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quinta-feira, 11 de abril de 2024

TERAPIA DA ESCRITA (reeditado)




Eu existo. Eu persisto. Eu faço acontecer; e você?

Hoje tenho novas versões de mim. Não somente Fátima e Fatuquinha.

Tenho a Faty um misto das duas anteriores. 

Essa mais recente, além de mãe, avó, namorada, autora e terapeuta, faz o papel de filha mais velha, tomando conta dos pais octagenários.

É uma odisséia nova. Uma missão a ser cumprida.

Um dia de cada vez, como uma comparação aos membros de uma reunião do AA...

Não é fácil. Na verdade, bem difícil!

Como sempre recorri à escrita como minha terapia básica, cá estou a teclar novamente.

Entre uma coisa e outra que povoa a minha mente...

Dias de expectativa: Será que vão ficar bem enquanto saio rapidamente?

Será que não vão cair?

Será isso, aquilo...?

Meu Deus! Não esperava que fosse uma tensão constante!

Por mais que a gente pensa estar preparada para determinada situação na vida, no cotidiano é muito mais complicado que qualquer ideia pré concebida!

Minha mãe me deixa muito tensa às vezes. Não é culpa dela, e sim, da mente que já não é a mesma.

Confunde, teima, repete, esquece, se enfurece se a gente teima de volta (no caso eu, e meu pai).

Muitas vezes por mais que se faça, ela ainda coloca uma ressalva aqui e ali.

Comprei duas cadeiras (que na época foram caras  para mim) para que eles quando viessem morar comigo, tivessem um conforto na hora das refeições (antes eu usava uma mesinha com bancos na cozinha somente). Ela reclamou que eram estreitas e que não se acostumava. 

Troquei a cama, por ela dizer que era alta. Fiz mudanças na casa, para acolher da melhor forma os novos moradores. Aliás, troquei de casa para uma maior, por conta disso.

Enfim, lidar com a teimosia e os interrogatórios de todo dia ("Onde vai? Volta logo? O que vai fazer? Não dá para deixar para depois?") é o que acho mais complicado.

Não estou acostumada a isso. Sou um espírito livre. Não dou satisfações a alguém há muito tempo!

Essas são algumas coisas que tento pensar: Que os interrogatórios são porque ela tem medo de acontecer algo comigo na rua, "enquanto vou num pé e volto no outro". Porque tem que ser tudo muito rápido!

E quando insistem de ir comigo: Ah, meu Deus! Complica mais ainda!

O passo deles não é o meu. A hora deles é mais lenta que a minha. Cada segundo que perco, é uma coisa a menos que faço no decorrer do meu dia. tão ocupado (atualmente, com as coisas deles mesmo).

Queria ter quem me ajudasse, pelo menos quando tenho que sair...

Tem gente que quando me vê na rua com eles, oferece ajuda gentilmente. 

Um senhor me disse outro dia, quando me ajudou a atravessar a rua com sacolas no braço, e segurando papai e mamãe: 

- Minha filha, vejo sua luta com seus pais quando vocês saem juntos... Não é nada fácil!

Pois é, os de "fora" percebem. Quem pode me julgar por estar me abrindo aqui?

Atirem a primeira pedra, quem nunca teve uma fraqueza, ou momentos assim!

Não podem dizer nada, se não passaram a mesma situação.

Eu tento levar a vida com muitíssima paciência! E quase todo tempo consigo, embora a pressão esteja grande!

Não gosto de sair de casa para médicos e exames, só quando é extremamente necessário! Levei a vida toda assim.  Passei anos fazendo isso, pelo meu falecido marido, que ficou 17 anos doente no total.

Contudo, para minha mãe, não somente agora idosa, como também antes, consultas médicas eram passeios, e exames, grandes eventos!

Agora imaginem o que mais me deixa tensa, então?

Essa enxurrada de médicos que ela insiste que precisa ir durante o ano, mesmo estando medicada para tudo. 

Ah, ainda tem as manias e crenças limitantes, que foram levadas de geração em geração, até ela. 

Coisas até absurdas; que não tem fundamento científico nenhum, mas, que na sua cabeça, soam como verdades absolutas!

E haja discurso para provar que ela foi enganada por toda vida!

Outra coisa é quando estou ao celular falando com alguém, seja por mensagem ou áudio, ela quer saber com quem! E se eu não digo logo, ela fica tentando adivinhar: 

"É com fulana, é com beltrano?"

Ela está sem filtro, sem noção, e diz umas coisas sem pensar para as pessoas, que geram constrangimento.

Acho que ficam tão sem graça, que emudecem... 

Devem pensar que todos os idosos acabam ficando sem noção do que podem e não podem dizer.

Minha mãe ainda abraça por aí, gente que nunca viu antes, que acabou de conhecer; e vai abençoando com palavras católicas, pessoas que nem sempre tem o mesmo segmento religioso que ela.

Eu já expliquei mil vezes, que nem todas as pessoas gostam de ser abraçadas por gente que não são de suas relações sociais. Ainda mais depois da pandemia, porque isso ficou bem complicado...

Não adianta eu e meu pai falarmos, porque entra por um ouvido e sai pelo outro: Ela continua fazendo isso. 

Você diria: "Idoso é assim mesmo!"

Respondo: Sim, idoso é assim. 

Porém, quem como eu, já teve tantos karmas , desafios e missões... 

Só  queria que ela ficasse tranquila  e me deixasse também.  Ando muito agitada por conta de tudo isso.

Deixei de dar aulas online, de sair com meu namorado. Estou fazendo certos sacrifícios por eles, natural, eles me criaram, contudo, sozinha é uma barra! 

Além do que, minha saúde (estou com um problema relativamente sério, e que eles desconhecem) não está lá essas coisas também. Tenho dormido mal, e tido dores de cabeça várias vezes na semana.

A pressão sanguínea deles está estabilizando (é aferida 2x ao dia, pela mania da minha mãe de querer isso), devido aos cuidados que dou a eles, e a minha subindo toda semana, quando antes era baixa...


Enfim, para terminar a "terapia da escrita" por hoje, digo e repito: 

Ter idosos em casa é uma missão para poucos! Deus continue me dando a paciência, e ajudando minha saúde, para cuidar deles e me manter viva, sem "entrar em parafuso".

OBS:

Ah, não atire a primeira pedra, se você não tem ideia do que é  isso (e tudo que já passei), nesses meus 59 anos nesse planeta!

E amo meus pais mesmo!

Foi só  um desabafo. Queria um milagre de ter alguma ajuda, só isso.

Fátima Abreu Fatuquinha 

Faty





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