Assim que resolver essas coisas pendentes de
mudança de casa, e cirurgia da vesícula, começarei se
QUER! POIS ME DEU ESSE DOM DA ESCRITA), meu vigésimo livro.
, pois farei a
personagem principal como Sherazade. Claro, numa trama alternativa, como
foi meu conto de fantasia:
...
Fátima Fatuquinha Abreu
NOTA: Um conto que fiz há tempos, mas, que vou inserir no novo livro, é esse:
A Odalisca, o Sheik & o Gênio
Muitos e muitos anos atrás, na distante Arábia, vivia um sheik em seu
palácio, coberto de luxo e riquezas, possuía um harém com as mais belas
moças do seu reino, mas infelizmente nenhuma delas tocava seu
coração...
Um dia, triste e abatido, pensou em uma maneira de encontrar a moça certa para ser sua companheira pelo resto de sua vida:
Disfarçou-se
de plebeu, e andou pelas ruas do povoado, no comércio aberto,
procurando um rosto que lhe chamasse a atenção, uma moça que lhe
causasse interesse não apenas bela beleza...
Ele pediu ajuda ao seu melhor amigo: Rachid, que conseguiu as roupas para um disfarce autêntico.
Muitas pessoas passavam ali no mercado, e provinham de vários lugares diferentes, até ocidentais...
Certo que iria encontrar sua eleita entre o povo, ficou ali observando o vai e vem das pessoas...
Do
alto de um palanque, um mercador de escravas anunciou o lote a ser
negociado, e a atenção do sheik voltou-se para aquele local.
Ele
olhou uma a uma das escravas a serem vendidas, e percebeu que todas
estavam de olhar cabisbaixo, mas apenas uma estava de " nariz em pé",
com uma altivez, que ele se impressionou de imediato...
Chegou perto do mercador e cochichou ao seu ouvido:
_ Quero aquela moça que olha para o alto, ponha o preço que lhe pago!
_ Com esses trapos que veste? Onde teria dinheiro suficiente para comprá-la?
_ Meu amigo Rachid, aqui, lhe dará o quanto pedir...
E
voltando-se para Rachid, o mercador assentiu, dada a boa apresentação
dele, pois somente o sheik estava com vestimentas pobres...
O
amigo fiel do sheik, foi até onde a moça estava, pagou o preço combinado
ao mercador, e a trouxe até ele, que relutava em ser vendida, e mordia
ferozmente Rachid...
A moça encontrou os olhos do sheik, e nesse momento seu coração acelerou sem ter motivo aparente...
O
sheik percebeu que não se enganara! Aquela era uma jovem especial! Sem
dizer nada, desatou as amarras em suas mãos e as beijou... Em seguida,
colocou-a sobre seu cavalo e a levou ao palácio...
A moça não entendia nada! Quem era aquele homem que acabara de conhecer, e que a levou até o palácio do sheik?
Para satisfazer sua curiosidade, perguntou finalmente:
_ Quem é o senhor afinal?
_ Sou o sheik.
Ela ficou catatônica por uns dois minutos... E o sheik voltando-se para seu amigo que estava junto, disse:
_ Conte tudo por favor, assim pode ser que ele entenda o que se passa.
Rachid
relatou a compra feita por ele, mas em nome do próprio sheik, que
estivera disfarçado no mercado... Sem mencionar as reais intenções do
sheik, que era te tê-la como esposa...
O sheik disse para ela, que ficaria entre suas odaliscas no hárem. E que naquela noite, ela dançaria para ele...
Duas
moças entraram no salão e levaram Sumara para dentro do harém. Iriam
prepará-la para a noite, com banhos imersos em essências especiais,
óleos aromáticos, e a vestimenta de véus e guizos para dançar...
Enquanto isso, o sheik já estava de banho tomado e roupa trocada, e voltou ao salão para que a ceia se iniciasse.
Bateu palmas e as servas trouxeram Sumara.
Ele a olhou bem dentro dos olhos, e disse sorrindo:
_ Agora dance para mim.
A contra gosto, mas sabendo que isso era tudo que poderia fazer no momento, ela começou sua dança dos sete véus...
Em movimentos de sedução, que o seu corpo fazia, mais interessado o
sheik ficava... Pediu que repetisse sua apresentação, com a dança do
ventre, e assim ela fez...
Dentro de si guardava um rancor, por estar sendo usada, era assim que se sentia...
Muito embora o seu primeiro contato com o sheik, ainda no mercado, tivesse despertado também seu coração solitário.
E pensava durante a dança:
"
Ele me pareceu bom, mas agora vejo que não o é, não passo de mais uma
odalisca do seu harém, é como todos os homens que se aproveitam das
mulheres, fazendo com que sejam meros objetos de seus desejos."
O sheik também estava imerso em seus pensamentos:
"
Não me enganei, ela é a moça certa, é diferente das outras, o seu olhar
altivo mostra que ela não é submissa, tem personalidade... E como dança
maravilhosamente bem! "
A testaria por um breve tempo, para notar as suas reações, e depois revelaria a verdade: Ela seria sua esposa!
Sumara
fez uma reverência ao fim da dança, e saiu apressada para o aposento
atrás do salão. O sheik ainda ficou um tempo ali e depois foi para seu
quarto, mas naquela noite, não dormiu:
Apenas pensava em Sumara...
E
no harém, Sumara também não conseguia dormir, estava com receio de se
apaixonar por ele, isso seria terrível! Sabia que nunca poderia ocupar
lugar no coração do sheik, porque era apenas mais uma de suas
odaliscas... Com esse pensamento finalmente dormiu...
Passaram-se muitos dias, e o sheik todas as noites a fazia dançar para ele, já não queria outra para isso...
Numa
manhã clara e ensolarada, um mercador passava, e pediu um pouco d´água
no portão de entrada do palácio. Sumara que estava no pátio, o viu e
decidiu levar a água para o mercador, recolheu com sua ânfora da fonte, e
deu-lhe em uma concha, pelas grades do portão...
Ele bebeu o quanto precisava, e agradecido por ela ter sido caridosa para com ele, resolveu lhe dar um presente...
Assim, procurando entre seus objetos de venda, achou uma garrafa decorada muito bonita. Entregou nas mãos dela, dizendo:
_
Como você foi boa comigo, aceite esse presente, é apenas uma garrafa,
mas é de coração que te dou... Está comigo há muitos anos...
Espero que sirva para alguma coisa.
_ Obrigada, é uma linda garrafa!
Ele assentiu e virou-se acenando com a mão...
Quando Sumara olhou de volta, ele estranhamente já havia sumido...
Levou
a garrafa para dentro, colocaria flores para enfeitar, porque serviria
de jarro, era muito bonita cravejada de pedras coloridas.
Ao retirar a tampa, uma fumacinha saía de dentro, e logo um gênio estava em sua frente!
Olhando para Sumara disse, fazendo uma reverência:
_ Bem, aqui estou para ser seu gênio! Realizarei apenas 3 desejos, mas pense bem, para depois não se arrepender!
A moça quase caiu para trás, mas depois se recuperando do susto, respondeu:
_
Então vai me conceder 3 desejos? Deixe-me ver, não sei bem o que pedir,
mas a primeira coisa que me ocorre, é a liberdade, quero sair daqui
agora!
_ Que seja!
Batendo palmas o gênio levou Sumara do
palácio, e num passe de mágica, estava nos arredores da cidade.
Agradeceu ao gênio, e disse que aguardasse sua chamada, para quando ela
decidisse os outros 2 desejos que faltavam...
Ele concordou, afinal, era justo que pensasse com calma o que queria realmente...
Sumara
pensou em procurar sua irmã Sulamita, que há muito tempo não via,
queria morar com ela, até decidir o que fazer dali em diante...
O gênio a seguia, mas apenas ela o via...
Ao
chegar na casa de sua irmã, notou que ninguém vinha atendê-la. Ficou
preocupada. Será que Sulamita havia sido pega com ela, por algum
mercador inescrupuloso?
Sumara chamou e nada... Perguntou ao vizinho, um mercador de frutas, se ele sabia o paradeiro de Sulamita:
_ Boa tarde Bartolomeu! Sabe de minha irmã?
_ Sim. Ela acabou de perder um bebê, e está ainda na casa da parteira, que está cuidando dela.
_ Ah, obrigada por me dizer... Vou até lá, agora mesmo!
Sumara
bateu na porta da casa humilde, mas muito limpa, da senhora parteira.
Ela veio atender, e disse espantada, ao reconhecer Sumara:
_ Sumara! Você veio! Como soube do que aconteceu com a sua irmã?
_ Acabei de saber pelo Bartolomeu...
_ Ah, sim... Sua irmã está bem agora, mas o bebê não resistiu...
Entre minha filha, venha falar com ela...
Dito isso, Sumara entrou, e viu logo Sulamita deitada em uma cama, ainda abatida... Beijou-lhe a testa.
Sulamita
abriu os olhos e ficou surpresa... Mas pelo menos uma coisa boa
acontecia: Sua irmã estava ali, depois de mais de um ano que não se
viam!
_
Sulamita minha irmã, estou triste com tudo isso! E eu, que nem sabia
que você estava grávida! Mas agora estou aqui, e vou te ajudar. Estive
em cativeiro, fui vendida ao sheik, era uma de suas odaliscas.
_ Mas que absurdo, minha irmã! Então te fizeram de serva? Logo você, que sempre foi tão forte, decidida, e livre!
O gênio, a tudo observava...
Sumara
levou sua irmã de volta para casa, com todo cuidado e carinho, pois
ainda estava fraca, mas antes, agradeceu a senhora parteira pelo que fez
pela sua irmã, e disse que depois acertava pelos serviços, ao que a
senhora respondeu:
_ Não se preocupe com isso, minha filha... Cuide apenas de sua irmã.
Ao chegar em casa, Sumara chamou o gênio em um canto, e cochichou em seu ouvido:
_ Não tem como trazer o bebê de volta à vida?
_ Impossível! Sou apenas um gênio, e ainda estou aguardando os seus 2 desejos, para que eu fique livre finalmente!
_ Pois muito bem! Lá vai mais um: Quero que minha irmã esqueça essa tristeza, e viva na fartura a partir de agora!
_Que seja!
Dizendo
isso, e batendo as palmas, a casa se transformou em uma estalagem
grande, com muitos quartos, salão, uma excelente cozinha, bem abastecida
de tudo, e banheiros romanos...
Sulamita poderia ter seu próprio negócio, e esquecida do passado, não sofreria mais.
_ Muito bem, gênio! Ótima ideia essa, da estalagem! Mas tem certeza que ela não se lembra do passado?
_ Claro! Eu não faço trabalho pela metade!
Satisfeita,
Sumara conversou com a irmã como fariam para que a estalagem ficasse
bem cheia de hóspedes. Decidiu que faria um apresentação de dança do
ventre todas as noites, isso garantiria que os viajantes tivessem
interesse pelo lugar, afinal, uma atração assim, só no palácio do sheik!
A
estalagem lotou de viajantes pela noite, a notícia correu pelos
arredores do lugar, de que haveria uma atração especial de dança. Sumara
estava certa. Sua dança garantiria um bom dinheiro para elas, a
estalagem estaria sempre cheia...
Mesmo cansada, quando se deitou,
não conseguia dormir, porque sua mente estava em outro lugar: No
palácio, na lembrança do rosto do sheik...
Enquanto isso, no
palácio, o sheik andava de um lado para outro, sem entender como a sua
eleita, tinha sumido inexplicavelmente dali...
Berrava, gritava com os servos e servas que continuassem a procura, mas de nada adiantava...
Um pensamento deixou-o preocupado:
" Não posso deixar que ela suma pelo mundo. Agora que encontrei a quem amo, não poderei desistir de procurar. "
Resolveu então, que no dia seguinte, ele mesmo iria procurá-la.
Pela manhã disfarçou-se, mas dessa vez de vendedor de tapetes, e saiu do palácio para o resgate de sua amada...
Apregoava
o produto que estava em uma carroça devidamente providenciada pelo seu
amigo Rachid, até que avistou um rosto conhecido no meio do povo: "Sim,
era ela!"
Sumara estava no mercado de frutas e enchia um cestinho.
O sheik se encaminhou até ela, disfarçadamente, não queria que ficasse
assustada...
Saberia agora, o que se passava finalmente, e como ela teria escapado sem deixar rastro pelo portão do palácio...
Ela
se dirigia para a estalagem, e o sheik achou estranho não conhecer
aquele lugar, parecia novo para seus olhos, uma estalagem perto do
mercado, não poderia ficar despercebida...
Largou
a carroça com os tapetes em um beco, e foi até a estalagem, iria entrar
como viajante e aguardaria o momento certo para falar e se declarar de
uma vez para Sumara...
Ao perceber que o homem que entrara era o sheik disfarçado novamente, Sumara levou um choque!
Estava atônita, com medo que ele a levasse de volta, e assim perdesse mais uma vez, a sua liberdade.
Ele
tapou-lhe os lábios com dois dedos, e fez sinal para que nada dissesse.
E repentinamente a beijou... Sem esperar tal atitude, ela ficou
espantada, mas correspondeu deixando-se beijar, enebriada, nos braços
robustos do sheik...
Ele confirmou seu amor, dizendo as palavras que tanto ela sonhava ouvir:
_
Te amo Sumara, como nunca amei ninguém antes! Quero que volte ao
palácio, e seja minha esposa, governe comigo o reino, e tenhamos filhos
que serão fruto do mais puro amor!
_ Nossa! Por essa eu não esperava! Mas aceito, porque já o amava, desde o primeiro olhar...
O
gênio, que tudo via, de braços cruzados aguardava pacientemente ao
último desejo, para que fosse embora de uma vez por todas dali...
Disse então tocando o ombro de Sumara:
_ Esse sheik aí, te ama mesmo Sumara, mas me diz logo, de uma só vez, qual é o terceiro desejo?
_ Fique quieto! Não me perturbe mais!
_ Que seja! Agora finalmente estou livre e vou embora! Adeus, Sumara!
Dito
isso, o gênio sumiu, e nunca mais Sumara soube dele... Mas até hoje ela
fica pensando como desperdiçou o seu terceiro desejo...
Sumara
casou-se com o sheik, e o palácio no dia, estava em tumulto, porque
todos queriam saber quem era a escolhida, entre todas as moças do reino.
Quando os portões do palácio foram abertos, o povo e a nobreza se
juntaram...
O casamento foi lindo, e muitos choravam...
Muitos aplaudiam, pelo sheik ter escolhido uma de suas servas para ser a sua esposa.
Sumara convidou sua irmã Sulamita, para morar com ela no palácio, afinal, não poderia deixar de cuidar da irmã mais nova...
Sulamita pediu a Bartolomeu que tomasse conta do negócio dali em diante, e foi morar com o casal.
Depois do primeiro ano de casamento veio o primeiro dos 3 filhos do casal, e quem ajudou a criar, com o maior amor do mundo?
Sulamita, a quem a vida, havia negado o desejo de ser mãe...
FÁTIMA ABREU
Fatuquinha
1001 BEIJINHOS