagou o táxi e abriu os portões, havia uma calçada cimentada ladeada por uma grama bem cuidada, árvores frutíferas,
um poço antigo que dava ao lugar um "que" de nostalgia...
Abriu a porta da casa, que era de madeira maciça, bem talhada.
Ao entrar, percebeu que ali havia objetos de Arte de grande valor de um lado, e potes de vidro com cobras no formol, de outro...
‘Natural’, pensou... Meu primo era biólogo...
Andou pela casa explorando, deu então no escritório de Patrick. Lá as paredes eram revestidas de tábuas corridas e o chão também. Numa das paredes, viu um retrato pintado à óleo de uma bela mulher loira, que repentinamente lembrava alguém...
Reparou também que havia alguns porta retratos de seu primo com amigos, presumiu...
Mas uma foto lhe chamou a atenção instantaneamente:
Era Lorraine e ele, abraçados!
Como poderia ser isso? Ela nunca havia mencionado que o conhecia, nem o seu nome! Muito estranho...
Pegou o celular da bolsa e ligou:

_ Alô, Lorraine? Tudo bem por aí, amiga?
_ Oi, tudo ok, Jane. E você, já resolveu tudo, quando volta?
_ Sim, tudo acertado aqui. Voltarei amanhã pela manhã. Agora estou dentro da casa, conhecendo tudo de meu primo Patrick. E sabe de uma coisa? Ele tinha muitas fotos com seus amigos, apesar de ser solitário!
_ É mesmo?
_ Sim, e numa delas está você!

Um silêncio de segundos pairou no ar.
Lorraine pensou rápido:

_ Amiga, deve ser alguém bem semelhante. Eu não o conhecia.
_ Não! Era você na foto, tenho certeza! Por que não admite, o que está escondendo?
_ Quando você voltar, Jane... Quando você voltar...

Desligou o telefone.
Lorraine achou tudo muito estranho, ela nunca agira assim antes...
‘Há um mistério aí, e eu vou descobrir amanhã’.


Jane olhou pela janela do quarto que escolhera para dormir naquela primeira vez em Sapucaia.
O luar era lindo! Nunca vira a lua daquela forma tão brilhante, cheia e próxima..
Parecia que estava apenas a 1 km da Terra! Isso a magnetizou.
"O luar de Sapucaia, é o mais lindo que já vi, acho que me encantei com essa cidade, quem sabe, abro uma filial aqui e me estabeleço de vez? Mas antes, tenho que saber de algumas coisas sobre
Lorraine. Ela estava muito diferente, e nunca havia dado com o telefone sem se despedir de mim..."
Pensava, enquanto admirava aquele luar singular..
.

E no Rio, Lorraine estava preocupada, uma nuvem cinza passava por sua mente calculista:
"E se ela descobrir tudo, o que faço? O que vou dizer amanhã para ela?
Tenho que procurar Rubens, ele me dirá o que fazer."

Ligou para ele, disse que era muito importante, marcando um encontro no bar da mãe Rubens.
Saiu em disparada para o bairro onde ele morava: Era um lugar feio, ruas escuras, quase sem iluminação, pessoas estranhas que pareciam ladrões... Não gostava dali, mas era ali que ele vivia, e teria que lhe falar o mais rápido possível, ainda aquela noite.
Ali estava Rubens no bar, sentado, mexendo com seu baralho. Lorraine chegou e foi direto ao assunto:

_ Jane está desconfiada de mim. Viu uma foto minha e de Patrick, na casa de Sapucaia.
_ Bem sendo assim, temos que agir com cuidado, inventando uma desculpa: Diga para ela que não se lembrava dessa foto. Mas que uma vez, esteve naquela cidade com um grupo da faculdade, e ali foram apresentados... E como ele tirava muitas fotos com os colegas, a convidou para também tirar
uma, com ele. Ela "engolirá"!
_ Não sei, ela é muito esperta... Mas é o que me resta fazer... Se ela descobrir a verdade será nosso fim!
_ Sim, sim... Agora vai já ocupou muito meu tempo.
_ Ok. Te ligo depois.
_ Vai! Não escutou ainda?
_ Tá, tá...

Lorraine ficou pensando como suportava o mau humor de Rubens, talvez porque ele era ótimo amante. E seu físico bem malhado a atraía... Além do segredo, é claro, que os envolvia.
Saiu a passos largos, detestava estar ali. E pensar que tudo foi tramado em uma mesa daquele bar!


Jane ainda digeria tudo em sua mente, quando pegou o ônibus de volta ao Rio, pela manhã.
Ao chegar em casa, encontrou D. Matilde dando comida aos seus peixinhos. Deu um cordial " bom dia".
E ela respondeu:

_ Aqui correu tudo bem ontem, Jane. Bom dia para você também, vou embora, já que está de volta.
Olha, um sujeito andou rondando a vizinhança de noite. Tome cuidado, minha filha, porque ele não é conhecido daqui da região.
_ Ah, foi? Nossa! Eu agradeço ter cuidado da minha casa, D. Matilde.
_ Não agradeça Jane. Faço com gosto, afinal eu e sua falecida mãe, éramos amigas de longa data!
Te vi crescer, menina!
_ Eu sei.

D. Matilde entregou o vidrinho da comida de peixes nas mãos de Jane, que deu um beijo no rosto vermelho da senhora, enquanto fechava a porta da sala.

Jane lembrava agora do quadro pintado na parede do escritório de Patrick: Uma bela mulher loira que se parecia com alguém que conhecia...
Puxou pela memória fotográfica... Sim, era isso: Parecia com Lorraine, sendo um pouco mais velha, seria sua mãe?


Cristina Pires era muito bonita. Tanto, que naquele ano concorria a miss pelo estado de Santa Catarina. Tinha um lindo corpo e olhos verdes graúdos. Giovani Lima era o Relações Públicas do concurso.
Já havia um certo interesse no ar de ambas as partes. Ele resolveu chamar Cristina para jantar, queria impressionar.
Ela, de sua parte achava Giovani bem atraente e bem relacionado. Talvez lhe fosse bem útil no futuro. Queria ingressar na carreira de modelo fotográfico, ele poderia lhe ajudar nessa empreitada...
Aceitou o convite.
Lá pelas 21:00h estavam no restaurante muito bem escolhido por Giovani. Era adorável aquele ambiente, pensava Cristina...
O homem puxava os mais variados assuntos com ela, até que chegou na pergunta principal:

_ Cristina, o que fará se não for a nova miss Sta Catarina? Quais seus planos?
_ Sabe Giovani, penso em tentar carreira de modelo no Rio ou em São Paulo. Lá é que as coisas acontecem!
_ Sim, é verdade. Boa escolha, afinal você é linda!
_ Obrigada, você é gentil.
_ Eu vou para o Rio, tão logo acabe o concurso, quer ir comigo, se não conseguir ganhar?
_ Ora, não esperava por isso, esse convite de sua parte... Mas aqui não tenho ninguém, nada me prende em Srta Catarina. Se não conseguir me tornar miss, vou com você!
_ Certo. Brindemos então!

Os dias se passaram e ela não ganhou o concurso.  As malas já estavam prontas e ela partiu para a sua nova vida no Rio, ao lado de Giovani Lima.
Nunca chegou a ser modelo fotográfico, em vez disso, tornara-se a sra Lima. Dois anos e meio depois do casamento, ela dava a luz à uma linda loirinha:
Lorraine Pires de Lima!


A vida de Cristina foi ceifada por um trágico acidente de carro, quando ia do Rio para sua casa em Sapucaia. Giovani passara muitos momentos alegres com ela ali, quando resolveram comprar uma casa no interior do estado.
Agora a casa estava grande para ele e sua pequenina filha. Tomou coragem de assumir então, o seu caso com Adriana Alves, uma morena que havia conhecido ali mesmo em Sapucaia. Mesmo amando Cristina, tinha o sangue quente dos italianos, e de vez em quando "pulava a cerca"...

Um ano antes, Adriana também dava à luz um filho seu: Patrick. Ele ficou orgulhoso com a chegada de um filho homem, então o assumiu de vez. Trouxe Adriana e Patrick bebê, para morar na casa de
Sapucaia, junto com sua filha e ele.
As crianças cresciam juntas, mas algo incomodava Lorraine:
A preferência do pai pelo filho homem!
Ficava irritada com a diferença de tratamento que ele fazia. E ao longo dos anos, isso se tornou um tormento que ela não suportava mais. Nessa época, Giovani veio à falecer de um ataque cardíaco, assim como todos os seus parentes antes, inclusive seu jovem sobrinho Breno, tempos depois
dele...
Com a morte súbita de Giovani, Adriana fez de tudo para tornar cada dia de Lorraine, um verdadeiro caos, naquela casa. Ela queria ficar só com seu filho ali, dispensava a presença de Lorraine...
Tanto fez que ela saiu, mas antes de ir embora, procurou desesperada as jóias que tinham sido de sua mãe Cristina, em vão... Não achou, e disse em tom de vingança:

_ Um dia eu volto, acho as jóias e tomo o que é meu de direito!

Dito isso, deu as costas. E nunca mais ninguém soube de Lorraine, em Sapucaia.
Não levou muito tempo arquitetando sua vingança, meses depois Adriana também morria...


Naquela tarde Adriana recebeu um telefonema de alguém que conhecia Patrick. Dizia que Patrick estava em uma trilha, quando uma cobra o mordeu. O veneno era rápido. Ela teria de procurar no quarto dele, nas coisas da universidade, o soro anti ofídico. Mas precisava agir muito rápido, o tempo dele se esgotava...
Saiu em disparada com o carro, a estrada era muito ruim, ladeada por um barranco. Não
raciocinava direito, o coração acelerava...
Seu único filho! Não poderia viver sem ele!
Um carro a perseguia, ela não havia notado, mas em uma manobra, jogava o carro de Adriana, barranco a baixo...
Um homem parou o carro, e observava com um sorriso sarcástico nos lábios: Era Rubens. Pensou em segundos:
"Mais um bom trabalho feito!"


Uma voz do outro lado da linha, relatava os fatos...
Lorraine estava contente, porque a primeira parte de sua vingança começara... Desligou o telefone, já sabia agora da morte de Adriana.
Agora a segunda parte seria se aproximar de sua priminha distante: Jane!
Precisava um jeito... Procurou seu primo Breno no Rio, queria que ele indicasse uma boa firma de prestação de serviços. Ela sabia que Breno conhecia Jane, sem nunca adivinhar que também faziam parte da mesma árvore genealógica... Uma dessas coisas do destino!

Ele apresentou-as cerca de 3 anos antes, Lorraine contratou os serviços da firma, e aparentava interesse nas coisas de Jane... Ficaram muito amigas. "Amigas demais", pensou Breno...
O primo tornara-se um problema para Lorraine:
Era difícil ficar com Jane sem ele estar por perto o tempo todo, e isso não estava em seus planos.
Decidiu eliminá-lo. Ligou mais uma vez para Rubens...

_ Oi, sou eu. Tenho mais um ‘trabalhinho ’para você:
Acabe com meu primo Breno, antes que ele me atrapalhe... Não quero saber como, faça parecer um ataque cardíaco, afinal, todos morrem na família dessa forma... Ninguém estranhará...
_ Ok, mas sua conta só cresce comigo...

Rubens desligou o telefone e já sabia como dar um fim em Breno. Afinal eram amantes também...
Bastava uma bebidinha preparada, e não deixaria vestígios... Seria um parada cardíaca rápida.
"Uma pena, pensou... Breno era um bom amante!"


O nome de Lorraine não saía da cabeça de Jorge Britto...
"Seria a irmã de Patrick? Pelo que disse Jane, a mãe dela era catarinense, confere...
Mas se fosse ela, porque não mencionara que era prima, mesmo distante haviam laços...
Estranho, muito intrigante tudo isso".
Pensou em ligar para Jane, e fazer algumas perguntas para averiguar, porque se Lorraine estivesse viva, a herança teria de ser repartida entre elas, porque Jane era favorecida e Lorraine, irmã de Patrick...

_ Alô, srta Jane?
_ Sim, e pela voz é o sr Britto. Como vai?
_ Bem obrigado. Estou lhe incomodando?
_ De forma alguma, do que se trata?
_ Estou curioso com uma coisa: A sua amiga Lorraine... Qual o sobrenome dela?
_ O nome dela é Lorraine Pires de Lima, mas qual o interesse? Diga-me por favor, porque encontrei uma foto dela com meu primo na casa de Sapucaia...
_ Então é mesmo ela! A filha desaparecida de Giovani e Cristina...

As coisas ficaram claras agora: O retrato da parede, era a mãe de Lorraine, e a foto dela com Patrick...
Mas, ainda havia um grande mistério aí:
Por que Lorraine nunca mencionou tal parentesco?
Jane permanecia calada, e longe ouviu a voz de Britto lhe chamando de volta:

_ Srta Jane? Não me escuta?
_ Ah, sim... Obrigada por tudo sr Britto foi de grande valia essa nossa pequena conversa.
_ Quero lhe pedir que me mantenha informado, srta Jane. Afinal pode ser que ela recorra na Justiça os direitos de irmã. Antes, ela tinha sido dada como desaparecida, a srta entende minha situação?
_ Mas claro! Eu mesma vou tentar conversar com ela sobre isso... Depois ligo, ok?
_ Ok, obrigado.

Jane pousou o celular devagar no colo... Mas que coisa! Lorraine tinha muito que lhe explicar...


Depois da eliminação de Breno e de Adriana, restava apenas para Lorraine completar sua vingança, acabar com seu meio irmão, sem deixar dúvidas que fora mais uma fatalidade...
Precisava arquitetar bem seus planos dali para frente, cada passo muito bem pensado...
Enquanto ela pensava, Rubens já sabia como fazer:

_ Vamos fazer um guerrinha de nervos com ele, Lorraine:
Passo como seu sequestrador, ele "engolirá" isso, porque faz tempo que não dá notícias, e até acham que você morreu. Soube que ele pediu a um advogado amigo dele, um tal de Jorge Britto, para procurá-la ou algum parente ainda vivo. Porque tem medo que o patrimônio não fique para ninguém...
Voltando ao plano: Exigimos que ele vá até o rio perto do sítio, para entregar o seu resgate.
Daremos uma semana de prazo, para que você seja "entregue" na troca pelo dinheiro.
Ele ficará sem falar com ninguém durante essa semana de espera. Direi que nem celular ele atenderá, a menos que veja o meu número, que é claro, vai ser de um celular clonado...
Depois, farei com que ele corra para te salvar de dentro do rio, porque ele imaginará que você está se afogando...
E então, eu chego por trás, e o afogo. Não acha um bom plano?
_ Sim, é. Sua mente realmente é de um bandido... Tem vezes que até eu, tenho medo de você.
_ Isso só me deixa como ego lá em cima... Mas não se preocupe, não tenciono te matar, afinal você
é minha amante.
_ Ainda bem!
_ Agora vou por em prática, farei minha primeira ligação de ameaça para seu irmãozinho Patrick...
_ Ok, mas mantenha contato. Quero saber de tudo.

Ela lhe deu um beijo bem acalorado, e saiu apressada.


Foi assim que tudo se deu... Numa manhã, o carro de Patrick foi encontrado perto do rio, todo aberto, o celular desligado.
O corpo boiava, a expressão do rosto parecia ter ficado marcada por intenso terror.
A polícia investigava o caso: As chamadas anteriores no celular, seriam a primeira coisa a procurar, mas não deu em nada essa linha de raciocínio, porque foi descoberto que o número das chamadas eram de um celular clonado...
Haviam pegadas de pés número 42/43 talvez, seria então um homem!
Dificilmente uma mulher teria tais números de calçados, mesmo as mais altas!
O delegado começaria procurando então pela lista de homens que Patrick conhecia, desde a universidade até os dias atuais.
Ele poderia ter alguém que o tivesse ameaçado, uma briga, uma vingança prometida por um desses homens, depois de algum tempo esquecida por parte de Patrick..
.

Lorraine, finalmente ficara livre do irmão indesejado, que tantos anos teve que tolerar a convivência, em nome do amor que nutria pelo seu pai.
Agora o resto era fácil:
Cada dia mais ganharia a confiança da priminha e depois de conquistá-la, faria com ela o mesmo.
Ninguém acreditaria que Lorraine seria capaz de matar sua melhor amiga,
E ficaria como única herdeira do patrimônio deixado.
Sem brigas na Justiça, sem ter que se explicar por ter sido dada como desaparecida. Apenas surgiria do nada, e reclamaria ao juiz sua herança. Pois dessa vez, não teria mais nenhuma pedra no seu caminho...
Rubens ficaria sempre com ela, eram amantes e cúmplices em toda trama.
Viveriam muito bem dali em diante, era só questão de mais uns dois ou três meses...


Jane estava preocupada teria de ir com jeito para não provocar uma ataque de ira em Lorraine, pois
mesmo sendo amigas, sempre notava uma certa agressividade da parte de Lorraine com as
pessoas a sua volta. Tinha vezes que presenciava um jeito de olhar estranho, quase vil, sem falar em momentos que também mostrava estar insatisfeita com isso ou aquilo... Tinha dores de cabeça muito fortes, e agora sim entendia uma coisa que antes não havia notado:
Depois dessas dores de cabeça, Lorraine mudava sempre de comportamento, como se fosse outra pessoa ou até quem sabe, uma dupla personalidade...
Como tinha sido ingênua, pensou Jane! Mas é claro que é isso:
Lorraine tem dupla personalidade,
está explicado, ela não nunca ter mencionado algum parentesco... Seu outro EU se negava a isso!


A porta do escritório foi aberta, e um caloroso " Oi, amiga!", foi dito por Lorraine, ao abraçar Jane.
Um instinto dizia à Jane: " CUIDADO"...

_ Oi, Lorraine. Tudo bem por aqui? Como foram as coisas desde ontem?
_ Nada de mais, despachei uns encanadores para um condomínio no Recreio, e 2 eletricistas para Jacarepaguá. Ah, e precisamos contratar também uma personal organizer, porque é um ramo que está sendo muito procurado no momento.
_ Sim, eu sei. Agora amiga, me diz uma coisa: Disse no telefone que me explicaria sobre a foto, aquela em que estavam você e meu primo Patrick.
_ Ah, é verdade... Tinha até me esquecido... Foi uma das minhas idas com meu grupo da faculdade.
No outro grupo estava seu primo, que tirava fotos com todos lá, fomos apresentados e aí ele me convidou para também tirar um retrato com ele. Foi só isso. Uma única vez o vi, por isso não lembrava do seu nome, quando você mencionou que herdou tudo dele.
_ Sim, entendi. Ok, então vamos dar continuidade ao que foi começado no dia de ontem, não é mesmo? Ao trabalho!

Lorraine esperou Jane virar de costas, e fez uma careta como se fosse uma criança levada.
Mas, Jane agora tinha certeza: Ela mentia!
Sua amiga/prima, escondia muito mais coisas de sua vida anterior. Dia após dia saberia de muito mais ...
"Era só ter calma, muita calma"...


Os dias passavam lentos na opinião de Lorraine, era ansiosa demais.
Seu problema era mais do que dupla personalidade como suspeitava Jane, a amiga Lorraine, era uma verdadeira esquizofrênica...
Teria de ser tratada. Mas ela não sabia, seu pai desconfiava e Adriana tinha certeza, mas ela, achava-se uma pessoa perfeitamente normal.
Lorraine achava que Jane tinha acreditado na sua mentira, mal sabia da conversa dela com Jorge Britto... Jane não mencionou nem iria falar...
Queria descobrir sem "cutucar a onça com vara curta".


Jorge Britto sabia das desavenças entre Adriana e sua enteada Lorraine.
Porque mesmo gostando da irmã e sem suspeitar que ela intimamente o odiava, Patrick sempre comentava com seu melhor amigo sobre o caos dentro de casa, das brigas entre elas. Ele apenas se limitava a acalmar os ânimos...
Até que um dia sua irmã foi embora sem se despedir dele. Estava com seu grupo de pesquisa em algum lugar da Mata Atlântica, foi isso que disse para mãe antes de sair na excursão:

_ Mãe, não se preocupe, estarei em algum lugar da Mata Atlântica, agora é só imaginar onde...
_ Meu filho, não faz assim, me diz certinho onde você vai, para alguma eventualidade, uma emergência com você ou comigo. E também mantenha o celular ligado. Pensei que depois que você terminasse a universidade diminuiria essas trilhas... Mas vejo que só aumentam mais!
_ Mãe, agora além de biólogo, professor, faço turismo ecológico, é minha vida mãe, aceite por favor...
_ É difícil, Patrick, só tenho você, meu único filho!
_ Fique tranquila não há perigo. Temos muitos equipamentos, provisões, etc e tal...
_ Então vá meu filho, e que Deus te abençoe e guarde!

Ela não era uma mulher religiosa, mas de uma coisa sabia: A bênção de uma mãe, realmente protege seus filhos dos perigos!
Dias depois, quando Patrick voltou dessa excursão, soube que a irmã havia deixado a casa subitamente... Foi isso que disse Adriana para ele, sem mencionar uma grande briga entre elas, antes de sair "de mala e cuia"...
O irmão lamentou, ao contrário de Lorraine, ele gostava dela... Mas Lorraine era dona do próprio
destino, faria o que quisesse então...


Depois de meses sem notícias eles presumiram que ela desaparecera, ou até que tivesse morrido, porque sendo da família Lima, o estigma da doença cardíaca era uma sombra....
Mas no Rio ela estava bem escondida e pronta para dar o "bote", tal como cobra que era...
O resto, foi tudo dando como ela queria até aquele momento.
Agora, uma nova etapa: Matar sua prima Jane!


Jorge Britto resolveu repensar tudo com muita cautela. Teria de dizer ao delegado do caso, que tomara conhecimento de um fato novo: A irmã de Patrick estava viva, e que ela tinha indícios de problemas mentais, desaparecera por 3 anos, sem nunca dar uma notícia. Teria de ser ouvida em depoimento também, como parente mais próximo do falecido amigo e forte candidata à uma vingança familiar...
Ligou para o delegado. Ele ficou atento a tudo que Britto disse, e respondeu:

_ Ótimo, obrigado pela informação. É uma nova linha de investigação, já que de outras formas não chegamos a lugar algum até agora.
_ Espero que tudo seja esclarecido. Peço que me informe ao final da investigação. Patrick era como meu irmão...
_ Pode deixar Britto, eu te digo quando isso chegar ao fim.

Britto desligou o telefone, e um sorriso "amarelo" surgiu em seu lábios.


Fim de semana seguinte à chegada de Jane em casa, Lorraine convidou-a para dar um passeio à Santa Teresa. O bairro dos artistas plásticos, onde reúne ateliês de portas abertas. Mesmo nascida no Rio, Jane nunca tinha ido à Santa Teresa.
Resolveu aceitar o convite de Lorraine. Até porque, seria uma boa chance para especular de forma que ela fosse soltando aos poucos. Jane faria com que ela bebesse mais do que o normal...
Lembrou que o pessoal do escritório mencionou que quando Lorraine bebia, não tinha controle nenhum de si..
Jane não gostaria de usar tal artifício, embebedar a amiga, mas era só assim que arrancaria alguma coisa dela, sobre o passado...


Santa Teresa no verão é cheia de turistas, visitantes do Brasil e muitos, muitos estrangeiros... É também o local de maior número de artistas plásticos, com muitos ateliês. Tem os bondes, que aliás, só se encontram ali e se tornaram o cartão postal do bairro carioca.

_ Muitos barzinhos na beira da calçada, Jane. Vamos escolher um, e sentar para tomar uma cervejinha?
_ Sim, está muito calor, mas prefiro pedir uma cerveja escura. Questão de gosto...
_ Ok, eu vou de loirinha gelada mesmo.

Chamou o garçom e pediram as cervejas com uma porção generosa de batatas fritas.
Entre uma e outra conversa, Jane foi pedindo mais cervejas para a amiga, mal ela acabava, o copo estava estranhamente cheio de novo...
Assim em meia hora, Lorraine já estava bem tonta, e "no ponto", pensava Jane.
Não demorou muito ela já respondia a qualquer pergunta que Jane fazia.
E com o calor intenso e as revelações do passado de Lorraine, Jane até se sentiu mal.
Em um momento ela falou de Rubens. Jane ficou atenta. Perguntou:

_ Esse Rubens, é seu amante?
_ Só amante não, é meu cúmplice!
_ Como é, cúmplice, de quê?
_ De uma trama, ora!
_ Mas e qual foi essa trama?
_ Mandei ele matar Adriana, Breno e Patrick.

Jane quase desfaleceu ali mesmo. O choque que levou quando ficou sabendo da verdade...
Então ela era pior do que imaginava. Não era um caso de dupla personalidade, ela era má mesmo, uma assassina!
Jane lembrou do seu instinto aguçado de novo: "CUIDADO".
À essa altura ela queria desconversar para Lorraine esquecer o que tinha revelado. E disse então, recobrando a calma:

_ Amiga, esquecemos de visitar os ateliês, vamos agora? Adoro Artes.
_ Pensei que íamos ficar mais um pouco aqui no barzinho.
_ Vamos sim, Lorraine. Anda, eu ajudo você a levantar daí...

Ela estava trocando as pernas de tão bêbada! Jane mal conseguia mantê-la de pé.
Jane desistiu de conhecer qualquer ateliê naquele dia. Pediu a ajuda para um dos garçons, que pediu um táxi.
Estavam de volta agora, ao Centro da cidade. E pediu ao porteiro do prédio de Lorraine que a ajudasse a subir com a amiga, pois ela sozinha não poderia.
Quem visse a cena acharia uma vergonha! Uma mulher bonita, loira, bem vestida, naquele estado!


Jane pegou a chave dentro da bolsa de Lorraine e abriu o apartamento. Nunca havia entrado no apartamento dela, constatou. Curioso, isso, pensou...
Sempre ela vinha à minha casa, mas nunca me trouxe aqui.
Por que será, o que ela esconde aqui?
Agradeceu ao porteiro e fechou a porta atrás de si, logo depois de deixar Lorraine deitada no sofá da espaçosa sala que ela dividira muito bem, fazendo uma parte como escritório.
Jane resolveu fuxicar, aliás agora para ela era questão de sobrevivência.
Fácil saber que seria a próxima da lista de assassinatos de Lorraine, já que era a herdeira.


Remexia aqui e ali, dentro da escrivaninha, das gavetas dos armários, até que parou
abruptamente:
Encontrou o que menos esperava:
Uma foto de Breno com um homem ao seu lado, abraçados de uma forma que revelava uma certa intimidade, então era assim que se parecia Rubens!
Melhor guardar bem esse rosto, ele pode aparecer a qualquer momento.
Sua memória fotográfica firmou bem os traços de Rubens: Sujeito forte, corpulento mesmo, branco, rosto quadrado, cabelos crespos e castanhos, uma tatoo de um ninja no braço. Pronto! Agora não tem mais como esquecer.
Jane fechou a porta do apartamento e desceu pelo elevador o mais rápido que pode, ficou com medo dele aparecer por ali, afinal, Lorraine lhe disse em meio a bebedeira que ele tinha a chave.


Jane ligou para Jorge Britto, assim que chegou em sua casa:

_ Alô, sr Jorge Britto, por favor?
Uma voz trêmula disse:
_ Ele não pode atender a ninguém agora.
_ Mas diga que é importante, que é a Jane, do Rio.
_ Você não entende. Ele não pode responder porque acaba de morrer.

Jane não acreditava no que ouvia... Ele também? Meu Deus!
Seria como "pisar em ovos", todo cuidado agora, é pouco...
Ela voltou à conversa e perguntou:

_ A sra é a esposa dele? Quando será o enterro?
_ Sim, sou. O enterro amanhã, será às 11:30h, no cemitério da cidade mesmo.

Por instantes Jane lembrou que tinha sido nesse mesmo horário que ele a encontrou, na praça de Sapucaia...

_ Estarei lá, precisa de alguma ajuda financeira sra?
_ Não, obrigada mesmo assim.
_ Então até amanhã. E meus sentimentos...

Jane não entendia o porquê da morte de Britto. Afinal, era ela com certeza a próxima da lista de Lorraine!
"Amanhã será um longo dia"...

A notícia da morte de Jorge Britto pareceu surpreender Lorraine, quando Jane deixou uma mensagem no celular:

´Não abriremos o escritório hoje. Vou à Sapucaia, ao enterro de Jorge Britto.´

Estranha esse morte do Britto. De certo deve ter sido algum acidente.
A cabeça dela doía intensamente, além da ressaca do dia anterior. O que agravava seu transtorno mental.
Achou melhor dormir o dia inteiro...


As pessoas se mostravam realmente tristes, com a morte súbita de Jorge Britto. Ele era um advogado querido, e amigo de muitos no lugar.
Jane percorreu com os olhos para descobrir a viúva de Jorge Britto.
Deveria ser uma mulher de seus 28/29 anos.  Mais ou menos regulando com ele que tinha 30.
Não demorou e viu alguém que estava cercada de pessoas. Sim, com certeza era ela.
Foi até lá e se apresentou.
Deu os pêsames, mas tinha ido ali não só para o enterro, como também para saber em que circunstâncias Jorge Britto havia morrido.
Iria com calma. Não perguntaria assim, teria de especular com os vizinhos, parentes, amigos.
Perguntar diretamente à viúva estava fora de questão, já era grande seu tormento...


O delegado investigava a morte de Jorge Britto, teria sido suicídio? Ele foi encontrado pela esposa caído no chão do quarto, em uma poça de sangue, os pulsos cortados...

Essa era a opção mais óbvia, entretanto, alguma coisa não se encaixava, ele não tinha motivos para isso, Jorge Britto era bem relacionado na cidade, tinha muitos amigos, os vizinhos gostavam muito dele, a sua vida familiar também sempre foi das melhores, todos sabiam como ele se dava bem com a esposa, e planejavam ter filhos...
Não poderia ser suicídio, alguém fizera aquilo com ele, para que se fosse pensado nessa hipótese.
De qualquer forma, estaria investigado o mais rápido possível, porque alguma coisa lhe dizia que isso tinha um certo laço com a morte de Patrick...


A campainha do apartamento de Lorraine tocou. Ela olhou no "olho mágico" e viu que era uma mulher a quem não conhecia. Abriu a porta e disse:

_ Sim, o que deseja?
_ Você não me conhece, mas posso te dizer que o delegado de Sapucaia está de olho em você.
Tome cuidado!
_ Entre aqui. Mas o que está me dizendo? Quem é você, primeiramente?
_ Não quero me identificar, mas vim como sua amiga. Tome cuidado a partir de agora!

A mulher olhou bem tudo que tinha na sala de Lorraine, percebeu na parte do escritório uma foto na escrivaninha:
Parecia Rubens e outro homem, mas estava longe, teria que se aproximar para averiguar...

_ Poderia me dar um copo de água? Está muito calor, e depois disso eu vou embora...

Lorraine, foi até a cozinha e enquanto isso, a mulher sorrateiramente confirmou que era mesmo Rubens no retrato da escrivaninha.
Lorraine voltou, mas a mulher já havia saído.
"Estranho, muito estranho tudo isso"...


Jane estava com medo de voltar a encontrar Lorraine, não queria chamar a polícia, pois não tinha provas concretas, apenas a confissão dela no barzinho de Santa Teresa não era o suficiente, não havia gravado. Como não pensou nisso naquele dia?
Deveria ter colocado seu celular para gravar enquanto conversavam...
Foi para seu escritório, agiria como se nada soubesse, teria cuidado, e assim que houvesse outra chance, ela gravaria uma nova conversa, teria de embebedá-la mais uma vez.
 Lorraine chegou pouco depois de Jane. Estava estranha, parecia que o olhar estava perdido em algum lugar... Deixou-se cair em uma das cadeiras de couro da recepção.
Nada dizia, apenas o olhar perdido...
Jane não quis se aproximar, fingia não perceber nada.


Rubens estava no bar de sua mãe, quando ela chegou.
A mulher era muito mais bonita que Jane e Lorraine juntas!
Era de estatura mediana, cabelos castanhos que caíam pelos ombros. Olhos de uma cor que não se sabia se era cor de mel ou amarelo esverdeados...
Tinha um leve bronzeado, as marquinhas do biquíni apareciam na blusa "tomara que caia" que vestia...
A saia era um palmo acima do joelho, um belo conjunto verde água.
Ele se virou e disse assustado:

_ Você, por aqui?
_ Isso mesmo. E acabo de conhecer o apartamento dos dois pombinhos...
_ Você conheceu Lorraine?
_ Sim, acabo de vir de lá. É uma loira bonita. "Pena ser tão doente da cabeça", pensava...
_ E o que foi fazer lá? Me diz...
_ Fui alertar sobre o delegado de Sapucaia.
_ Ele desconfia dela?
_ Sim, e muito...

A conversa parou subitamente. Ele teria de repensar todo esquema, não poderia eliminar Jane tão cedo.
As suspeitas se levantariam contra Lorraine, agora que estava sendo visada.

_ Volte para casa, no fim de semana te vejo.
_ Eu vou sim. Te espero no mesmo local de sempre. Até lá...
_ Vai, vai...

A linda mulher se virou, deu um tchauzinho, e foi embora dali.


Jane estava desconcertada, alguma coisa tinha deixado Lorraine naquele estado. Mas o que seria?
A água do galão escorria no copo plástico de Lorraine, ela não percebia...
Jane desligou a torneirinha do galão, e se virando para Lorraine perguntou finalmente:

_ Mas o que houve hoje com você amiga?

Amiga... isso agora soava incrivelmente falso, ela refletia...

_ O quê? Não estava prestando atenção, estou com dor de cabeça.
_ Nada, nada... Se é assim, vai para seu apartamento descansar. Não trabalhe hoje.
_ Ah, vou sim. Acho que não tenho condições de ficar. Tchau Jane.
_ Tchau, "amiga"...


O fim de semana chegou e Rubens foi até o pequeno sítio onde se encontrava com ela.
A mulher já estava lá desde cedinho. Cozinhando alguma coisa para o almoço.
"É muito linda", pensou Rubens quando a abraçou, enlaçando a cintura bem feita dela.

_ Ah, chegou amor? Não havia escutado o barulho do carro. É que estou com a música no volume máximo. Deixa eu abaixar agora.

Ela foi até a copa, e abaixou o volume do som. Ele havia dado aquele som de presente para ela, depois de Lorraine o pagar pela morte de Adriana...

_ Vamos para cama, estou com saudades de você...
_ Ah, mas nos vimos naquele dia, como pode estar com saudades?
_ Você sabe de que saudades, estou falando...

Ela riu, sabia sim...
Eles se davam muito bem na cama.
Apagou o fogo da comida e foram para o quarto.


O delegado colocou um detetive da polícia no encalço de Lorraine, cada passo que ela desse seria bem observado.
Lorraine não tinha desenvolvido a síndrome do pânico, mas estava quase à beira disso. Sentia-se vigiada desde que aquela mulher chegou a seu apartamento durante a semana, quando disse que o delegado suspeitava dela...
Olhava para os lados desconfiada, mas ao mesmo tempo nada percebia, parecia que estava alheia a tudo, numa dessas, não viu um caminhão que vinha na sua direção.
FOI APENAS UM MOMENTO, E TUDO FICOU NEGRO...
Era o fim de uma assassina.


Jane recebeu a notícia cerca de duas horas depois.
Mesmo sabendo que não deveria fazer nada por ela, pois a intenção de Lorraine era matar Jane, o seu coração fez com que providenciasse todo o enterro.
E depois na saída do cemitério, ela voltou-se mais uma vez e disse baixinho:

_ Adeus, Lorraine. Poderia ter sido tudo diferente...


A campainha da porta de Jane tocava disparada.
Era D. Matilde. Jane atendeu, com muita paciência com aquela senhora, apesar de detestar que as pessoas façam esse tipo de coisa...

_ Bom dia, D. Matilde, o que houve?
_ Jane, minha filha, leu o jornal hoje?
_ Não ainda não. Só compro no caminho para o escritório.
_ É que tem uma notícia que vai lhe deixar triste, olhe.
O jornal que trazia consigo, D. Matilde entregava nas mãos de Jane.
Ela se espantou com o que a manchete dizia:

MULHER É ATROPELADA POR CAMINHÃO NA TARDE DE QUARTA FEIRA, ESTAVA GRÁVIDA.

Ah, então ela estava grávida! Que pena... Ou seria, melhor assim? Uma mulher que era assassina, não daria uma boa mãe.
Mas D. Matilde desconhecia tudo. Natural que quisesse mostrar a notícia, sabia que eram amigas como irmãs...

_ Obrigada por me mostrar D. Matilde.

Dito isso, entregou o jornal de volta à senhora.
D. Matilde ficou meio surpresa com a reação de Jane.
Mas nada perguntou. Foi embora.
Jane entrou em seu quarto e se arrumou bem calmamente. Agora não teria medo. Rubens nada faria para ela. Lorraine, sua fonte de dinheiro, estava morta e enterrada.


A notícia no jornal pegou Rubens de surpresa. Grávida!
Ela estava grávida de um filho seu!
Ele deixou a mulher apressadamente. Disse que teria de ir embora de volta para o Rio, porque Lorraine morrera.
Ela não escondeu um sorriso de satisfação:
Menos uma rival!
Ao abrir o apartamento de Lorraine, estava ali, alguém muito interessado em toda trama:
O delegado de Sapucaia.
Conseguiu uma permissão para entrar no apartamento de Lorraine para averiguações.
Rubens ficou por um minuto sem cor nos lábios, empalidecera como vela...
O delegado dirigiu-se para ele e disse:

_ Sou o delegado de Sapucaia. E o senhor, quem é? Como entra em um apartamento que não é seu?
_ É que éramos namorados, eu tinha a chave.
_ Ah, sim? Então poderá ir comigo prestar depoimento na delegacia de Sapucaia, pois não?
_ Posso sim. Não tenho nada com esse caso mesmo. Ela morreu atropelada.
_ Não me refiro à Lorraine Pires de Lima. Mas ao caso em que ela era investigada.
_ Era? Não sabia de nada. Então vamos, estou a sua disposição delegado.

Os dois homens pegaram o elevador, mas as mentes tinham um único pensamento:
Onde isso tudo vai levar...


Jane se sentia aliviada. Parecia que tudo voltava ao normal em sua vida. Podia andar na rua sem medo agora...
Na delegacia de Sapucaia, o delegado fazia perguntas à Rubens:

_ Então sr Rubens, o senhor era " namorado" de Lorraine. Não notava algum comportamento diferente do normal?
_ Sim, algumas vezes.
_ E isso não lhe deixava preocupado? Se ela fosse uma assassina, por exemplo?
_ Não, ela não chegaria a tanto. Era apenas uma mulher amargurada pelos "fantasmas" do seu passado.
_ Ah, era? E pode me falar disso?
_ Tinha ciúmes do irmão. Não vivia bem com Adriana também. Resolveu ir embora de Sapucaia, e aí foi que a conheci no Rio.
_ Sim, entendo. E ela tinha parentes no Rio?
_ Apenas um primo chamado Breno. Que também já morreu.
_ Hum... Bem, e o senhor o conheceu também?
_ Sim, fomos apresentados por Lorraine. De vez em quando, saíamos os três.
_ Bem, por hoje é só. Mas aguarde notícias minhas, pretendo lhe chamar de novo.
_ Sim, estarei pronto quando me chamar. Até logo.
_ Até logo.

O delegado sabia que ele escondia muitas coisas, e já começava achar que ele seria o cúmplice de Lorraine.


Jane recebeu um bilhete por debaixo da porta do escritório. Abriu curiosa. Por que alguém faria isso? Era só entregar em suas mãos...
O bilhete dizia:

´Jane, sei quem matou Britto, se quiser maiores detalhes, vá até Sapucaia. Deixarei um envelope relatando tudo, embaixo de um dos bancos da praça.
O envelope será azul
ASS: Um amigo.´

‘ Muito intrigante isso. Se a pessoa sabe, porque não vai direto ao delegado do caso? Isso está cheirando a uma armadilha. Será Rubens? Mas, que interesse ele teria agora em me eliminar, se Lorraine está morta e não pode reclamar a herança?
Vou direto para quem isso interessa: A polícia. Levarei o bilhete.’
Determinada, tomou um banho e trocou de roupa.
Saiu e pegou mais uma vez o rumo de Sapucaia...


Aquela praça já estava se tornando parte de sua vida. Observava Jane...
Dirigiu-se para a delegacia. Foi anunciada por um ajudante do delegado.
O delegado ficou surpreso com a visita:

_ Srta Jane, a herdeira de Patrick Lima? Pode mandar entrar sim.

Ela não gostaria de estar em uma delegacia, mas era isso que tinha de fazer. Foi direto ao assunto:

_ Sr delegado, obrigada por me receber. Estou com um bilhete que foi deixado embaixo de minha
porta. Leia, por favor.

Ela entregou ao delegado, aguardou instantes, ansiosa para que ele dissesse alguma coisa.

_ Srta Jane, pode ir até lá? Seria como isca. A pessoa que escreveu esse bilhete, com certeza vai
estar lá escondida em alguma parte, ou mesmo sentada normalmente em um dos bancos da praça, para se certificar que apanhará o envelope azul.
_ Mas vou ficar visada se fizer isso. Corro risco sabendo a verdade. Prefiro sinceramente não saber de nada.
_ Ajude na investigação, por favor srta Jane. É nossa chance, os assassinatos podem estar todos interligados.
_ Ok, delegado. Mas digo-lhe com certeza que não foi Lorraine quem matou ou mandou matar Jorge Britto.
_ E como sabe?
_ Ela me confessou ser a mandante do assassinato de 3 pessoas quando estava bêbada: Adriana, Breno e Patrick. Rubens seu amante, cuidou de tudo para ela.

Lorraine não tinha interesse nenhum em matar o advogado, até porque, cedo ou tarde teria de entrar em contato com ele, para reclamar a herança.

_ Isso faz sentido. Ainda assim, preciso que faça o favor de ir até lá pegar o envelope.
_ Está bem, mas quero que um policial esteja sempre por perto, cuidando da minha segurança tanto aqui, como no Rio.
_ Será como deseja, fique tranquila.

Ela foi apresentada ao policial que estaria a paisana, cuidando para que nada acontecesse com ela.
Saíram da delegacia, em direção à praça.
Não demorou muito e Jane achou o envelope debaixo de um dos bancos.
Uma pessoa observava atrás de uma árvore frondosa, e sorria com satisfação:
" Pronto. Está feito. Acabo de vez com a única pedra no meu sapato".
Jane abriu o envelope, e ficou de boca aberta quando soube finalmente quem matara o advogado.
Guardou na bolsa e dirigiu-se de novo para delegacia, seguida do policial que a escoltava discretamente...


Ao entrar na delegacia, Jane foi direto ao delegado, desta vez sem ser anunciada. Ele a esperava mesmo...
Entregou o envelope, ele abriu. Sua reação parecia de incredulidade.

"MAS TUDO É POSSÍVEL NESSE MUNDO"...

Jane foi dizendo com a calma que lhe era peculiar:

_ Uma coisa dessas não pode ser dada como certa. Alguém poderia querer incriminar essa pessoa.
_ Pode até ser isso srta Jane. Mas também pode ser verdade o que diz aqui. Terei de investigar.
_ Bem, acho que minha participação acaba aqui. Gostaria da segurança do policial pelo menos por
duas semanas, pois volto para o Rio agora e quero me sentir segura lá também.
_ Sem problemas, srta Jane. A srta foi muito útil nessa investigação, eu agradeço.
Apertaram as mãos e Jane seguiu de volta ao Rio.


Dias depois, o delegado tinha a certeza que a pessoa tinha mesmo assassinado Jorge Britto.
Bastava agora pedir a prisão preventiva, para que não "sumisse do mapa".
E Rubens também seria preso, pelos outros assassinatos...


Rubens estava eufórico. ‘Como sou inteligente! ‘Pensava...
Uma viatura cuidava de levar alguém para a delegacia.
´Finalmente estou livre desse caso todo. Nunca mais volto aqui!´
Pegou sua inseparável mochila, e deu adeus à Sapucaia. Não imaginava que o delegado já sabia de toda verdade...


Jane sentia uma sensação estranha... Seu sexto sentido lhe dizia mais uma vez: " CUIDADO".
Mas, quem lhe faria mal? Não, definitivamente estava imaginando coisas! Trataria de se acalmar.
O silêncio da noite não fazia com que ela dormisse. Pensava que aquelas alturas alguém estaria pagando pela morte de Britto. Olhava pela janela de seu quarto a lua, como sempre gostava de fazer em noites insones.
MAS, NÃO ERA O LUAR DE SAPUCAIA... LÁ ERA MÁGICO!

Mergulhada em seus pensamentos, não percebeu que alguém entrara de mansinho, forçando a porta dos fundos, onde era a cozinha.
Ela voltava para a cama agora, tentava o sono novamente. Se remexia, e nada do sono aparecer.
Resolveu tomar um copo de leite morno. Traria sono e mataria a fome, porque seu estômago já reclamava. Tinha o hábito de tomar leite de madrugada desde criança.
Acendeu a luz da cozinha.

ARREGALOU OS OLHOS QUANDO O VIU EM SUA FRENTE: ERA RUBENS!

Ele segurou os braços dela dominando-a. Jane gritou pedindo ajuda. Mas o guarda costas estava nocauteado, no chão da varanda da frente.
Ele lacrou a boca de Jane com uma mordaça.
Disse então, com a voz bem grossa:

_ Pensou que sairia dessa, sem que eu completasse meu último trabalhinho  para Lorraine?

Ele ria com o desespero que os olhos dela mostravam...
Ele ainda não tinha pensado como matá-la.

" NÃO DEIXARIA DE SER NAQUELA MADRUGADA."

Que lugar melhor para vingar Lorraine, do que a casa da priminha?
Ela teria de morrer ali mesmo. Deu vários socos em Jane, e o rosto dela já começava a ficar inchado... Se apanhasse mais um pouco estaria morta!
Foi quando o ruído das sirenes, tornaram-se bem fortes. A polícia estava ali! Mas como? Ele nocauteara o policial!
Jane já estava sem forças, lutando para sobreviver, as dores estavam mais fortes agora...
Ele teria de escapar dali, pulou para a casa da vizinha, a de D. Matilde.
Escondeu-se no quintal
escuro. Mas não contava com o cão que estava solto, vigiando a casa...
Foi praticamente mutilado
pelo cão, da raça pitbull. Seus gritos de socorro acordaram toda a vizinhança.
Não foi difícil prender o sujeito, estava em carne viva! Entretanto, um dos tiros para afastar o cão, pegou em cheio. O cão caiu morto.

Jane estava presa na cozinha ainda, ouvia o barulho de tudo que acontecia do lado de fora, na vizinhança. Mas e o segurança, onde estava? Alguém teria que se lembrar dela.
A polícia entrou na casa de Jane, depois que viram o segurança caído, tonto, ainda no chão...
Encontraram-na finalmente... Agradecia silenciosamente à Deus.
O guarda quando fora nocauteado, ainda teve tempo, antes de cair no chão, para apertar o celular na chamada automática de emergência. E foi rastreada a chamada de socorro...


Na delegacia de Sapucaia, dias depois, duas pessoas faziam uma acareação:
Rubens e a esposa de Britto.
Ela era a mulher que matara o advogado.
Aconteceu assim:
Depois de tomar uma droga imperceptível na bebida, (que Rubens usara no caso de Breno) ela o deixou no chão, cortando os pulsos dele, para parecer suicídio.
O resto foi encenação...

Rubens havia persuadido Susane, (era esse o nome dela) a matar o marido, pois se metia muito no caso de Lorraine. Inclusive avisando ao delegado antes, que ela estava viva.
Se Lorraine fosse presa, fatalmente Rubens seria também. Pois ela o levaria junto...
Além do mais, estando viúva, eles poderiam se encontrar sem correr o risco de ser dada como adultera. Uma viúva poderia se relacionar com quem quisesse...

Assim, depois de tudo explicado, e um julgamento, os dois pagaram por seus crimes.Terminando assim, com a série de assassinatos que começara com a mente doentia de Lorraine, seguida dos instintos assassinos de Rubens e a cabeça fraca, guiada apenas pela luxúria de amante, da linda mulher de Jorge Britto.
Jane pode voltar à sua vida tranquila no Rio, passando os finais de semana em Sapucaia, principalmente quando a lua estava cheia e brilhante...
"Luar de Sapucaia, não tem igual", pensava observando da janela...
Na casa que um dia, foi palco de tantas tramas e desarmonias...
Afinal, Jane pode dizer:

"FIM DO JOGO"

Fátima Abreu